Manuel Cargaleiro

Bolseiro Gulbenkian 1959 – Histórias de Impacto

A História de Impacto de um dos mais notáveis artistas portugueses, pintor e ceramista que afirma que "nasceu para Paris com a Fundação Gulbenkian", e tem desenvolvido até à atualidade inúmeras obras artísticas de grande reconhecimento.
21 jan 2025 16 min
Histórias de Bolseiros

Nas conversas vadias do Professor Agostinho da Silva, anos noventa do século vinte, de onde vadia até aos nosssos dias muita da sua sabedoria, encontramo-lo a afirmar que o objetivo do ser humano aquando do seu fim deveria ser que se dissesse “morreu um poema”: teríamos sabido dedicar-nos inteiramente ao que queríamos sem nos importar com o resto. Manuel Cargaleiro, sem fim à vista, que aos noventa e três anos trabalha saudavelmente, ou não seria feliz, é um poema vivo. Não há tela, azulejo ou faiança que tenha tamanho para a sua cor, para a sua generosidade, para a expressão que lhe sai diretamente do coração, e são tantas as obras públicas e privadas que nos têm oferecido a sua luz.

Não lhe falta reconhecimento nacional e internacional. Não lhe faltam biografias, entrevistas, documentários, prémios e homenagens. Não lhe falta Paris, nem Itália. Não lhe falta delicadeza. E a nós falta-nos muito escrever e falar e aprender sobre o pintor ceramista e o ceramista pintor. Ficamos sempre pequeninos e pequeninas, não necessariamente pelo alcanceda obra, que é preciosa, mas mais pela extensão do seu sorriso. Porque também não lhe falta sorrir, simplesmente. No dia 16 de março de 1927, nasceu em Chão de Servas, concelho de Vila Velha de Ródão, Castelo Branco, o homem cosmopolita que trazia nas palmas das mãos a sina da humildade beirã, da ligação à terra e às origens. E lá foi Portugal, na sua cultura tão antiga e tradicional, viajar pelos quatro cantos do azulejo do mundo. Obrigada, mestre.

Como não agradecer logo no início? Manuel Cargaleiro também o fez ao seu primeiro mestre José Trindade, algures numa olaria que era ao lado de uns correios e que era ao lado da sua escola primária no Monte da Caparica e que era a caminho da Quinta da Silveira de Baixo, quinta dos seus pais na Sobreda da Caparica, em Almada, onde atualmente ainda tem o seu atelier. “Ele pegava numa bola de argila, punha aquilo no torno e daí fazia uma jarra, uma peça. Eu achava aquilo mágico, uma coisa extraordinária. Mais tarde, encontrei um quadro do Paul Klee chamado Cerâmica Mística [1925]. Ora bem, o milagre estava ali”[1]. Assim se modela o sonho de uma criança de sete anos, que vai com a magia para casa fazer ‘bonequinhos’ de argila, utilizando a sua expressão. No Museu Cargaleiro, em Castelo Branco, encontra-se a sua primeira experiência, uma tigela feita com a ajuda de José Trindade. Também no documentário Manuel Cargaleiro, a Obsessão da Luz se vê uma peça datada de 1936, feita quando o mestre Cargaleiro tinha nove anos.

Sorte tiveram estas peças, devidamente coleciona das e guardadas, mas muitos daqueles bonequinhos foram parar às mãos de meninas suas vizinhas da altura, que os partiam no meio das brincadeiras, que a cozedura do forno de lenha da sua mãe Ermelinda Cargaleiro, artista de patchwork, e as secagens ao sol não eram suficientes. “As raparigas vinham para lá [para casa] e punham-se a brincar com os meus bonecos. E partiam, partiam aquilo tudo. Mas eu não me importava porque elas diziam ‘ah, tão engraçado!’, e eu ficava contente é de elas gostarem. Já me chegava”[2]. Se o talento e a vontade de descobrir caminhos já nasceram com Manuel Cargaleiro, aprimorados pela força do seu trabalho, também a generosidade lhe chegou de forma inata. Gosta de oferecer quem é na pintura e na cerâmica, nos rabiscos, nos desenhos, gosta que gostem e gosta de gostar. É a beleza, primeiro em estado puro, depois no brilho da obra acabada. Porque quer chegar às pessoas, dar-lhes as suas mensagens. Bonitas. “Eu gosto que o mundo seja bonito. E gosto de ver coisas bonitas. E gosto de ver coisas que eu gosto”[3].

Foi numa conferência do Professor Luís Reis Santos no Museu de Arte Antiga, sobre pintura holandesa do século XVI, que se abriram as alas à longa vida artística profissional de Manuel Cargaleiro.

Do alto da sua adolescência corajosa, fascinado com o que ouvia e via, o mestre não tardou em mostrar os seus trabalhos, bonequinhos incluídos, ao Professor Luís Reis Santos. Em troca, o Professor emprestou–lhe um livro sobre cerâmica oriental, com a condição de o entregar um mês depois. Trinta dias volvidos, leituras concluídas, o reencontro deu-se e, com ele, uma ida ao café A Brasileira, no Chiado, uma espécie de centro cultural da Lisboa da época.

Lá estaria o pintor e ceramista Jorge Barradas, de quem rapidamente se tornou parceiro de atelier e amigo. “Apresentou-me ao Jorge Barradas, ao Carlos Botelho, àqueles tipos que depois foram os meus grandes amigos. No fundo, eu tornei-me um bocado filho deles, era um garoto, ainda era muito novo. O Barradas manda-me ir ao atelier dele e disse-me: ‘este é o meu atelier. Dois terços são meus e este bocadinho é teu, trabalhas aqui’. Então eu, sempre que podia, ia para lá”[4]

Sempre que podia, naturalmente, porque a atividade era muita. Entre a entrada na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, no curso de Geografia e Ciências Naturais, e a rápida saída para entrar na Escola Superior de Belas Artes, que o obrigou a ter aulas de desenho com uma professora judia que tinha fugido da Alemanha nazi, ainda havia tempo para trabalhar num banco, que o pai não entendia que as artes fossem o caminho adequado a seguir. “Cheguei a casa muito contente e disse ‘agora vou para a escola de Belas Artes’. E o meu pai respondeu ‘Ai é? Então agora governas-te’. No outro dia, comecei a ver e, no Diário de Notícias, havia: lugares vagos e a concurso. E eu concorri”. À Caixa Geral de Depósitos. Quando o admitiram, confessou o seu projeto em relação ao novo trabalho: “estar aqui o menos tempo possível”. Disse a verdade, o que compensou, porque foi colocado numa repartição em que, terminado o trabalho do dia, ele podia sair para ir para as aulas, fosse a que horas fosse. E assim fez o curso em Belas Artes, sem nunca perder uma aula prática e com a autonomia de 1.800$00 mensais, 900$00 para os gastos correntes, 900$00 para a poupança que mais tarde lhe pagaria uma das suas exposições individuais na Galeria de Março, organizada pelo José Augusto França.

A sua primeira exposição foi em 1949, na “Primeira Exposição Anual de Cerâmica”, na Sala de Exposições do Secretariado Nacional da Informação, Cultura Popular e Turismo (SNI), no Palácio Foz, em Lisboa. Em 1952, tem a sua primeira exposição individual, realizada na Sala de Exposições do SNI, com texto de Jorge Barradas. Em 1953 expõe pintura pela primeira vez no “Salão da Jovem Pintura”, na Galeria de Março, em Lisboa, onde retorna em fevereiro de 1954, com a exposição individual “Cerâmicas de Manuel Cargaleiro”, com texto de Diogo de Macedo, que representa o grande marco para o reconhecimento do seu trabalho. “Essa exposição da Galeria de Março foi um dos acontecimentos mais importantes da minha vida porque foi muito visitada. Por causa dessa exposição, fui convidado para ser professor na [Escola de Artes Decorativas] António Arroio, de pintura de cerâmica, e a partir daí eu estava completamente integrado em todo o meio artístico de Lisboa”[5]. Conhece o casal Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Szènes na sua exposição, que o desafiam a ir visitá-los a Paris. E ele foi, também em 1954, com vinte e sete anos.

“Essa primeira viagem a Paris foi o Carlos Botelho que me organizou tudo, marcou-me o hotel, tudo. Eu fiquei esmagado com Paris”[6]. Sozinho, entre teatros, galerias, museus e passeios pela rua, assim conheceu a cidade das luzes, que se viria a tornar poucos anos depois a sua segunda casa. Antes disso, em 1955, ainda dirige juntamente com os seus alunos da António Arroio os trabalhos de passagem para cerâmica das estações da Via Sacra do Santuário de Nossa Senhora de Fátima, da autoria de Lino António. “Eu aprendi tanto como eles. Os alunos aprendiam, eu aprendia também. Eu e os meus alunos realizámos a Via Sacra do Santuário de Fátima porque o Lino António era pintor mas não conhecia nada de cerâmica. Nessa altura, nem havia esmaltes, hoje está tudo muito aperfeiçoado, e eu preparava os esmaltes, fazia aquilo tudo. E depois pintavam todos aquelas figurinhas da Via Sacra, que eram painéis muito grandes. Não parece, mas são catorze painéis e cada um tem seis metros por quatro. E o Lino António, quando via aquilo realizado naquelas proporções, achava aquilo um espanto”[7]. Seguem-se os painéis de cerâmica para o Jardim Municipal de Almada e o painel de azulejos para a fachada da nova igreja de Moscavide, em 1956.

Estavam definitivamente abertas as portas em Portugal. E esse foi o início do rumo ao estrangeiro. Em 1957, recebe uma bolsa do Governo Italiano, por intermédio do Instituto de Alta Cultura, que lhe permite visitar Itália e estudar a arte da cerâmica em Faença, com Giuseppe Liverani, Roma e Florença. Regressa a Portugal e, em 1958, recebe uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian para um estágio na Faïencerie de Gien, sob a orientação de Roger Bernard, e é nesta data que Manuel Cargaleiro fixa residência em Paris. “Eu aqui [em Portugal] estava muito ligado a um grupo que era o Movimento de Renovação de Arte Religiosa, que era contra os padres que vendiam as obras fabulosas das igrejas antigas para depois colocar uns azulejos de Sacavém, que era uma coisa horrível.

Desse grupo, fazia também parte uma senhora que era a Maria José de Mendonça, que veio a ser diretora do Museu de Arte Antiga, que trabalhou com o João Couto, o grande diretor do Museu de Arte Antiga. Entretanto, a Maria José de Mendonça foi chamada pelo Dr. Azeredo Perdigão para diretora do Serviço de Belas Artes da Gulbenkian. Foi a primeira. E ela chamou- -me e disse-me assim: ‘Ó Manel Cargaleiro, venha cá. Nós vamos começar a dar bolsas de estudo para o estrangeiro. Você já tem um bocadinho de experiência no estrangeiro. Não quer uma bolsa da Gulbenkian?’ Ao que eu respondi ‘é já!’. Fiquei todo contente para me ir embora daqui para fora”[8]. A vontade de ser livre e de materializar a sua abstração nas suas telas e nos seus painéis não se coadunava com a opressão do Estado Novo. Manuel Cargaleiro queria sair de Portugal. “A minha relação com a Fundação Gulbenkian é muito forte e desde o início porque, no fundo, eu nasci para Paris com a Fundação Gulbenkian”[9].

A bolsa da Gulbenkian, que estava inicialmente prevista para dois anos, só durou um ano. E também este imprevisto foi determinante. A bolsa teria ficado válida pelo período inicialmente estabelecido se Manuel Cargaleiro regressasse a Portugal.

Usando-se da sinceridade que lhe era característica, fez chegar à Fundação a vontade de ficar em Paris por mais tempo. Não sabia que seria para os sessenta anos que se seguiram, até hoje, mas ali encontrou o seu novo espaço natural e cultural. Amparado por Maria Vieira da Silva e Arpad Szènes, que trabalhavam com o galerista Pierre Loeb, começou a trabalhar com o galerista que ampliou o potencial do seu trabalho, o irmão Edouard Loeb, com quem já tinha estado em Portugal em jeito de cicerone, numa viagem que Edouard fez com a sua namorada a Lisboa. Instalou-se num hotel de artistas na Rue Saint-André des Arts, a começar na Jeanne Modigliani, filha de Amedeo Modigliani, e a terminar na proprietária melómana que saía para as grandes óperas de Paris juntamente com o filho, deixando o hotel a cargo dos artistas que lá viviam. “Isto era a nossa vida no hotel de la Vanne”[10].

Mais tarde, com a ajuda do seu galerista Edouard Loeb, mudou-se para um apartamento de cinquenta metros quadrados, que se tornou também o seu atelier, no terceiro andar do número dezanove da Rue Des Grands Augustins, a mesma onde morava Picasso. Tinha chegado ao seu château repleto de luz. Tanto que a sua pintura Música dos Namorados, de 1952, já prenunciava. Ou antes a Estrela do Norte, também de 1952, que lhe mostraria o caminho? Embora desprendido das suas obras, “que têm de seguir o caminho delas”[11], é nelas que encontra o meio de levar às pessoas a sua beleza e as suas palavras traduzidas em formas e em cor, onde descansa o coração e as raízes. “Sim, as cores da Beira estão sempre presentes nos meus olhos. A terra faz parte do coração…”[12].

E o mestre tentou sempre deixar o coração mandar[13]. Não se estranha, por isso, ter tido tantos amigos e amigas que o influenciaram, como Max Ernst, Nathalie Gontcharova e o seu marido Larionov (propulsionadores do rayonnisme) ou Roger Bissière, só para nomear aqueles que resultaram das idas regulares à Galerie Edouard Loeb. Nas palavras de Albert Loeb, sobrinho de Edouard: “Mais tarde, dirá ‘nasci como pintor em Paris’. E de facto ele pertence por mérito próprio à Ecole de Paris”[14]. E também não lhe faltam pessoas amigas em Portugal, como Álvaro Siza Vieira, que se refere a Manuel Cargaleiro como a pessoa mais incapaz de maldade que conhece, Herberto Hélder, que o refere como exemplar e fascinante, ou Agustina Bessa-Luís, que vê o campo magnético da alma humana na obra do mestre Cargaleiro. Também não se estranha que, na sua humildade, acredite que pintores sejam os outros e que goste deles todos. “Isto é mesmo cá de dentro. Eu não sou pintor. Eu sou eu. Eu faço isto por uma obsessão, porque tenho necessidade de fazer isto. Isto talvez seja como uma droga, mas os artistas, os grandes artistas, são os outros”[15].

O pintor que inventa flores sozinho e através das palavras de José Gomes Ferreira, na obra Vou Inventar Uma Flor (1991), inventou também um jardim inteiro para nosso legado, com Les Fleurs Rayonnistes (1962), as Flores de Maio (1963), a Composição com Flores Amarelas (1997), as Petites Fleurs Rouges (2003), entre tantas tão bonitas. Manuel Cargaleiro é a poesia de se estar na vida. Em Vietri Sul Mare e em Castelo Branco é possível senti-la de perto. Depois de ter recebido o I Grande Prémio Internacional Viaggio attraverso la ceramica, em Vietri sul Mare, em 1999, Manuel Cargaleiro assiste em 2004, na mesma localidade italiana, à criação da Fondazione Manuel Cargaleiro e à inauguração do Museo Artistico Industriale Manuel Cargaleiro, museu esse onde se observam as coleções e onde se trabalha em fábrica, daí a palavra industrial. Tal como no Museu Cargaleiro, fundado em 2005 numa parceria entre a Fundação Manuel Cargaleiro, instituída em 1990, e a Câmara Municipal de Castelo Branco, se encontram oficinas de trabalho e diversas atividades programadas pelo serviço educativo do museu. Porquê? “Tudo o que eu comprei, tudo o que eu compro e tudo o que eu guardo é sempre, sempre com um sentido: o sentido didático.

É transmitir aos outros. Eu quero que eles saibam, porque o prazer que eu tenho de descobrir aquilo, eu quero que haja alguém que descubra também”[16]. Ou não seria Manuel Cargaleiro. Mas o trabalho em nome próprio não para, haja tempo. Atualmente, é representado em Paris pela Galeria Helene Bailly, de onde trabalhou em pintura para o Japão durante dez anos e de onde continua a trabalhar para todo o mundo. “Matisse dizia que é preciso estarmos a trabalhar quando a inspiração passa”[17], confessa o mestre depois de assumir que a sorte é de quem a procura. Que sorte estarmos por cá enquanto a sua inspiração nos passa. É a escolha pelo poema vivo, o caminho possível de ver nascer a alegria. “Um artista encontrar o seu caminho é, assim, a grande felicidade”[18]. Manuel Cargaleiro é o artista da cor que tem e da luz que dá. Para sempre, sem que nunca lhe toque o pó da efemeridade.


[1] Entrevista a Manuel Cargaleiro feita por Fundação Calouste Gulbenkian, 2020.

[2] Entrevista a Manuel Cargaleiro feita por Fundação Calouste Gulbenkian, 2020.

[3] Entrevista a Manuel Cargaleiro feita por Fundação Calouste Gulbenkian, 2020.

[4] Entrevista a Manuel Cargaleiro feita por Fundação Calouste Gulbenkian, 2020.

[5] Documentário Cargaleiro, a Obsessão da Luz, com realização de Alexandre de Medeiros Reina e textos de Margarida Afonso, 2005.

[6] Entrevista a Manuel Cargaleiro feita por Fundação Calouste Gulbenkian, 2020.

[7] Entrevista a Manuel feita por Raquel Santos, com realização de José Mexia, 2006.

[8] Entrevista a Manuel Cargaleiro feita por Fundação Calouste Gulbenkian, 2020.

[9] Entrevista a Manuel Cargaleiro feita por Fundação Calouste Gulbenkian, 2020.

[10] Entrevista a Manuel Cargaleiro feita por Fundação Calouste Gulbenkian, 2020.

[11] Entrevista a Manuel Cargaleiro feita por Carlos Daniel, no programa navegadores.pt, 2009.

[12] Neves, Fernando Paulouro, Assim Nasce a Alegra, em Manuel Cargaleiro, Vida e Obra. Museu Cargaleiro, 2012.

[13] Documentário Cargaleiro, a Obsessão da Luz, com realização de Alexandre de Medeiros Reina e textos de Margarida Afonso, 2005.

[14] Loeb, Albert, Manuel Cargaleiro: o parisiense, em Manuel Cargaleiro, Vida e Obra. Museu Cargaleiro, 2012.

[15] Entrevista a Manuel Cargaleiro feita por Fundação Calouste Gulbenkian, 2020

[16] Entrevista a Manuel Cargaleiro feita por Fundação Calouste Gulbenkian, 2020.

[17] Entrevista a Manuel feita por Raquel Santos, com realização de José Mexia, 2006.

[18] Documentário Cargaleiro, a Obsessão da Luz, com realização de Alexandre de Medeiros Reina e textos de Margarida Afonso, 2005.

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