“Habito o Mundo”: criar casa através da arte

Crianças e jovens refugiados e migrantes, de diferentes partes do mundo, encontraram no Norte de Portugal um novo espaço para crescer – e, através da arte, um novo lugar a que podem chamar casa. “Habito o Mundo” é um projeto PARTIS & Art for Change.
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23 jul 2025 2 min
PARTIS & Art for Change

“O projeto tem como beneficiários e participantes crianças e jovens migrantes e refugiados do Porto, de São João da Madeira e de Vila Verde”, explica Inês Granja, diretora social. Apoiado pela 2.ª edição da iniciativa PARTIS & Art for Change, “Habito o Mundo” aposta no desenvolvimento de competências artísticas e socioemocionais, e foca-se na cerâmica como meio de expressão e construção de identidade.

O ponto de partida é o conceito de “casa” – simbólica, afetiva, imaginada –, com o objetivo de despertar o sentimento de pertença entre quem chegou recentemente e ainda constrói o seu lugar neste novo território. “São crianças e jovens, como nós fomos, cada um com a sua sensibilidade, com um passado marcante e com um presente que queremos que esteja a ser trabalhado para que possam ter um futuro melhor”, sublinha Marta Terra, diretora artística.

Para Asmae Boussaidi, uma das jovens participantes que vive em Portugal há dois anos, o projeto foi mais do que uma simples atividade extracurricular. “Quando cheguei aqui, não sabia a língua e não conhecia ninguém. Eu disse que tinha de participar nalguma coisa para fazer amigos, aprender a língua e conversar com pessoas.”

Ao longo das sessões, as linguagens artísticas – da cerâmica ao graffiti – tornaram-se pontes entre experiências e culturas. Para Inês Granja, “as artes são uma ferramenta fundamental para o encontro intercultural”, uma vez que “permitiram perfeitamente expressar as emoções, partilhar experiências e conhecerem-se melhor”.

O mural que agora decora uma parede pública é o resultado de várias sessões de partilha e escuta ativa, como recorda o artista Godmess (Tiago Gomes): “Foi um processo que começou com sessões prévias, de brainstorming, de debate, de partilha e dessas sessões foram retiradas ideias, pensamentos e imagens”.

Para Inês Granja, o efeito mais surpreendente do projeto foi “a recetividade da comunidade, sobretudo, em Vila Verde”, que “tem vindo a gerar um movimento de acolhimento sincero e empático”. Além do mural de graffiti em espaço público, do projeto resulta também a apresentação de um livro e um painel cerâmico.

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Conheça os projetos artísticos apoiados pela Fundação Calouste Gulbenkian, em parceria com a Fundação ‘la Caixa’, que demonstram o papel cívico das artes e da cultura na construção de comunidades mais sustentáveis, coesas e justas.
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