CAM em Movimento. Coleção de Arte Britânica

Programa «CAM em Movimento»

A exposição reuniu na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, um núcleo representativo de artistas britânicos da coleção do CAM. Sob a curadoria de Catarina Alfaro e de Patrícia Rosas, foram selecionados trabalhos de pintura, desenho e gravura. O projeto resultou de uma parceria entre o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian e a Casa das Histórias Paula Rego.

A exposição «Coleção de Arte Britânica do CAM» resultou de uma parceria entre o Centro de Arte Moderna (CAM) da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) e a Fundação D. Luís I, organismo responsável pela programação do Bairro dos Museus de Cascais, que a Casa das Histórias Paula Rego integra, ao abrigo do protocolo estabelecido entre os herdeiros da artista e a Câmara Municipal de Cascais. Com curadoria de Catarina Alfaro, coordenadora de programação e conservação da Casa das Histórias, e de Patrícia Rosas, curadora da FCG, a exposição esteve patente na instituição (em Cascais), entre 7 de outubro de 2021 e 30 de janeiro de 2022.

Se, por um lado, a Casa das Histórias tem consolidado, como um dos eixos da sua programação, a apresentação de artistas e obras que, de algum modo, se interliguem com a vida e obra de Paula Rego (1935-2022), atribuindo para esse propósito a utilização da Sala 0 do seu edifício, o Centro de Arte Moderna definiu, durante o período de encerramento para obras de renovação e ampliação do seu edifício – de 2021 até 20 de setembro de 2024 –, uma programação fora de portas, designada como «CAM em Movimento». Entre as diversas iniciativas deste programa, no qual se procurou ocupar equipamentos e espaços públicos com obras da coleção ou com criações diversas de artistas convidados, a oportunidade de mostrar parte de um núcleo tão significativo de obras de arte quanto aquele que constitui a coleção de arte britânica do CAM afigurava-se como uma ocasião favorável.

Isabel Mota, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, no seu texto de apresentação no catálogo da exposição, salienta ainda a importância da apresentação destas obras do CAM na Casa das Histórias, relembrando as relações sólidas entre Paula Rego e a FCG ao longo do tempo – tema abordado no ensaio de Patrícia Rosas incluído no catálogo, intitulado «Ligadura. Relações e proximidades entre Paula Rego, a Fundação Calouste Gulbenkian e a Coleção de Arte Britânica do CAM» –, expressas sob a forma de atribuição de bolsas e subsídios, bem como da aquisição de obras à artista pela FCG, desde a década de 1960 até aos anos mais recentes – nomeadamente com a aquisição, em 2021, de duas obras importantes para a coleção do CAM, Angel [Anjo] (1998) (Inv. 21P1960) e Turkish Bath [O Banho Turco] (1960) (Inv. 21P1961 1-2). No seu texto, Isabel Mota faz ainda referência ao facto de esta exposição decorrer na mesma altura em que a Tate Britain, em Londres, apresentava a maior retrospetiva da obra de Paula Rego já realizada. Essa coincidência reflete não apenas um merecido reconhecimento da prática artística individual da artista, como também confirma o lugar singular que Paula Rego ocupa na historiografia de arte contemporânea e no contexto institucional britânicos. As ligações entre Paula Rego e a arte britânica são também evocadas nesta exposição, designadamente através da apresentação do núcleo de arte britânica do CAM.

Para esta iniciativa na Casa das Histórias, foram selecionadas 24 obras de 16 artistas britânicos da coleção do CAM, optando-se pela apresentação de pintura, desenho e gravura. A exposição apresentou obras datadas de 1956/57 a 1987, abrangendo uma amplitude cronológica significativa. Ocupando a totalidade da Sala 0, a mostra dividiu-se em dois núcleos cronológicos principais, que refletiam as direções da curadoria deste projecto.

Numa primeira instância, podiam ver-se representados artistas que, como Paula Rego, se encontravam em Londres a estudar e a produzir obras durante o fim dos anos 50 e os anos 60 do século XX, alguns dos quais fazem parte dos seis nomes que ficaram associados à chamada «Escola de Londres», como Michael Andrews (1928-1995), Frank Auerbach (1931-2024) e Leon Kossoff (1926-2019). A exposição incluía também obras de Frank Bowling (1934), Anthony Green (1939-2023), Peter Greenham (1909-1992), David Hockney (1937), Derek Boshier (1937-2024), Peter Blake (1932), Patrick Caulfield (1936-2005), Peter Phillips (1939) e Allen Jones (1937).

Numa segunda parte, a exposição apresentou algumas obras da década de 1980, que, embora já distantes do enquadramento cronológico anterior, ofereciam imaginários visuais de proximidade com o universo figurativo de Paula Rego. Destacavam-se, nesse conjunto, obras da autoria de Maggi Hambling (1945), Steven Campbell (1953-2007) e Peter Howson (1958), bem como uma obra de Victor Willing (1928-1988), datada de 1987.

O termo «Escola de Londres» terá sido utilizado pelo crítico de arte britânico David Sylvester em 1947, com o intuito de afirmar uma vanguarda da arte britânica face às práticas artísticas internacionais, sobretudo como contraponto à célebre Escola de Paris. Contudo, a designação «Escola de Londres» serviu menos para enquadrar histórica e criticamente as obras de pintores que trabalhavam a figuração, num regresso criativo à mesma (Francis Bacon, Lucian Freud, Michael Andrews, Frank Auerbach, R. B. Kitaj e Leon Kossoff), do que para operar um mecanismo de propaganda levado a cabo pelo British Council nas décadas de 1980 e 1990, com o objetivo de promover a arte britânica no contexto internacional. «O termo tem, porém, pouca consistência histórica, e a sua circunscrição àqueles nomes está, como explica Leonor Oliveira no catálogo, suficientemente desacreditado.» (Martins, Expresso, 7 nov. 2021) A própria heterogeneidade do corpo de obras de cada um dos artistas mencionados resiste a esse enquadramento e revela as suas limitações.

Ainda assim, uma reflexão sobre a Escola de Londres é trazida a esta exposição e ao respetivo catálogo pela investigadora Leonor Oliveira, que a analisa de modo detalhado (no texto intitulado «Os artistas portugueses e a Escola de Londres»), e pelas duas curadoras, no sentido de pensar o ambiente criativo frutífero que se vivia em Londres na época (do qual Paula Rego e outros artistas portugueses beneficiaram), e também de estabelecer relações com a própria obra de Paula Rego, na qual o campo da figuração ocupa um lugar central. Leonor Oliveira afirma mesmo que a ideia da Escola de Londres, numa revisitação crítica mais recente, «tem determinado a integração de Paula Rego na história de arte britânica contemporânea. A revisão recente da Escola de Londres tem promovido novas inclusões para além dos seus nomes canónicos» (Coleção de Arte Britânica do CAM, 2021, p. 17), merecendo, por esse motivo, uma menção cuidada neste contexto.

O facto de a coleção de arte britânica do CAM ter sido inicialmente formada no período entre 1959 e 1965, sob a influência de um conjunto de consultores do British Council, aponta sugestivamente para as relações de colaboração entre a FCG e o Reino Unido e sustenta, de algum modo, este eixo de referências da curadoria à Escola de Londres, à arte britânica produzida no pós-guerra – incluindo as manifestações mais pop presentes nesta exposição, com obras de Derek Boshier, Peter Phillips, Peter Blake, Patrick Caulfield e Allen Jones –, e aos contágios criativos produzidos materialmente numa altura em que as iniciativas de promoção da arte britânica se concretizavam também com o apoio da FCG. Veja-se, a título de exemplo, a referência contida no texto de Patrícia Rosas ao maior subsídio concedido pela FCG até à data (1966-68), para apoiar a construção de uma nova galeria da Tate Gallery dedicada a exposições temporárias (Ibid., p. 47).

A constituição da coleção britânica é um desígnio da FCG que ainda hoje se mantém e que se vai consolidando através de aquisições criteriosas – este núcleo da coleção é agora composto por 472 obras de 207 artistas –, embora a história da sua formação compreenda fases distintas ao longo dos anos, incluindo períodos em que a coleção britânica se manteve estagnada.

O início da constituição da coleção de arte britânica do CAM, entre 1959 e 1965, coincide com um período em que diversos artistas portugueses – jovens bolseiros da FCG – já haviam escolhido Londres para estudar, como João Cutileiro, Bartolomeu Cid dos Santos e Paula Rego. Essa sincronia, sobretudo no caso de Paula Rego, é tema do texto de Patrícia Rosas. Também Leonor Oliveira faz referência, no seu texto, a par de Paula Rego, aos artistas portugueses João Cutileiro, Bartolomeu Cid dos Santos e Eduardo Batarda, embora este último com uma passagem mais tardia. Na exposição, contudo, não foram apresentadas obras de Paula Rego em paralelo com as dos seus contemporâneos britânicos, nem se reuniu um núcleo de obras dos seus mencionados pares portugueses.

O ensaio de Catarina Alfaro, com o título «Paula Rego e a “Escola de Londres”: Distância e proximidade», reflete sobre a forma ambivalente como Paula Rego e a sua obra se relacionavam com as diversas rotulagens dessa época. «Se, por um lado, a artista portuguesa partilhava com eles ideias sobre a pintura figurativa incutidas através da sua formação académica na Slade School of Fine Art e o ambiente cultural vivido em Londres, o protagonismo de Victor Willing neste grupo, o carácter independente desses artistas e as suas propostas individualistas determinaram a sua auto-exclusão.» (Ibid., p. 29)

Catarina Alfaro propõe uma análise do binómio distância/proximidade que estrutura a relação de Paula Rego com a Escola de Londres, convocando aspetos sociais, institucionais e estéticos. Em primeiro lugar, assinala um distanciamento decorrente de uma sociedade na qual uma artista mulher ocupava um papel secundário – de figura de apoio ou de musa inspiradora –, aspeto que a própria Paula Rego mencionou e que Catarina Alfaro reforça, salientando até a importância de Victor Willing no meio artístico. Contrapõe-se a esta circunstância o destaque que a artista obteve com o primeiro prémio da Summer Composition Competition da Slade School, em 1954, bem como as suas diversas participações em exposições de grupo relevantes para o circuito das artes em Londres, no qual colheu boa receção crítica e ao qual desejava pertencer como artista autónoma e com estatuto igual. Alfaro dirá mesmo: «Paula Rego não foi, durante estas décadas em que iniciava o seu percurso artístico, marginalizada em termos de reconhecimento crítico, quer no seu país de origem, quer em Londres.» (Ibid., p. 32) Uma proximidade/distanciamento críticos e estéticos, materializados na especificidade da sua obra e na individualidade da sua pesquisa pictórica, são também mencionados: «[…] as qualidades físicas da pintura, a síntese que ela estabelece entre a abstração e a figuração revelam, tal como para outros artistas integrados na Escola de Londres e mais amplamente no Realismo Modernista, como Auerbach e Kossoff, a influência do artista francês Jean Dubuffet […].» (Ibid.)

Paula Rego aproxima-se, ainda que de modo muito particular e ao longo de um percurso com fases distintas entre si, das variadas tendências incluídas nesta mostra – e essas afinidades são particularmente interessantes. A liberdade na abordagem figurativa, «aparentemente caótica, serve a necessidade de expressar as suas emoções […] é o reflexo de uma necessidade de responder honestamente às exigências complexas da sua psique» (Ibid., p. 30), requerendo uma forma de atenção que pode, em potência, servir-se de qualquer elemento, sem restrições. Na voz da própria artista: «É do reconhecimento do valor simbólico que encontro que tiro partido para a construção. É um lançar e apoderar-me, mas sozinha. Nunca a interpretação vem de fora, encontro-a.» (Ibid., p. 33) Como afirma Fernando Pernes, que organizou a sua primeira mostra individual na Sociedade Nacional de Belas-Artes (SNBA) em Lisboa, «Paula Rego integra-se mas distingue-se» (Ibid.).

Por último, Paula Rego manifestou uma forte determinação quanto à ideia de formulações e organizações próprias da crítica e da historiografia de arte. Durante a preparação da mencionada exposição na SNBA, declarou a sua recusa de «qualquer identificação com um grupo artístico específico, precisamente devido à diversidade das suas fontes de inspiração, que estão distantes da pintura e próximas do quotidiano, como “a caricatura, notícias de jornal, acontecimentos de rua, provérbios, cantigas infantis, danças de roda, pesadelos, desejos, medos”» (Ibid.). Catarina Alfaro dá voz a Paula Rego no seu texto, numa afirmação que quase assume a forma de manifesto: «A situação artística de Londres não pode ser vista em termos de grupos rivais, de cidades, de nacionalidades, como se fosse o futebol, com teams e campeonatos internacionais. Talvez esta atitude seja o resultado de uma preguiça intelectual, de um desejo de simplificar as coisas. Para alguns jovens artistas é talvez um atalho para uma identidade já feita. As ideias não funcionam assim. Em Londres os artistas chamados pop ou op (ou hard-edge ou situation) estão ligados uns com os outros. Há uma constante inseminação de ideias de umas tendências para as outras, com mútuas brincadeiras visuais. A seriedade não abafou a exuberância, nem a atividade criadora foi atrofiada por invejas estéreis. Há mel para todos.» (Ibid., pp. 33-34)

Nesta exposição, procurou-se apresentar uma parte significativa e criteriosa da coleção de arte britânica do CAM para, como explica Patrícia Rosas, reunir «um grupo de peças bastante representativo das importantes aquisições dos anos 60» (Ibid., p. 48), lançando ainda questões em torno da ideia enunciada pelas duas curadoras no texto introdutório do catálogo. Como é justamente referido por Leonor Oliveira, «a representação de Paula Rego no discurso crítico sobre a Escola de Londres encontra-se descontextualizada cronologicamente em relação às práticas pictóricas e ao experimentalismo formal e narrativo que definiram essa Escola no pós-guerra e na qual a pintura desse período da artista portuguesa também se insere» (Ibid., p. 19). Importa, portanto, questionar/reposicionar as razões desse afastamento que, de algum modo, a constituição da Coleção do CAM parece naturalmente contrariar.

Talvez mereça referência, pesem embora os complexos constrangimentos inerentes à organização de exposições, o número reduzido de obras apresentadas face às 472 que compõem o núcleo do CAM, o que terá tornado, porventura, o exercício proposto menos concretizável e pouco conseguido. Essa é, aliás, uma das linhas de análise considerada por Celso Martins na sua crítica no Expresso, onde declara a exposição «quantitativamente pouco ambiciosa» (Martins, Expresso, 6 nov. 2021), e afirma: «Mostrar as relações de Paula Rego com a Escola de Londres a partir da coleção do CAM é um exercício que fica desde logo circunscrito pela ausência de Freud e Bacon da mesma […] perde-se talvez uma oportunidade de voltar a exibir um conjunto estilística e cronologicamente mais alargado da arte britânica que o núcleo do CAM sustenta perfeitamente.» (Ibid.)

Como já se referiu, foi publicado um catálogo bilingue (português e inglês) no âmbito da exposição, com textos de apresentação de Carlos Carreiras, presidente da Câmara Municipal de Cascais, Isabel Mota, à data presidente do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian, e das duas curadoras. O primeiro ensaio é assinado por Leonor Oliveira, «Os artistas portugueses e a Escola de Londres», no qual ficam registadas as ideias anteriormente referidas, incluindo uma menção aos artistas portugueses que estudaram na capital britânica neste período e à forma como se sentiram excluídos dos acontecimentos de maior relevância da época. Talvez o ponto mais pertinente do ensaio resida na denúncia da falta de um mapeamento exaustivo das movimentações migrantes de uma Londres cosmopolita, na qual o contágio de diversas influências terá sido fulcral – e permanece ainda largamente omitido dos registos historiográficos da arte. O texto termina com uma referência a Elena Crippa, curadora da já citada mostra de Paula Rego na Tate Britain e voz ativa numa revisão crítica cuidada da arte britânica.

Catarina Alfaro assina o segundo texto da publicação, «Paula Rego e a “Escola de Londres”: Distância e proximidade», no qual analisa esses movimentos contraditórios, definidos ora por uma certa integração, ora pela (auto)exclusão de Paula Rego em relação ao Grupo de Londres, ao Realismo Moderno e à Escola de Londres. Na sua abordagem, salienta-se a marginalidade estética e de caráter da artista, que refletirá mais a sua identidade e ação artísticas singulares do que uma efetiva ausência dos meios artísticos. Por fim, o texto de Patrícia Rosas, «Ligadura: Relações e proximidades entre Paula Rego, a Fundação Calouste Gulbenkian e a Coleção de Arte Britânica do CAM», descreve o apoio fundamental da FCG à prática artística de Paula Rego, destacando as sincronias entre a ação distributiva da FCG e as aquisições realizadas para o núcleo de arte britânica do CAM. O catálogo inclui ainda a lista das obras apresentadas, acompanhada de notas biográficas dos artistas representados na exposição.

Registaram-se pouco mais de uma dezena de menções à exposição nos media, sendo de destacar a já citada crítica de Celso Martins, no Expresso, com o título «Paula Rego e os britânicos. Primos e pares na Casa das Histórias». Ainda que o crítico indique alguns aspetos menos conseguidos da exposição, não deixa de ressalvar a qualidade das obras apresentadas, afirmando: «Duas razões são, no entanto, bastante válidas para uma deslocação a Cascais: a qualidade de algumas das obras e as sintonias estéticas que podemos encontrar com o heterodoxo caminho criativo da própria Paula Rego.»

A exposição registou 13 977 visitantes.

Vera Barreto, 2023


Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Coleção Gulbenkian

Parachutist No. 2

Allen Jones (1937-)

Parachutist No. 2, Inv. PE201

The Wedding

Anthony Green (1939-2023)

The Wedding, Inv. PE227

View Through my Window

Anthony Green (1939-2023)

View Through my Window, Inv. PE226

Figure in Helmet and Cloak

David Hockney (1937-2026)

Figure in Helmet and Cloak, Inv. DE21

Pigs escaping from a hot dog machine

David Hockney (1937-2026)

Pigs escaping from a hot dog machine, Inv. DE22

Renaissance Head

David Hockney (1937-2026)

Renaissance Head, Inv. PE216

So Ad Men Became Depth Men

Derek Boshier (1937-)

So Ad Men Became Depth Men, Inv. PE261

Head of E.O.W.

Frank Auerbach (1931-2024)

Head of E.O.W., Inv. DE1

A Mirror, Three Windows and a Door

Frank Bowling (1936-)

A Mirror, Three Windows and a Door, Inv. PE268

Beggar

Frank Bowling (1936-)

Beggar, Inv. PE269

Head of Seedo IV

Leon Kossoff (1926-2019)

Head of Seedo IV, Inv. DE20

Shop Window, Red Light District, Barcelona

Maggi Hambling (1945-)

Shop Window, Red Light District, Barcelona, 1985-86 / Inv. PE72

Nude

Michael Andrews (1928-1995)

Nude, Inv. PE266

The Family in the Garden

Michael Andrews (1928-1995)

The Family in the Garden, Inv. PE270

View of the Bay

Patrick Caulfield (1936-2005)

View of the Bay, Inv. PE250

Love Wall

Peter Blake (1932-)

Love Wall, Inv. PE128

Life Class at the Byam Shaw

Peter Greenham (1909-1992)

Life Class at the Byam Shaw, Inv. PE75

Field Mouse

Peter Howson (1958-)

Field Mouse, 1986 / Inv. GE416

Moth

Peter Howson (1958-)

Moth, 1986 / Inv. GE417

Stag

Peter Howson (1958-)

Stag, 1986 / Inv. GE415

For Men Only - Starring MM and BB

Peter Phillips (1939-2025)

For Men Only - Starring MM and BB, Inv. PE168

INsuperSET

Peter Phillips (1939-2025)

INsuperSET, Inv. PE167

English Landscape with a Disruptive Gene

Steven Campbell (1954-2007)

English Landscape with a Disruptive Gene, Inv. 87PE74

Española

Victor Willing (1928-1988)

Española, 1987 / Inv. 90PE275


Publicações


Material Gráfico


Fotografias


Multimédia


Documentação


Periódicos


Páginas Web


Fontes Arquivísticas

Arquivo Digital Gulbenkian, Lisboa

Conjunto de documentos referentes à exposição. Contém catálogo, pressbook, entre outros. 2021


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