CAM em Movimento. Jaime Welsh

Programa «CAM em Movimento»

No âmbito do programa «CAM em Movimento», o artista Jaime Welsh (Lisboa, 1994) foi convidado pelo CAM e pela revista Contemporânea para criar um projeto fotográfico, pensando as páginas da revista como um espaço positivo. A série For Laura, composta por 3 fotografias, captadas na Fundação Gulbenkian, é a base para este projeto e foi publicada na sétima edição da revista Contemporânea, em dezembro 2021.

Em 2021, entre confinamentos e o definitivo encerramento do edifício do Centro de Arte Moderna (CAM) – para obras que visam reconfigurar a área expositiva e criar um novo jardim aberto ao público, num projeto do arquiteto Kengo Kuma (Japão, 1954) – o CAM iniciou um «programa fora de portas» intitulado «CAM em Movimento».  

Gerado num momento de transição e guiado pelo desejo de uma arte mais democrática e feita para as pessoas, este novo ciclo sustenta o seu modelo na espontaneidade, reunindo uma programação capaz de suscitar a curiosidade do público através da invasão da paisagem comum e da tentativa de disrupção do quotidiano na cidade. A partir de um exercício de experimentação e reflexão, pretende-se questionar criticamente a instituição, explorando o leque de possibilidades, papéis e funções a adotar no presente e no futuro, em contexto local, nacional e internacional.  

Para Benjamin Weil, novo diretor do CAM desde dezembro de 2020, estes são os elementos fundadores do programa. Nesse sentido, a instituição conseguiria cumprir os seus objetivos se durante o período do fecho conseguisse alargar a sua área de influência para lá do perímetro da Fundação Calouste Gulbenkian, procurando relacionar-se com outros públicos que, por uma ou outra razão, habitualmente se escusam a interagir com a arte (Conversa on-line: Alargar e diversificar geografias, nov. 2021).

Afinal, para o novo diretor do CAM, a obra do edifício oferece à instituição «uma oportunidade (…) [de] se reinventar e construir um futuro dinâmico, criar e estreitar laços de colaboração com outras áreas da Fundação, e explorar novos modos de se dar a conhecer e de atrair novos públicos» aproximando-os da arte contemporânea (Cruz, Expresso, 20 dez. 2020). Como admitiu numa entrevista dada aos jornalistas da RTP (15 out 2021), a instituição quis aproveitar a situação de exceção para «estender a mão aos visitantes», permitindo que a experiência da arte faça parte da vida quotidiana de todos».

Em outubro de 2021, o programa inaugural do «CAM em Movimento» incluiu várias iniciativas. A escultura de Miguel Palma (1694) Cemiterra-Geraterra (1991) viajou até Loures para ser instalada no Parque Quinta dos Remédios, na Bobadela. Os artistas Didier Fiúza Faustino (1968) e Fernanda Fragateiro (1962) intervieram no exterior das carruagens dos comboios da CP das linhas de Sintra e de Cascais, respetivamente. Vinte e quatro obras da Coleção do Centro de Arte Moderna viajaram até à Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, para a exposição «Coleção de Arte Britânica do CAM». O ilustrador António Jorge Gonçalves iniciou o projeto de desenho para os tapumes que circundavam o perímetro das obras do edifício do CAM, que viria a inaugurar em novembro. Um contentor de carga e transporte de mercadorias foi instalado no jardim da Fundação Calouste Gulbenkian, para servir de sala de projeção de vídeos da Coleção do CAM, ao qual, mais tarde, e até final de 2022, se juntariam outros contentores espalhados pela cidade para acolher novos projetos artísticos site-specific

Ainda no âmbito do programa inaugural, o artista Jaime Welsh (Lisboa, 1994) foi convidado pelo CAM e pela revista Contemporânea para criar um projeto fotográfico, pensando as páginas da revista como um espaço positivo. A série For Laura, composta por 3 fotografias, captadas na Fundação Gulbenkian, é a base para este projeto e foi publicada na sétima edição da revista Contemporânea, em dezembro 2021.  Esta edição foi dedicada à fotografia, ao seu caráter híbrido e ao seu papel no campo artístico. Nela refletiu-se sobre a problemática da fotografia como obra de arte, analisada por Walter Benjamin na década de 1930 e por Susan Sontag quatro décadas mais tarde e abordada por muitos artistas nas décadas de 1960 e 1970. Eduarda Neves foi a editora convidada deste número, no qual se reuniram importantes nomes da arte contemporânea.

Em janeiro de 2022, a Coleção do CAM integrou duas obras desta série, For Laura (slice) [Inv. 21FP754] e For Laura (velvet) [Inv. 21FP755], uma iniciativa divulgada publicamente pela revista Gerador (24 dezembro 2021) e no Público (21 dezembro 2021), que vem dar continuidade à estratégia anual de aquisição de obras de arte para a coleção do CAM, sendo uma das premissas de aquisição, a aposta em obras que tenham integrado exposições na Fundação.

Sobre esta série, e no contexto da exposição «For Laura» na Galeria da Madragoa, Francisca Portugal refere, na revista Umbigo, (15 dez. 2021) que «As fotografias altamente tratadas são o resultado da combinação de metodologias sobre uma realidade construída, dentro do alcance de uma máquina fotográfica. Com base na distorção, adição de máscaras e reflexos, o artista concentra-se na relação do elemento humano com o espaço interior. Este lugar limite, por detrás de um vidro, é habitado por um corpo que está à procura e ao mesmo tempo à espera. Evocando-se, assim, o sentimento da alienação psíquica. Esta sensação toma partido das características arquitetónicas, exacerbada pelos pontos de fuga nos cantos da sala, criando uma impressão geral de vertigem e de ilusão de ótica. Este desconforto latente e a dúvida que paira espelham-se de forma vincada na expressão facial e na postura da figura fotografada. O corpo está reto, contraído, a testa húmida e o sobrolho carregado com o olhar. Talvez o protagonista se foque no vazio, enclausurado na náusea de um espaço fechado, estéril e em silêncio.»

Para mais informações sobre estas obras consultar o artigo escrito por José de Oliveira, curador e investigador em História da Arte Contemporânea, publicado no website do Centro de Arte Moderna.

A promoção desta iniciativa foi realizada exclusivamente online nos periódicos Gerador (5 fevereiro 2022) e Lisboa para as Pessoas (18 fevereiro 2022), no contexto de uma divulgação mais ampla e geral, que incluiu outras iniciativas programadas para a mesma altura no âmbito do programa CAM em Movimento, nomeadamente a inauguração dos projetos dos contentores de Carlos Bunga e Rui Toscano.


Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Coleção Gulbenkian

For Laura (slice)

Jaime Welsh (1994)

For Laura (slice), Inv. 21FP754

For Laura (velvet)

Jaime Welsh (1994)

For Laura (velvet), Inv. 21FP755

For Laura (slice)

Jaime Welsh (1994)

For Laura (slice), Inv. 21FP754

For Laura (velvet)

Jaime Welsh (1994)

For Laura (velvet), Inv. 21FP755


Publicações


Material Gráfico


Documentação


Periódicos


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