Maria Reis / Alexandre Estrela, Gabriel Ferrandini e Pedro Tavares – Ruin Marble

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Programa

Maria Reis

Voz essencial no bonito mosaico de canções que se tem vindo a compor por cá ao longo dos últimos anos, Maria Reis deu no ano passado um passo seguro e importantíssimo nessa mesma afirmação com a edição do seu primeiro álbum a solo — Chove Na Sala, Água Nos Olhos — após anos de militância ao lado da sua irmã Júlia com as Pega Monstro e umas primeiras canções onde se ia descolando das inclinações mais rock destas para um território onde a pop serve para curar maleitas e abençoar vivências.

Disco imaculado em sete canções que cravam memórias, assentes num lirismo tão real quanto alusivo, entregue a melodias que perduram entre a doçura e uma certa amargura que torna tudo mais tangível e vivido, Chove Na Sala, Água Nos Olhos é tão firmado na sua própria independência quanto comunal no chamamento. Apresenta-se aqui a solo e acompanhada por um trio de cordas, numa prova de que o real valor destas canções está apenas nelas mesmas.

 

Ficha técnica

Maria Reis – voz e guitarra elétrica
António Quintino – contrabaixo
Joana Correia – violoncelo
Catarina Marques – viola
Sara Graça – cenografia

 

‘Ruin Marble’ de Alexandre Estrela e Gabriel Ferrandini com Pedro Tavares 

Apresentação desta peça animada pelo baterista Gabriel Ferrandini, pelo prodígio da electrónica Pedro Tavares e pelo artista plástico Alexandre Estrela. Sobre ‘Ruin Marble’, este último escreve que se trata da “animação de uma paisagem numa lâmina de “pedra paesina” inscrita pelo fluxo líquido dos sais minerais, óxidos de ferro e magnésio. O som liberta desta pedra placas tectónicas expandindo e contraindo as camadas geológicas do tempo retido na pedra”. A pedra é a paisagem de fundo, cenário para a emanação de ondas sonoras cuja fiscalidade nos catapulta para um tempo primordial onde a ruína antecede o homem.

Três figuras com vivências e trajectos distintos, unidas sobre este signo, carregando consigo a sua carga técnica e maior ou menor historial. Ferrandini já com um currículo invejável, a tocar larga e abertamente com nomes vindos das mais diversas esferas – do jazz, primordialmente, mas também da improvisação livre, de formas mais líquidas de rock ou da electrónica – a chegar continuamente a um lugar muito seu, que em breve se materializa no seu primeiro álbum a solo. Disco que conta com a preciosa contribuição de Pedro Tavares, nome bem jovem e já seguro no meio bem saudável em que estamos no que diz respeito à electrónica produzida neste canto, quer a solo como funcionário, quer nos Império Pacífico. E por fim Alexandre Estrela que traz consigo toda uma experiência na abordagem da imagem enquanto matéria ressonante em trabalhos tão celebrados quanto idiossincráticos, que o tornaram num artista singular.

 

Ficha técnica

Alexandre Estrela: concepção visual
Borja Caro: programação e interatividade
Gabriel Ferrandini: concepção sonora, bateria amplificada
Pedro Tavares: Electrónicas


Maria Reis lançou o seu novo disco “Chove na Sala, Água nos Olhos”  na reta final de 2019. Sucede ao EP “Maria” de há dois Verões, na Cafetra, e a um percurso de sonho vivido nas Pega Monstro. Tem também colaborado com nomes como Sara Graça, Joana da Conceição, Gabriel Ferrandini, Miguel Abras ou Rudi Brito em concertos, apresentações artísticas multimediais, edição de música e de poesia. “Chove na Sala, Água nos Olhos” chega-nos maravilhoso, curto e direto, animado de dúvidas e sentenças que a sua experiência achou nas ações humanas, expressas em breves e elegantes canções. O sensato e o ridículo, as alegrias e as tristezas, as melodias e os ritmos, as costuras e os arranjos, muito nesta primorosa coleção da Maria nos mostra o seu dom de incidir sobre aquele núcleo permanente, atemporal da realidade humana. E daí decorre a sua identidade e admirável atualidade.

Alexandre Estrela O trabalho de Alexandre Estrela é uma investigação sobre a essência das imagens que se expande no espaço e no tempo através de diferentes suportes. Nos seus vídeos e instalações, examina as reações psicológicas do sujeito às imagens tendo em conta a sua interação com a matéria. Cada trabalho possui várias camadas às quais somos iniciados passo a passo. As suas obras não são feitas apenas para serem vistas, mas antes para serem desdobradas. Cada peça convoca experiências sinestésicas, ilusões sonoras e visuais, sensações aurais e cromáticas que funcionam como armadilhas para a perceção e encaminham o sujeito para os níveis conceptuais que propõem. Com esta estratégia, Alexandre Estrela problematiza constantemente os elementos que constituem o ato da perceção, segmentando a visão até poder atingir outras dimensões sensíveis rumo ao nunca-visto e ao nunca-ouvido.

Das suas exposições a solo destacam-se All and Everything, no Rufino Tamayo Museum, na Cidade do México, em 2020; Um Mês Acordado, com curadoria de Gerard Faggionato na Indipendenza, em Roma, 2019; All and Everything, Den Frie, em Copenhaga, 2019; Volta Grande, com a curadoria de Luiza Teixeira de Freitas, no Pivô, em São Paulo, 2019; Métal Hurlant com a curadoria de Ségio Mah na Fundação Gulbenkian, em Paris, 2019; Lua Cão (com João Maria Gusmão + Pedro Paiva), um projeto iniciado em 2017 pela Galeria ZDB em Lisboa, que viajou até ao Kunstverein München e terminou em Madrid, na La Casa​ ​Encendida, em Janeiro de 2019; Knife in the Water, na Travesía Cuatro, Madrid, 2018; Ouro Mouro, em 2018, no Quetzal Art Centre, Vidigueira, Portugal; Baklite, no CAV Centro de Artes Visuais, Coimbra, Portugal; Cápsulas de silêncio, em 2016, no contexto do programa Fisuras, no Museu Reina Sofia, em Madrid; Roda Lume, em 2016, no Museum of Contemporary Art of Antwerp, M​​HKA, Bélgica; Meio Concreto, em 2013, no Museu Serralves, no Porto; Um homem entre quatro paredes, em 2013, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, no Brasil; The Sunspot Circle, em 2013, na Flat Time House, Londres, Reino Unido; Viagem ao Meio, em 2010, na Galeria ZDB,​ ​em Lisboa, com a curadoria de Natxo Checa, entre outras.

O artista participou também em inúmeras exposições coletivas e em bienais como: Anozero – Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra, 2017, com a curadoria de Luíza Teixeira de​ ​Freitas; L’exposition d’un Rêve, 2017, na Fundação Gulbenkian em Paris, ACMI Melbourne e TATE​ ​Modern, um projeto de Mathieu Copeland; Hallucinations, Documenta 14, 2017, Atenas, um festival com a curadoria de Ben Russel, etc.­

Gabriel Ferrandini Baterista incansável e sempre pleno de ideias e visões para avançar a sua música, Gabriel Ferrandini tem vindo a construir um currículo excelso numa militância que passa pelo seu papel fulcral em bandas como o RED Trio ou o Rodrigo Amado Motion Trio e numa vasta rede de colaborações com grandes como Alexander Von Schlippenbach, Axel Dörner, Elias Bender Rønnenfelt, Evan Parker, Thurston Moore, John Butcher, Nate Wooley, Alex Zhang Hungtai ou Peter Evans. Demasiados nomes para serem aqui citados, num mosaico que passa pelo jazz, pela improvisação livre, por formas dinamitadas de rock e músicas sem nome próprio, num processo de exploração contínua, sempre fascinante e livre.

Com a composição já devidamente postulada no lindíssimo disco das Volúpias, onde trabalhou um formato clássico de bateria, saxofone e contrabaixo numa linguagem sem tempo mas muito sua, tem dado passos corajosos na sua afirmação a solo, terreno sempre arriscado e poucas vezes premente nos domínios da percussão. Descartando qualquer tipo de virtuosismo estéril, mesmo sabendo de antemão da sua técnica prodigiosa, Ferrandini alavanca a sua bateria e percussão até um estado de confluência abençoada entre o ritmo, a textura e a harmonia. Mais próxima de alguma música contemporânea ou electro-acústica do bem do que propriamente do jazz, embora carregando com ele essa ideia de liberdade e vida, a música solitária de Ferrandini explora e abre-se ao lirismo das peles, pratos e demais matéria através da amplificação, do processamento electrónica, da gestão do silêncio e do equilíbrio no fio da navalha entre a contenção e o fogo. Com momentos chave como a apresentação de 'Tudo Bumbo' ou a sua peça 'Rosa. Espinho. Dureza' a marcarem pontos nessa ascensão, Ferrandini prepara agora o lançamento de um álbum nascido dessa vontade. Retrato possível para a posteridade de uma faceta pessoalíssima conhecida nos palcos.

Pedro Tavares (n.1997, Setúbal, Portugal) é licenciado em Arte Multimédia na vertente Audiovisual com pós-graduação em Arte Sonora pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Une o visual com o som através do seu trabalho videográfico, assim como pelos seus diversos projetos musicais que integra: funcionário (a solo) e Império Pacífico (duo) - tendo como mote a expressão da vida quotidiana e de todas as suas facetas, não como uma narrativa contínua mas sim como ponte entre a memória e a imaginação que a interpreta. Cofundador do Coletivo Colinas e coorganizador do festival A Colina em Setúbal.


JARDIM DE VERÃO

Num ano em que o Jardim Gulbenkian é, mais do que nunca, um lugar de liberdade, e num tempo marcado pelos desafios à fruição artística, o Jardim de Verão apresenta-se com uma programação transdisciplinar e verdadeiramente eclética, a cargo da ZDB (Galeria Zé dos Bois).

Pensado para “salvaguardar um espaço inclusivo, mantendo uma atenção particular ao usufruto individual”, o programa parte das qualidades do Jardim para explorar vários caminhos que passam pela instalação, pela performance e pela música.

 

Conheça a programação

 

 

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