Cinema e pós-memórias

Conversa com Amalia Escriva, Olivier Hadouchi, Silas Tiny e Ariel de Bigault

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Várias décadas após as independências africanas, as memórias e pós-memórias pessoais, familiares e coletivas das colonizações, das lutas e das tragédias, inspiram obras de artistas e cineastas africanos e afrodescendentes de diferentes gerações. Com formatos, narrativas e tratamentos extremamente diversos, as suas criações visuais e audiovisuais refletem culturas, heranças e convivialidades híbridas. Quebrando camadas comunitárias ou nacionais de silêncio, estas obras são tecidas de laços entre os dois continentes. Quais são as diversas perspetivas desenhadas por essas singulares propostas artísticas e como é que estas contribuem para as interrogações que atravessam as nossas sociedades? Para a criação de valores e utopias de hoje e amanhã?

Estas são questões que serão abordadas no encontro entre Amalia Escriva, Olivier Hadouchi, Silas Tiny e Ariel de Bigault, a par de um ciclo de cinema que terá lugar no Anfiteatro ao Ar Livre, no decorrer de três fins-de-semana, a que demos o título Cinemas e Independência. Ambas as iniciativas estão integradas no âmbito da exposição Europa Oxalá.


BIOGRAFIAS

Amalia Escriva é diplomada pela École nationale supérieure d'arts de Paris Cergy e pela École nationale Supérieure des arts décoratifs, na área de vídeo, tendo prosseguido os seus estudos na Fondation Européenne des Métiers de l'Image et du son (F.E.M.I.S.), no departamento de produção. Foi cineasta residente na Villa Medici (Roma) em 1995 e membro da Casa de Vélasquez, Académie de France, em Madrid, em 1999.

Realizou filmes de arte e de sociedade, retratos e outros, mais pessoais, em torno da sua herança argelina. Os seus filmes foram transmitidos pela R.T.B.F., Arte, France 5, France 3, France 2. A sua longa-metragem de ficção Avec tout mon amour, estreou nos cinemas em 2001.

Atualmente, é membro da Comissão Audiovisual da SCAM (sociedade de autores) e integra o seu Conselho de Administração, prosseguindo igualmente o seu trabalho como documentarista.

Ariel de Bigault, autora e realizadora francesa, realizou os seus primeiros documentários em Portugal. Seguiram-se retratos de grandes artistas afro-brasileiros, como Gilberto Gil e Grande Othelo, (Éclats Noirs du Samba, 4 x 52'. 1987).

Afro Lisboa (1996) e Margem Atlântica (2006) partem ao encontro de africanos, jovens ou não, que constroem em Lisboa o seu espaço e a sua identidade. Canta Angola (2000) celebra a música popular em Angola, na época ainda dilacerada pelos conflitos. A autora contribuiu ainda para a divulgação das músicas lusófonas, especialmente de Cabo Verde e de Angola, com diversos discos, nomeadamente as coletâneas Anthologie des Musiques du Cap Vert (1958-1992) e Angola 1956-1998. Fantasmas do Império (2020), a sua última longa metragem, explora o imaginário colonial no cinema português desde o início do século XX (100 anos de cinema). Às imagens e narrativas que sustentam o enredo imperialista, contrapõem-se filmes e olhares de cineastas de várias gerações, assim como pontos de vista de pesquisadores e testemunhas.

Olivier Hadouchi é curador de Cinema e investigador independente em Paris, onde vive e trabalha. Doutorado em Estudos de Cinema, tem publicado artigos em livros coletivos e revistas como Third Text ou CinémAction.

Internacionalismo, Não-Alinhamento, Terceiro Cinema e Cinema Tricontinental, as vozes e as imagens do Sul Global, os protestos e os ecos de 1968 – eis alguns dos temas abordados pela sua escrita e nas palestras que tem proferido em cidades como Argel, Liubliana, Belgrado, Zagreb, Tanger, Santiago do Chile, Bugia, Madrid, Beirut, Lisboa, Praga e Porto.

Além disso, realizou e publicou múltiplas entrevistas (com Fernando Solanas, Jocelyne Saab, Heiny Srour, Ruy Guera) e foi curador de ciclos de Cinema para o Museu Reina Sofía (Madrid), Kunsthalle (Monastério), Jeu de Paume (Paris), Galeria Zé dos Bois (Lisboa) e também para vários Festivais (Corsica.Doc ; Amiens), entre outros.

Silas Tiny nasceu em São Tomé e Príncipe. Aos 5 anos emigra com a família para Portugal. É formado em cinema pela Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa e, em 2012, realiza a sua primeira longa-metragem documental Bafatá Filme Clube. Em 2014 regressa a São Tomé e Príncipe, após quase trinta anos de ausência, reencontro que conduz ao seu filme seguinte O Canto do Ossobó (2017), estreado no DocLisboa. Em 2020 termina Constelações do Equador, longa-metragem documental sobre a ponte aérea São Tomé/Biafra durante a guerra civil nigeriana. Estreado no Sheffield DocFest em 2021, obteve o Prémio Especial do Júri. Atualmente encontra-se a desenvolver vários projetos, entre os quais a sua primeira longa-metragem de ficção.

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