Talvez ela pudesse dançar primeiro e pensar depois

De Vera Mantero pela Companhia Nacional de Bailado

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Criado em 1991 para a Europália, festival onde a Nova Dança Portuguesa se consagrou internacionalmente, este solo é uma obra central no percurso coreográfico de Vera Mantero, com quase três décadas e ainda em circulação.

Em Talvez ela pudesse dançar primeiro e pensar depois, a artista encontrou parte da sua identidade coreográfica, vocabulário de movimento, forma de estar em cena, instrumentos e elementos com que cria e atua: um corpo que não descura os gestos, as mãos, o rosto, as expressões; que os inclui porque reconhece estes elementos como parte de um corpo-gente que tenta constantemente agarrar o que o atravessa, expondo-o com as respostas de um corpo vibrátil, que embate contra o tempo-cadência e brinca com ele(s) como uma criança com berlindes. Enquanto improvisação, possibilitou-lhe minúcias, velocidades e liberdades que uma dança coreografada não permitiria.

Inserida na programação do ciclo dança não dança, esta (re)performance constitui um dos raros momentos de cruzamento entre os protagonistas da Nova Dança Portuguesa e a Companhia Nacional de Bailado. Neste contexto, a obra — um solo fortemente baseado na improvisação — é dançada por Paulina Santos, bailarina solista da CNB, a quem Mantero a transmite.

No âmbito do mesmo programa desafiou-se Luís Guerra a visitar a obra coreográfica de Almada Negreiros com uma criação original – Almada Negreiros, o bailarino – , que é apresentada no mesmo dia, seguida de uma conversa intitulada Os Portugueses não têm corpo, com ambos os artistas, Paulina Santos e moderação de Alexandre Melo.

Imagem © José Fabião. O Rumo do Fumo

Vera Mantero (1966, Lisboa) estudou dança clássica com Anna Mascolo e integrou o Ballet Gulbenkian entre 1984 e 1989. Tornou-se um dos nomes centrais da Nova Dança Portuguesa, tendo iniciado a sua carreira coreográfica em 1987 e mostrado o seu trabalho por toda a Europa, Américas e Ásia. Foram-lhe atribuídos inúmeros prémios e distinções pelo seu trabalho artístico ao longo dos anos.

Paulina Santos (1973, Bragança) estudou dança clássica na Academia de Bailado do Porto. Ingressou na Companhia Nacional de Bailado em 1990 sob a direção de Armando Jorge e, em 2004, sob a direção de Marc Jonkers, ascendeu a bailarina solista. Trabalhou ainda com a Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo de Vasco Wellenkamp, com a Companhia Rosas de Anne Teresa de Keersmaeker e com a Companhia Olga Roriz.

dança não dança

Este evento insere-se no ciclo de (re)performances, filmes e conversas que constitui o primeiro eixo do programa dança não dança – arqueologias da Nova Dança em Portugal. Saber mais


Ficha técnica

Conceção

Vera Mantero

Interpretação

Paulina Santos / Companhia Nacional de Bailado

Cenografia

André Lepecki

Desenho de Luz

João Paulo Xavier

Música

Ruby, My Dear de Thelonious Monk

Figurino

Vera Mantero

Produção

O Rumo do Fumo

Uma encomenda do Festival Klapstuk 91 no âmbito da Europália Portugal 91

Colaboração

A Fundação Calouste Gulbenkian reserva-se o direito de recolher e conservar registos de imagens, sons e voz para a difusão e preservação da memória da sua atividade cultural e artística. Caso pretenda obter algum esclarecimento, poderá contactar-nos através do formulário Pedido de Informação.

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