«Khtobtogone», de Sara Sadik

A curadora do CAM, Rita Fabiana apresenta a obra «Khtobtogone», de Sara Sadik, uma das recentes aquisições para a Coleção do CAM, refletindo sobre a presença da cultura jovem da diáspora magrebina em França no trabalho da artista.
Rita Fabiana 11 abr 2025 2 min
Obras da Coleção do CAM

O trabalho de Sara Sadik (Bordéus, 1994) traz consigo narrativas contemporâneas sobre a vida nas cidades e nos seus subúrbios. Sobre uma cultura urbana e jovem que se desenvolve e que expressa vontades, desejos e reivindicações sociais e políticas de representação, acesso ao espaço público, e à expressão individual e coletiva da diversidade cultural e de identidades.

O título desta obra, Khtobtogone, é uma citação de um vídeo partilhado no Snapchat em 2019, numa discussão entre rappers franceses. A palavra vem do árabe, uma expressão usada para pedir «a mão de uma mulher, e inspira-se no que a artista chama de beurcore, a cultura jovem da classe trabalhadora da diáspora magrebina em França, nomeadamente da cidade de Marselha.

A obra conta uma história sobre o amor de um jovem, ZINE, entrelaçando amor romântico e amor fraternal, que se expressa na amizade pelos amigos e pela família. Explorando o universo dos videojogos, Sara Sadik desconstrói também estereótipos de género, numa reflexão sobre a masculinidade de jovens oriundos da imigração do norte de África e dos subúrbios franceses. Fala sobre corpos desumanizados e sobre diferentes formas de violência social, racial e política, e de como esta violência afeta as suas vidas e a sua saúde mental, bem como a maneira como se percecionam.

 O corpo de trabalho da artista reúne vídeo, performance, instalação e fotografia para explorar as manifestações da beurcore. As suas referências abrangem música, linguagem, moda, redes sociais e ficção científica.

Estas narrativas, nas quais a artista aparece regularmente, documentam e analisam frequentemente os símbolos sociais e estéticos associados a esta cultura. Partindo de uma análise semiológica e sociológica da beurness, Sadik apropria-se desses estereótipos sociais, desconstruindo-os e reintegrando-os em ficções.

Série

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A Coleção do CAM reúne quase 12 000 obras de arte moderna e contemporânea. Descubra as aquisições mais recentes da coleção, as histórias que estavam por desvendar, os bastidores e os restauros, ou as narrativas escondidas no reverso das obras.
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