B Fachada / Julinho da Concertina

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Programa

B Fachada

Nome grande da canção portuguesa, a ombrear com os grandes escritores de canções de agora e de sempre, B Fachada tem já legado de tal modo respeitoso que tudo o que venha daqui em diante é praticamente uma bênção por tudo o que ficou para trás nas melodias e palavras que fazem já parte do cancioneiro português. Os vários discos homónimos, B Fachada É Pra Meninos ou Criôlo são registo de um caminho muito particular e focado, pouco dado a tendências mais momentâneas, profundo conhecedor do seu passado – Zeca, José Mário Branco ou Sérgio Godinho – mas sem reverências escusadas.

Sem registo discográfico desde o álbum homónimo de 2015, B Fachada reaparece aqui num período em que são relativamente esparsas as suas aparições. Algo de quem trata o seu ofício com o tempo e a atenção que este pede, sem pressões externas nem pressas. Com sorte, quem sabe se não nos revela algo daquilo em que tem andado envolvido mais ou menos secretamente ao longo destes cinco anos.

 

Julinho da Concertina

Verdadeiro mestre da concertina e figura muito querida e respeitada no seio do funaná (música tradicional de Cabo Verde de energia e dança), natural da ilha de Santiago e residente em Lisboa desde 1971, Julinho da Concertina seria uma espécie de mito não fosse tão real a sua presença e puras as suas intenções. Sempre acompanhado pelo seu instrumento faz mais de 50 anos, grande parte deles a ganhar toda uma popularidade e admiração enormes por entre o chamado circuito de “bailes de gaita” que vão acontecendo neste país por entre as comunidades PALOP, Julinho acarreta toda as vivências, durezas e alegrias para a sua música. 

Em 2018 lançou para o Mundo o essencial Diabo Tocador através da Celeste/Mariposa, dando a conhecer mais amplamente a sua música de vida, assente na tradição do ferro e da gaita e cheia de história(s), num acto de libertação, de festa, mesmo quando se cantam as realidades mais duras e sofridas das gentes. Puro.


B Fachada Escreve canções que dão mostras de ser recebidas como ciência social, mas o inverso também é verdadeiro. Tem muitos descendentes, mas é mais que a soma dos por si influenciados. Na música popular portuguesa do século XXI não há outra figura como B Fachada, o nome artístico de Bernardo Fachada, compositor, multi-instrumentista, produtor. Nascido em 1984, estudou música no Instituto Gregoriano de Lisboa e aprendeu piano. Mais tarde, frequentou a escola do Hot Clube de Portugal e, na Universidade, cursou Estudos Portugueses. Desde 2007 tem-se notabilizado por um espantoso, e até certo ponto impiedoso, ritmo de edições, através do qual frequentemente subverte o cânone e converte os dogmáticos, baralha as expetativas e expetora a maralha, coça rótulos, caça ruturas. Entre formatos físico e digital, lançou cinco EP (destacando-se o remoto “Viola Braguesa”, uma reflexão sobre o conceito da tradição e suas traições, ou o split com as Pega Monstro, de 2015, em reflexo da amizade e acuidade estética), três mini álbuns charneira (“Há Festa na Moradia”, que teve edição física em vinil, “Deus, Pátria e Família”, que aparentou parar o país, e “O Fim”, com que anunciou uma pausa sabática) e seis registos de longa-duração (da discussão das questões de moral associadas ao universo infanto-juvenil de “B Fachada é Pra Meninos” e do manifesto de pop batumada que foi “Criôlo” até ao homónimo de 2014, criado com recurso a samples burilados, programações barrocas, batidas apátridas). O seu impacto conjunto testa os limites daquilo que, neste domínio, se entende por produção cultural.

Entre 2009 e 2012, fez também parte da banda Diabo na Cruz, com a qual percorreu o país de lés a lés. Ainda em início de carreira, o realizador Tiago Pereira dedicou-lhe o documentário “Tradição Oral Contemporânea”. Com Minta e João Correia lançou uma versão integral do álbum “Os Sobreviventes”, de Sérgio Godinho, com quem já atuou ao vivo. Dividiu igualmente palcos com Dead Combo, Lula Pena, Manel Cruz, Manuela Azevedo, Márcia, Norberto Lobo, Nuno Prata ou Samuel Úria. Fez primeiras partes para Kurt Vile e Vashti Bunyan. Tocou ocasionalmente fora de portas, em Berlim, Barcelona ou Praga, mas nunca foi ao Brasil, onde possui uma dedicada legião de fãs. Apresentou-se nas mais emblemáticas salas de espetáculo portuguesas, mas muitos recordam com mais carinho as atuações divulgadas em cima da hora, em inesperados espaços que continuamente esgotam. E além de se ler tudo o que sobre a sua carreira foi escrito – num dossiê de imprensa sem paralelo entre os seus pares – ou de se testemunhar o ato de comunhão em que se transformaram os seus concertos, basta seguir as sedes virtuais em que opera para se compreender tratar-se de um autor tão ouvido quanto vivido. Talvez por isso se diga que a sua obra é indistinguível de quem a consome. Ou que biografia e alegoria são inseparáveis na sua contundente escrita. Mas, se perto de uma década de atividade artística profissional independente sugere alguma coisa é a de que, como poucos, Fachada está interessado em questionar convenções no seu próprio tom, no seu próprio tempo, nos seus próprios termos. bfachada.bandcamp.com

Julinho da Concertina É simplesmente um dos maiores da história do Funaná. É uma figura que se impõe por direito próprio, conhecido de todos os Cabo-Verdianos. Natural da ilha de Santiago e a viver na Damaia, Grande Lisboa, desde 1971, tem mantido um trajeto sólido em festivais Internacionais ao longo de toda a carreira. Os concertos do Julinho da Concertina são uma explosão que, de tão grande, é difícil descrever. Traz a cultura de Funaná em modo puro, com aquele sentimento de liberdade eufórica que nos tempos coloniais apenas se podia sentir ao fim do dia e fugindo aos ouvidos da Polícia. O Funaná nasceu e permaneceu como desafio à autoridade, à submissão. Julinho é um libertário natural, é a imagem de um conceito impossível: liberdade absoluta.


JARDIM DE VERÃO

Num ano em que o Jardim Gulbenkian é, mais do que nunca, um lugar de liberdade, e num tempo marcado pelos desafios à fruição artística, o Jardim de Verão apresenta-se com uma programação transdisciplinar e verdadeiramente eclética, a cargo da ZDB (Galeria Zé dos Bois).

Pensado para “salvaguardar um espaço inclusivo, mantendo uma atenção particular ao usufruto individual”, o programa parte das qualidades do Jardim para explorar vários caminhos que passam pela instalação, pela performance e pela música.

 

Conheça a programação

 

 

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