Luís Severo / Selma Uamusse

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Programa

Luís Severo

Escritor de canções seguro do nosso burgo, Luís Severo tem doseado o seu percurso com a calma dos dias de quem não procura singrar à força mas antes edificar um repertório para a posteridade. Uma carreira já longe das gravações arcaicas enquanto Cão da Morte e ainda com um longo caminho em aberto, que arrancou em nome próprio com Cara d’Anjo em 2015, foi continuada com um álbum homónimo em 2017 e teve terceiro tomo no ano transacto com O Sol Voltou, lançado no imediato e sem anúncio prévio.

Apontando novas roupagens a uma escrita já por si muito sua, O Sol Voltou acolheu a eletrónica no seio acústico das canções, num limbo sempre harmonioso em que a melodia ecoava o título do álbum, melancolia estival e tudo o mais. Rapaz de uma voz firme e doce e prodigioso nos arranjos, Severo apresenta agora uma nova formação da sua banda, onde aos habituais cúmplices Diogo Rodrigues e Bernardo Álvares se junta agora Catarina Branco. Oportunidade de a testemunhar em primeira mão.

 

Selma Uamusse

Cantora moçambicana a residir há largos anos em Portugal, Selma Uamusse acumula já uma longa experiência em projetos tão meritórios quanto distintos que passam pelos Wray Gunn, Cacique 97, Rodrigo Leão, Souldivers, Selma Uamusse Nu Jazz Ensemble e uma rede de colaborações vasta que se estende da música para o cinema, o teatro ou as artes visuais. Em nome próprio, lançou em 2018 o álbum Mati, onde explorou um encontro orgânico entre as suas raízes moçambicanas, refletidas nas letras, nos ritmos e na instrumentação tradicional, a música eletrónica e toda uma série de influências amealhadas ao longo de anos de prática e escuta.

Uma identidade muito própria, conhecedora do passado mas a imaginar o futuro, que vai ter agora sequência com a edição que está para breve de Liwoningo  – que significa “luz” em chope, uma língua tradicional de Moçambique – produzido por Guilherme Kastrup – responsável pelo som em discos de Elza Soares – e que expande toda esse esfera de influência numa música panglobal muito honesta e é aqui, no Anfiteatro ao Ar Livre, apresentado oficialmente e em estreia.


Luís Severo Com apenas dois LP’s editados — o independente e bem recebido “Cara d’Anjo” (2015, Gentle Records) e o aclamado “Luís Severo” (2017, Cuca Monga/Sony Music) — Luís Severo era já um dos cantautores de canções mais consensuais da sua geração. Desde a edição do disco homónimo na primavera de 2017 percorreu Portugal sozinho até ao verão de 2018, no qual passou pelos principais festivais em formato banda. Em Maio de 2019 lançou integralmente e sem qualquer aviso “O Sol Voltou”, outra vez pela Cuca Monga, em parceria com a Sony Music. O terceiro disco chegou com o choque concordante entre o acústico e o eletrónico, contendas conciliantes líricas e pleno de contrastes imagéticos, fazendo Luís Severo afastar-se do que já por si foi feito sem nunca perder o centro que o particulariza. Depois de quase um ano a apresentar “O Sol Voltou” com um formato arrojadamente solitário, Luís Severo volta a reunir a banda — Diogo Rodrigues, Bernardo Álvares e Catarina Branco (que substitui Manuel Palha) — dando às suas músicas uma textura mais próxima das que tão aprimoradamente produz em estúdio. 

Selma Uamusse é uma cantora moçambicana nascida em 1981 a viver em Portugal desde 1988. Canta profissionalmente desde adolescente tendo um percurso bastante diversificado na música. A sua versatilidade, o seu poderoso instrumento vocal e a sua genialidade performativa levaram-na a brilhar desde o rock (WrayGunn) ao afrobeat (Cacique’97), passando pelo gospel Gospel Collective, Gospel Sisters), pela soul e pelo jazz (Rodrigo Leão, tributos a Nina Simone e Miriam Makeba), enriquecendo o seu percurso com diferentes linguagens, sempre consciente do poder transformador social e político de música.

Estudou no Hot Clube de Portugal e criou, em nome próprio, os projectos Souldivers, Selma Uamusse Nu Jazz Ensemble e Tributo a Nina Simone, onde colaborou com Ana Bacalhau, Rita Redshoes, Marcia,The Legendary Tigerman, Luisa Sobral, Elisa Rodrigues, Gospel Collective, entre outros. Participou em discos e espetáculos de diversos artistas como Samuel Úria, Medeiros/Lucas, You Cant Win Charlie Brown, Joana Barra Vaz, Moullinex, Orquestra Todos, entre outros. No último ano, emprestou também o corpo e voz a projetos de teatro (“Ruínas” com encenação de António Pires e “Passa-Porte” de André Amálio), cinema (“Cabaret Maxime” de Bruno Almeida e “Fogo” de Pedro Costa) e nas artes visuais (instalação de Angela Ferreira).

Em nome próprio, Selma Uamusse explora as raízes do seu país de origem, usando ritmos moçambicanos e letras em línguas nativas, com a utilização de instrumentos tradicionais como timbila e mbira, combinando tudo com eletrónica e com outras referências que espelham as suas diversas influências.

O seu álbum de estreia, “Mati”, que significa "água" em Changana (uma das três línguas mais faladas em Moçambique), editado em 2018 pela Ao Sul do Mundo e distribuído pela Sony Music, foi amplamente elogiado pela crítica nacional, tendo sido apresentado em diversos e prestigiados palcos nacionais e internacionais, num tour com mais de 60 concertos, como são exemplo, o Rock in Rio (Portugal), Vodafone Mexefest (Portugal), FMM Sines (Portugal), Festival MED (Portugal), MiMO Amarante (Portugal), MaMA Paris (França), MMM Maputo (Moçambique), MIL Lisboa (Portugal), SIM São Paulo (Brasil), Festival Back2black Rio de Janeiro (Brasil), Siesta Festival Gdansk (Polônia), Centro Galego de Arte Contemporânea Santiago de Compostela (Espanha), NY SummerStage no Central Park (EUA), Festival Crespo no Circo Voador (Brasil), Festival Atlantico em Philharmonie (Luxemburgo) e Akropolis Palace em Praga (República Tcheca).

Se há um encontro musical de Selma com Moçambique no seu primeiro disco, há igualmente um encontro espiritual com o continente africano. O primeiro disco de Selma Uamusse, produzido pelas mãos preciosas de Jori Collignon (dos Skip & Die), ouve-se como duas viagens simultâneas – uma geográfica, uma visita a Moçambique, onde a cantora se abastece de sons e partilha a sua identidade; e uma interior, num mapa espiritual que se vai descobrindo à medida que a música se infiltra em quem ouve. Em cada segundo, este aguardado disco de estreia de Selma produz um efeito hipnótico, entalando-nos entre passado e futuro, pertencendo ao ancestral e ao desbravador, criando uma música que não tem nome possível. Ou talvez tenha. Talvez se chame simplesmente Selma Uamusse.

Selma Uamusse prepara-se para lançar, em 2020, o seu segundo disco em nome próprio, “Liwoningo” (que significa luz em Chope, uma língua tradicional de Moçambique). Produzido por Guilherme Kastrup, produtor premiado com um Grammy pelos álbuns “A Mulher do Fim do Mundo” e “Deus é mulher” da aclamada e também premiada Elza Soares, este é um disco que acentua o património imaterial Africano, de Moçambique, uma africanidade que continua a inspirar letras e melodias, mas que se mistura por esse mundo fora em temas e arranjos, uns mais próximos da tradição do folclore, outros que vagueiam entre o eletrónico, o rock, o afro-beat e o experimental, mantendo sempre como lugar comum a potência do ritmo, da língua ou das sonoridades africanas, abrindo espaço para outras influências, da música portuguesa e Brasileira.

“Liwoningo” conta com as incríveis participações da banda brasileira Bixiga 70, dos artistas moçambicanos Chenny Wa Gune, Milton Guli e Lenna Bahule e do Korista Mbye Ebrima da Gâmbia.


JARDIM DE VERÃO

Num ano em que o Jardim Gulbenkian é, mais do que nunca, um lugar de liberdade, e num tempo marcado pelos desafios à fruição artística, o Jardim de Verão apresenta-se com uma programação transdisciplinar e verdadeiramente eclética, a cargo da ZDB (Galeria Zé dos Bois).

Pensado para “salvaguardar um espaço inclusivo, mantendo uma atenção particular ao usufruto individual”, o programa parte das qualidades do Jardim para explorar vários caminhos que passam pela instalação, pela performance e pela música.

 

Conheça a programação

 

 

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