Marco Franco com Joana Gama e Tiago Sousa / CALHAU! com a participação de Vasco Alves

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Programa

Marco Franco com Joana Gama e Tiago Sousa

Segunda atuação deste trio, surgido em 2018 como uma continuação do trabalho de composição de Marco Franco, anteriormente registado a solo no álbum Mudra, onde revelou todo o seu lirismo ao piano, em temas de beleza suspensa na órbita de Satie ou Debussy mas com cunho próprio. Triângulo de respeito alinhado entre o piano de Franco, a celesta de Joana Gama e o harmónio de Tiago Sousa, ganha agora uma muito aguardada sequência, aprofundando esse carácter de composição, cada vez mais claro e desafiante numa trindade de instrumentos muito particulares e poucas vezes em diálogo. 

Três compositores valorosos do nosso panorama, de linguagem muito pessoal e currículo excelso, quer a solo, quer em colaborações, numa espécie de triangulação de sonho harmónica e tímbrica das possibilidades de três teclados distintos no som, na abordagem e na forma, conduzindo com graça, saber e intuição estes sons tangentes a uma música planante e contemplativa.

 

CALHAU! com a participação de Vasco Alves

É sob o signo de (Von) Calhau! que Marta Ângela e João Alves encontraram um meio de expressão somente seu. Há já mais de uma década que têm vindo a destilar a realidade e o que para existe para lá dela, num contínuo projecto artístico que é afinal a sua vida. Exploram, como poucos, as delimitações linguísticas, sejam orais ou sonoras, oriundas do imaginário popular ou de narrativas sci-fi. Sejam entre quatro paredes de uma galeria ou em cima de um palco. O corrente fluxo de actividade do duo leva-nos agora a um exoplaneta chamado TAU TAU. Um novo disco na coleção de gravações sonoras da nave Calhau! Conta com a participação de Vasco Alves – que também participará nesta apresentação ao vivo e cujo trabalho assenta na exploração da materialidade do som através de eletrónicas instáveis, com a gaita de fole no centro da prática, explorando os limites físicos do instrumento e o seu consequente impacto espacial.

TAU TAU é um delírio eletrónico em que a voz de Marta assume várias morfologias por entre as esculturas avariadas de João num conjunto de narrativas inefáveis. Quem os viu antes sabe que cada concerto é um instante ímpar, de impossível replicação. Estar a escutar e a entranhar estas lições, exercícios e rituais, pela primeira vez, é uma oferenda sem recusa.

 

Ficha técnica

Marta Von Calhau – Voz / Paua
João Von Calhau – Aparelhos electrónicos
Vasco Alves – Gaita de Fole


Marco Franco (1972, Lisboa) é músico compositor e artista visual autodidata. Iniciou o percurso musical no ano 1986, com passagens pelo rock e pelo jazz, colaborando e gravando como percussionista em múltiplos projetos. Entre 2006/2011 gravou dois álbuns do seu grupo Mikado Lab e, em 2017, editou “Mudra” para solo de piano. Colaborou e criou música para teatro, dança e cinema.

Joana Gama (1983, Braga) é uma pianista portuguesa que se desdobra em múltiplos projetos, quer a solo, quer em colaborações, nas áreas do cinema, da dança, do teatro, da fotografia e da música. Em 2017 defendeu a tese de doutoramento “Estudos Interpretativos sobre música portuguesa contemporânea para piano: o caso particular da música evocativa de elementos culturais portugueses” na Universidade de Évora, como bolseira da FCT.

Desde 2013, tem um duo de piano eletrónica com Luís Fernandes, com quem editou QUEST (2014), HARMONIES (2016, com Ricardo Jacinto), at the still point of the turning world (2018, com Orquestra de Guimarães). Em Abril de 2019 estrearam, no Teatro Municipal do Porto, uma nova colaboração, desta vez com o Drumming GP. Em 2016, com o apoio da Antena 2, Joana Gama dedicou-se a SATIE.150, uma celebração em forma de guarda-chuva que assinalou, em Portugal, os 150 anos do nascimento do compositor francês Erik Satie. O corolário das celebrações SATIE.150 aconteceu no final de 2017 com o lançamento do disco SATIE.150 - edição apoiada pela Fundação GDA, com o selo da Pianola Editores - e um novo capítulo do seu trabalho: I LOVE SATIE, recital a solo, e “Eu gosto muito do Senhor Satie”, recital comentado para crianças. Em 2019 lançou o album “Travels in my homeland” pela Grand Piano e, com base nesse repertório, começou uma colaboração com as Sopa de Pedra.

Tiago Sousa Mestre de uma linguagem sonora única e crescente, a sua história já possui vários capítulos e encarnações. Seguimos os seus passos pelo limiar do rock, acompanhámos a influência do seu trabalho na editora Merzbau e assistimos ao espetacular desfecho, onde o piano é o coração de um corpo em constante evolução. Habituámo-nos a uma procura criativa e até pessoal no caminho para o desconhecido, que frequentemente nos oferece momentos de descoberta e partilha. Desde o já longínquo ano de 2006, o processo está enraizado em quase uma dúzia de discos a solo ou envolvendo colaborações inspiradoras.

O que faz de Tiago Sousa um caso isolado na abordagem a este instrumento é o seu desprendimento natural a estilos e expectativas. Diversificado demais para os cânones da escola clássica, nele ouvimos elementos jazzísticos difusos, referências reunidas na antiga filosofia oriental e uma infinidade de mundos entrelaçados. Embora íntima, a subtileza e a magnitude da implosão emocional de suas peças não têm outro habitat além da universalidade. É portanto um género musical genuinamente livre e libertador na sua dimensão mais ampla, revelando um véu onírico que elogia o palco telúrico com orgulho. É o aprofundamento e a rendição em nós em direção à realidade que fazem dele um virtuoso na capacidade de enumerar os silêncios e suas vantagens enquanto partitura na composição. Por fim, a sua consciência sociopolítica faz dele um artista ativo discreto mas assertivo, cuja obra «Coro das Vontades» (apresentado em 2012, no Teatro Maria Matos e editado este ano em CD) é, sem dúvida, a sua maior realização. Com uma mão coberta de terra e a outra de sangue, os dedos de Tiago Sousa encontram cada tecla, cada nota e cada imagem numa uma paisagem, dando provavelmente origem a um novo mundo.

Em «Samsara», Sousa cristalizou ideias e concebeu um dos mais intensos registos que emergiram na cena portuguesa nos últimos anos. Tão simples quanto isso. Com «Um Piano nas Barricadas», ele traz-nos novos e promissores horizontes, elevando-se através da riqueza de uma diversidade instrumental. Aqui podemos encontrar a melodia do clarinete, o ritmo da percussão, o calor da guitarra clássica ou o universo onírico da harpa.

A sensibilidade em conectar esses pontos retém o inesperado e o revelador. Sim, tudo começa no piano mas, a partir daí, nasce uma viagem surpreendente para o ouvinte. O resultado está fora daquilo a que nos acostumámos no seu trabalho. E neste momento nada poderia fazer mais sentido na carreira de alguém que já nos ofereceu um legado tão requintado.

Von Calhau! nasce em 2006, no Porto. É a designação do corpo de trabalho desenvolvido em comunhão por Marta Ângela e João Artur, nas formas irre e reconhecíveis de música, texto, artes visuais, performance, entre outras. Das últimas apresentações destacam-se Oximoroboro e Volta Subicida na Culturgest Lisboa em 2015; em 2016 Rotornariz na Galeria Pedro Alfacinha, ano em que editaram Ú (Kraak), disco apresentado em locais como Cafe Oto, De Player ou no Festival LAFMS Uncanny Valley; em 2017 apresentam a performance Tau-Tau, na BoCA bienal, reapresentada em São Paulo no Festival Videobrasil; em 2018 apresentam a exposição/performance Phantom Blot Back to Attack na Kunstraum em Londres e a performance O Praner de Urizar no Museu de Serralves; entre Fevereiro e Maio de 2019 são artistas na Residency Unlimited, Nova York (bolsa Atelier-Museu Júlio Pomar); em Fevereiro de 2020 inauguram a exposição Unharias Ratóricas no MAAT, Lisboa (patente até Agosto do mesmo ano).

Vasco Alves Trabalho assente na exploração da materialidade do som através de eletrónicas instáveis, síntese sonora e sistemas de amplificação. Processos de natureza bastante volátil pelo que, na sua apresentação, estão sujeitos a rigorosos métodos de intervenção. Com a gaita de fole, a prática centra-se no desenvolvimento de peças que exploram os limites físicos do instrumento e o seu consequente impacto espacial. Apresentações que podem ser totalmente acústicas ou em oposição a áudio gerado eletronicamente e que abordam a improvisação, repetição e psico-acústica. 


JARDIM DE VERÃO

Num ano em que o Jardim Gulbenkian é, mais do que nunca, um lugar de liberdade, e num tempo marcado pelos desafios à fruição artística, o Jardim de Verão apresenta-se com uma programação transdisciplinar e verdadeiramente eclética, a cargo da ZDB (Galeria Zé dos Bois).

Pensado para “salvaguardar um espaço inclusivo, mantendo uma atenção particular ao usufruto individual”, o programa parte das qualidades do Jardim para explorar vários caminhos que passam pela instalação, pela performance e pela música.

 

Conheça a programação

 

 

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