«Khtobtogone», de Sara Sadik
O trabalho de Sara Sadik (Bordéus, 1994) traz consigo narrativas contemporâneas sobre a vida nas cidades e nos seus subúrbios. Sobre uma cultura urbana e jovem que se desenvolve e que expressa vontades, desejos e reivindicações sociais e políticas de representação, acesso ao espaço público, e à expressão individual e coletiva da diversidade cultural e de identidades.
O título desta obra, Khtobtogone, é uma citação de um vídeo partilhado no Snapchat em 2019, numa discussão entre rappers franceses. A palavra vem do árabe, uma expressão usada para pedir «a mão de uma mulher, e inspira-se no que a artista chama de beurcore, a cultura jovem da classe trabalhadora da diáspora magrebina em França, nomeadamente da cidade de Marselha.
A obra conta uma história sobre o amor de um jovem, ZINE, entrelaçando amor romântico e amor fraternal, que se expressa na amizade pelos amigos e pela família. Explorando o universo dos videojogos, Sara Sadik desconstrói também estereótipos de género, numa reflexão sobre a masculinidade de jovens oriundos da imigração do norte de África e dos subúrbios franceses. Fala sobre corpos desumanizados e sobre diferentes formas de violência social, racial e política, e de como esta violência afeta as suas vidas e a sua saúde mental, bem como a maneira como se percecionam.
O corpo de trabalho da artista reúne vídeo, performance, instalação e fotografia para explorar as manifestações da beurcore. As suas referências abrangem música, linguagem, moda, redes sociais e ficção científica.
Estas narrativas, nas quais a artista aparece regularmente, documentam e analisam frequentemente os símbolos sociais e estéticos associados a esta cultura. Partindo de uma análise semiológica e sociológica da beurness, Sadik apropria-se desses estereótipos sociais, desconstruindo-os e reintegrando-os em ficções.