Apresentação
Introdução
O catálogo digital da História das Exposições de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian é um projeto de estudo, digitalização, inventariação e divulgação da memória expositiva da Fundação Calouste Gulbenkian no campo artístico, dando a conhecer toda a programação desenvolvida entre os anos de 1957 e a atualidade. Trata-se de um projeto pioneiro em Portugal, e ímpar a nível internacional, que vem pôr à disposição do público o estudo sistemático de todas as exposições de arte organizadas pela Gulbenkian, exclusivamente ou em parceria, desde 1957, data da sua primeira grande iniciativa expositiva.
No momento do seu lançamento público, a 18 de maio de 2021, o arco temporal de 59 anos de exposições tratadas (1957 a 2016) dava a conhecer 1343 exposições – cujos processos de produção foram objeto de estudo por diferentes investigadores –, acompanhadas pelo levantamento e sistematização de cerca de 30 000 documentos associados (entre convites, cartazes, cartas, folhetos, catálogos, etc.) e de cerca de 20 000 entidades envolvidas (entre artistas, curadores, emprestadores e organizações parceiras).
A atualização desta História é feita no início de cada ano letivo, integrando o estudo das exposições realizadas dois anos antes. Assim, no início de 2025, foram acrescentadas ao catálogo as 18 exposições organizadas pela Gulbenkian em 2023, elevando a contagem mais recente para 1463 eventos expositivos (1957-2023).
Este é um valioso projeto de investigação científica, que implicou uma operação colossal de levantamento, recolha, reunião, normalização e sistematização de dados numa única plataforma digital – a base de dados INARTE – que de forma inovadora, passou a alimentar o presente website, numa versão especialmente adaptada pela equipa editorial com a colaboração da empresa externa Sistemas de Futuro, para responder às exigências técnicas e científicas deste desafio editorial. A integração da base de dados INARTE no novo website da FCG, e a respetiva estratégia de normalização e planificação desenvolvida pela equipa do projeto, marcaram um momento de viragem na estratégia digital de comunicação da Coleção Gulbenkian, que a partir de 2023/24 passou a apresentar novos canais digitais.
O presente website permite realizar centenas de pesquisas através do cruzamento dos diversos filtros de pesquisa e obter resultados até agora impossíveis de analisar e calcular. É possível, por exemplo, ter um conhecimento aprofundado da regularidade com que um artista ou uma determinada nacionalidade foram representados, ou da recorrência com que um tema ou tipologia foram abordados na história da Fundação. Será ainda possível conhecer os vários locais percorridos pela Fundação ao longo de seis décadas de atividade e explorar as interações que se estabeleceram com as cerca de 20 000 entidades registadas (artistas, curadores, colecionadores, parceiros institucionais, colaboradores, investigadores, entre outros).
Equipa
A concretização deste projeto – uma ideia de Helena de Freitas – teve início em 2014 e resulta de uma parceria estratégica entre a Fundação Calouste Gulbenkian e o Instituto de História da Arte (IHA), unidade da FCSH, Universidade NOVA de Lisboa, através do seu grupo de investigação em Museum Studies (MuSt), com o objetivo acrescido de participar no debate internacional sobre a História das Exposições, uma área de investigação em crescente desenvolvimento no âmbito da História da Arte e dos Estudos de Museus. Sob a direção-geral de Helena de Freitas (de 2014 a 2016) e de Leonor Nazaré (desde 2016), pela FCG, e de Raquel Henriques da Silva, pelo IHA (até 2020), este projeto de investigação desenvolvido para suporte digital teve a coordenação executiva e editorial de Matilde Corrêa Mendes, pela MODO M – Curadoria e Memória Digital, e a coordenação científica (investigação e produção associada) assegurada por um membro integrado do IHA, Leonor Oliveira (2014-15), Joana Baião (2015-16) e Isabel Falcão (até 2020, atualmente consultora científica). Ao longo dos oito anos de desenvolvimento, o projeto contou com a colaboração, em regime rotativo, de 22 investigadores (IHA/NOVA e FCG) e de 23 estudantes do 1.º e 2.º ciclos de diferentes instituições de ensino (NOVA FCSH, FBAUL e ESAD.CR/Politécnico de Leiria), a que se associaram dois internships do Programa Erasmus+.
O trabalho desenvolvido conta ainda com o apoio técnico de outros serviços da Fundação, designadamente os Arquivos Gulbenkian e Biblioteca de Arte, o Serviço de Marketing, Sistemas e Transformação Digital da Fundação, e ainda da Sistemas de Futuro (fornecedora da base de dados).
Fontes de investigação
As principais fontes de investigação são o riquíssimo espólio documental dos Arquivos Gulbenkian e os fundos bibliográficos e coleções da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian, que ofereceram documentação textual, fotográfica, sonora e audiovisual sobre o processo de programação, produção, montagem, apresentação, divulgação, educação e receção pública e crítica das exposições, a que se associaram materiais provenientes de outras instituições como a Biblioteca Nacional de Portugal, a RTP, o ANIM – Cinemateca Portuguesa e a Hemeroteca Municipal de Lisboa.
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Âmbito de estudo
De 1957 a 2016, o conceito de «exposição de arte» foi-se moldando às diferentes conjunturas culturais, o que se reflete nas várias tipologias contempladas. Foram estudadas todas as exposições de arte, considerando artes plásticas e visuais, artes decorativas, arquitetura ou arqueologia, mas também as exposições de artes etnográficas e exposições de cariz documental centradas em artistas, personalidades, questões da própria História de arte, ou diferentes formas de expressão artística, incluindo a literatura, a música, o cinema, a arquitetura, a dança, o teatro, etc.
O estudo de um percurso de seis décadas de atividade, realizado muitas vezes em parceria com instituições nacionais e internacionais de referência, foi orientado pelos critérios de diversidade temática, contextualização histórica e importância identitária da Fundação. Esta programou exposições com obras de inúmeras coleções públicas e privadas de todo o mundo, para além das suas próprias.
Por este motivo, desenvolveu-se o estudo de exposições organizadas pelos serviços da FCG especificamente dedicados à promoção de exposições de arte temporárias (de curta ou longa duração), tal como o Serviço de Belas-Artes, o Serviço de Exposições e Museografia, o Museu Calouste Gulbenkian ou o Centro de Arte Moderna, mas também exposições de arte organizadas pontualmente por outros serviços e produzidas em parceria com os serviços atrás referidos, como é o caso do Acarte, do Serviço Internacional e da Biblioteca de Arte.
Outros materiais
Este projeto disponibiliza uma versão em língua inglesa das sinopses de todas as exposições, assim como do texto descritivo de cerca de 250 exposições, selecionadas pela sua relevância nacional e internacional. Disponibiliza, ainda, um conjunto de 89 biografias de colaboradores da Fundação Calouste Gulbenkian com uma intervenção direta na programação; seis textos que fazem a história dos principais serviços da FCG que programaram exposições de arte; um conjunto de plantas dos espaços expositivos da Fundação Calouste Gulbenkian; e um ensaio crítico sobre todas as mostras da coleção do CAM, intitulado O Tempo no Espaço, da autoria de Leonor Nazaré, curadora do Centro de Arte Moderna da FCG.
Considerações finais
A FCG manifesta gratidão profunda por todos os que participaram no crescimento e aperfeiçoamento deste instrumento de trabalho, que é também um monumento à sua memória expositiva.