Residências Refúgio
“O projeto Residências Refúgio, a partir do programa PARTIS, conseguiu fazer um programa de residências artísticas e sociais em profundidade com um grupo reduzido de pessoas, para trabalhar a sua integração de uma forma holística”, explica Marta Silva, diretora artística. “Agora temos cinco artistas de diferentes áreas, que ficaram dois anos e ainda estão a viver neste centro cultural.”
Entre os residentes, histórias de deslocação e reconstrução ganham corpo através da arte. Abdul Wahid Khalilzad, oriundo do Afeganistão, descreve o impacto da experiência: “Os migrantes sentiam-se um pouco perdidos na vida que tinham aqui, porque desconheciam as leis, a cultura, o modo de vida da sociedade. Depois vieram para cá, comunicaram, aprenderam com artistas e fizeram muitas coisas”. E acrescenta: “Vi muitas coisas bonitas ao trabalhar com esta associação, coisas que nunca vi na vida, no Afeganistão.”
A diversidade artística é uma das forças do projeto. Entre os residentes há pintores, músicos, designers e criadores têxteis. Sónia Sousa, artista residente, fala com admiração de Alice Mundele, também residente no Largo: “Nem precisa de desenhar, ela vai para a máquina e faz peixes, flores e folhas, elementos do Congo.”
O trabalho é desenvolvido a partir do Largo Residências, sediado nos Jardins do Bombarda, em Lisboa, um espaço onde as fronteiras entre criação artística e intervenção social se esbatem. “O nosso trabalho é sempre ter um lugar onde, com diferentes projetos de diferentes linguagens artísticas, várias pessoas da comunidade, independentemente das suas origens e natureza, se encontram”, acrescenta Marta Silva. Para Rasul Ranjbar, artista residente iraniano, o sentimento é de estar em casa, com “uma grande família.”