Acesso a Educação

Promover a igualdade de oportunidades no acesso à educação e ao emprego, valorizando o mérito e o talento.

Acesso a Educação

A Fundação Gulbenkian quer criar oportunidades para que os jovens possam fazer escolhas educativas e profissionais independentes da sua condição socioeconómica, para que possam explorar todo o seu potencial de aprendizagem e o seu talento, permitindo que cada um se torne num modelo positivo de mudança na sua comunidade.

Portugal apresenta valores de investimento em educação abaixo da média internacional, sendo um dos países que menos investe no ensino superior, segundo dados da OCDE. Atualmente, menos de 17% dos estudantes do ensino superior recebem apoio do Fundo de Ação Social, e cerca de 75% destes beneficiários obtêm apenas a bolsa mínima. Assim, uma parte significativa dos estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconómica permanece sem qualquer apoio que lhes permita prosseguir com os estudos no ensino superior. Mais de 10% dos estudantes acabam por abandonar o ensino superior no primeiro ano devido a dificuldades financeiras e 26 % não conclui a licenciatura ao fim de seis anos de a ter iniciado.

Nos restantes ciclos de ensino, mais de um terço dos estudantes do pré-escolar, do básico e do secundário são apoiados pela Ação Social Escolar (ASE). Em Portugal, mais de 400 mil estudantes estão em situação de maior vulnerabilidade socioeconómica.

Independentemente das suas capacidades, a percentagem de estudantes deste universo a progredir para o ensino superior era, em 2021, 35% inferior à observada no universo de estudantes sem apoios sociais. Verifica-se uma “transmissão intergeracional da educação”, na qual a formação superior dos jovens permanece fortemente condicionada pelos níveis de qualificação dos progenitores. Dados da OCDE referentes ao ano de 2025 mostram ainda que apenas 23% dos jovens portugueses entre 25 e 34 anos, cujos pais não concluíram o ensino secundário, conseguiram concluir um curso superior. Em contraste, esse número sobe para 73% entre os jovens cujos pais têm formação superior.

Paralelamente, a transição para a vida ativa também não tem sido fácil: a taxa de desemprego jovem é de 18% (superior à média europeia, de 15%) e cerca de 8,7% dos jovens não estudam nem trabalham (uma taxa inferior à média europeia). Dos jovens entre 18 e 24 anos que estão empregados, mais de 50% têm vínculos contratuais temporários.

Estes indicadores revelam desigualdades persistentes, que limitam o potencial de crianças e jovens e enfraquecem a coesão social.

Por outro lado, o sistema educativo português carece de um verdadeiro ecossistema de apoio ao talento, isto é, um conjunto articulado de políticas, programas, metodologias e oportunidades que permitam identificar, acompanhar e desenvolver as capacidades individuais dos estudantes ao longo do seu percurso. Atualmente, o sistema tende a ser mais orientado para a homogeneização do ensino, o que dificulta a criação de trajetórias personalizadas que valorizem talentos específicos — académicos, artísticos, científicos ou técnicos.

Num país que enfrenta desafios à mobilidade social, com pouco investimento em educação e em que o percurso educativo e profissional continua fortemente condicionado pela origem socioeconómica, procuramos reduzir desigualdades, promover o talento e a capacidade de liderança e criar condições para uma participação plena de todos os jovens na vida social, cultural e económica.

Abordagem

Desde a sua criação, a Fundação Calouste Gulbenkian tem contribuído para que as pessoas tenham oportunidades iguais, através da atribuição de bolsas de estudo em todas as áreas do saber, das ciências às humanidades e às artes, mas também através do apoio a iniciativas e projetos de desenvolvimento de competências em crianças e jovens, reforçando a ligação entre escola, família, comunidade e futuro profissional. Um trabalho de fundo que torna esta área de intervenção uma referência da Fundação.

Atualmente, organizamos estes apoios em quatro dimensões: Bolsas Gulbenkian, Centros de Estudo Gulbenkian, Gulbenkian Aprender e Gulbenkian Empregar.

Principais áreas de atuação

Bolsas Gulbenkian

Atendendo à forte relação entre o nível socioeconómico e indicadores de educação, como desempenho escolar, nível académico alcançado, repetências e abandono académico, inverter a situação passa por uma mudança sistémica, na qual uma das ações fundamentais consiste em atribuir mais e melhores bolsas de estudo.

Procuram identificar estudantes de elevado potencial e dar-lhes as condições para colmatar situações sociais adversas, desenvolver os seus talentos e estimular o trabalho em determinadas áreas, não consideradas prioritárias por governos e agências de financiamento, mas fundamentais para a construção de uma sociedade sustentável.

Ao reforçar a atribuição de bolsas de estudo, assegura-se o acesso à educação de alta qualidade e transforma-se talento potencial num desempenho inovador. Desta forma, as Bolsas Gulbenkian contribuem para melhores oportunidades de emprego.

Mérito no ensino superior

Apoiamos estudantes de mérito no ensino superior, de qualquer área do conhecimento, com menos capacidade económica, desde o primeiro ano de licenciatura até à conclusão do mestrado.

A bolsa atribuída contempla ainda o apoio a um período de estudos fora de Portugal. Com este apoio à mobilidade internacional, pretende-se que mais estudantes tenham a oportunidade de estudar fora, e assim, conhecerem e adaptarem-se a diferentes realidades, e de desenvolver a resiliência, competências diferenciadoras quando mais tarde ingressam no mercado de trabalho.

Novos Talentos em investigação

Novos Talentos é um programa integrado de identificação e desenvolvimento de talento que proporciona ao bolseiro, além do apoio financeiro, acompanhamento por um tutor, workshops formativos e acompanhamento por uma comissão científica.

Cremos que a descoberta de jovens talentos é mais difícil de alcançar numa educação de massas e, por isso, adotamos uma abordagem que visa à criação de uma experiência imersiva de estímulo ao trabalho de investigação.

Explora Talento

O programa Explora Talento identifica estudantes finalistas e vencedores de Olimpíadas Escolares e oferece acompanhamento contínuo ao longo do ensino secundário, incluindo uma bolsa para atividades de enriquecimento, bootcamps e um retiro científico interdisciplinar. Ao longo do programa, os bolseiros são acompanhados por mentores do programa Novos Talentos no ensino superior e têm a oportunidade de conhecer e interagir com cientistas, artistas e outros profissionais, sendo desafiados a explorar as suas capacidades e a refletir sobre o futuro. Participam ainda em atividades culturais e dispõem de um curso online de língua inglesa.

Formação em artes

De forma a facilitar a entrada e a continuidade na carreira artística, apoiamos a formação académica e técnica de jovens artistas por meio da atribuição de bolsas para estudos no estrangeiro.

Com este programa, pretendemos contribuir para a expansão de horizontes por meio do acesso à internacionalização e à criação de redes globais, em escolas que colocam artistas no centro da criação.

África

As bolsas destinadas a estudantes oriundos de países em desenvolvimento são um instrumento importante para aumentar o número de recursos humanos qualificados nos seus países de origem e promover o acesso ao ensino superior baseado no mérito.

Com este programa de bolsas, acreditamos estar a promover a mobilidade educacional e científica e a contribuir para o desenvolvimento da sociedade nos países de origem, através das pessoas apoiadas.

Centros de Estudo Gulbenkian

Alinhados com o compromisso da Fundação Gulbenkian com a equidade na educação, os Centros de Estudo Gulbenkian, promovidos por entidades comunitárias no terreno, têm como objetivo oferecer oportunidades de aprendizagem de alta qualidade a estudantes que frequentam escolas em zonas da Área Metropolitana de Lisboa marcadas pela pobreza e pela exclusão social.

Este projeto-piloto visa testar um modelo de apoio à aprendizagem no período pós-escolar e nas pausas letivas, destinado a crianças e jovens do ensino básico e do ensino secundário. A iniciativa pretende promover o sucesso escolar e contribuir para a redução das desigualdades educativas em contextos vulneráveis.

O modelo de intervenção dos Centros de Estudo Gulbenkian tem como foco as competências em português, matemática e inglês, com a tutoria de professores/explicadores. Pretende-se o reforço da relação escola-família-comunidade para o aumento das interações, criando oportunidades de deteção e correção de comportamentos de risco. A intervenção valoriza a promoção de mentoria com jovens e pessoas adultas de referência, que podem desenvolver competências pró-sociais, nomeadamente através da Rede de Bolseiros Gulbenkian. Adicionalmente, os Centros asseguram a organização de atividades que levem as crianças e jovens a explorar aprendizagens e novos horizontes fora da sua área de residência (e.g. visitas de estudo; atividades culturais).

Gulbenkian Aprender

Desenvolvida na região do Tâmega e Sousa, a iniciativa Gulbenkian Aprender visa oferecer apoio educativo e material, de forma contínua, desde o 5.º ao 12.º anos de escolaridade, a crianças e jovens com desempenho escolar excecional, inseridos em grupos sociais vulneráveis e beneficiários dos apoios da ação social escolar.

O apoio educativo foca-se no aprofundamento de competências básicas (Inglês, Leitura, Escrita e Matemática), mas também de competências transversais (autorregulação, metacognição, comunicação, entre outras). Serão também oferecidas atividades de mentoria, enriquecimento social, cultural e curricular, incluindo bootcamps, visitas a museus ou participação em intercâmbios internacionais.

Para apoiar as famílias, será concedida uma bolsa para satisfazer necessidades básicas da criança ou jovem, nomeadamente material escolar e equipamentos, saúde oftalmológica, estomatológica e um programa de desenvolvimento de competências parentais.

Gulbenkian Empregar

A iniciativa Gulbenkian Empregar pretende promover o reforço da segurança financeira e a melhoria das taxas e da qualidade do emprego entre os jovens de contextos socioeconómicos mais vulneráveis. 

Serão financiados projetos inovadores e com potencial de replicação, que promovam ou qualifiquem a empregabilidade de jovens entre os 16 e os 34 anos, que não estudam nem estão em formação, ou que se encontram desempregados ou em situações de emprego precário, pouco qualificado ou mal remunerado.

 

 

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