RadioATIVIDADE: emissões de liberdade entre muros
O projeto RadioATIVIDADE envolveu a comunidade prisional feminina e masculina do Estabelecimento Prisional da Guarda na criação de episódios radiofónicos — oito por ano — transmitidos na Antena 2, e também dentro do próprio espaço prisional. “Na sequência deste projeto”, explica o diretor artístico, Nuno Leão, “surgiu da parte dos reclusos uma vontade, que foi a criação de uma rádio interna no próprio Estabelecimento Prisional”. Assim nasceu a Rádio Guarda-me, cujas emissões são ouvidas “através dos sistemas de altifalantes – no pátio, nos corredores”…
“A minha máxima é mostrar ao mundo lá fora que as pessoas aqui dentro continuam a ser humanas, continuam a sentir, têm criatividade e qualidades” explica Sérgio Barbosa, participante no projeto. Já Alice Tavares vê na sua participação um espaço de liberdade: “É um projeto que nos tira fora deste ambiente. Sentimo-nos livres, não nos sentimos presas.”
“De facto, a restante comunidade prisional começou a ouvir estas emissões e começou também a querer fazer parte dela” explica Nuno Leão. E, acrescenta, “acontece uma coisa extraordinária: eles passarem competências, ensinarem e aprenderem uns com os outros”.
Rui Cunha achava que não gostava de ler nem escrever, mas, quando deu conta, “já escrevia pequenas coisas num caderno, dentro da cela”. A primeira vez que conseguiu ler um livro do início ao fim foi o ano passado, com 32 anos.
Segundo Isabel Silva, responsável pela direção social do projeto, “Este tipo de intervenção vai-nos trazendo ideias, até de recomendação, da importância da continuidade deste tipo de projetos a nível nacional.”
Além da criação de objetos criativos em formato radiofónico, o RadioATIVIDADE culmina com uma conferência pública e a exibição de um documentário que acompanha o processo.