Idiota

De Marlene Monteiro Freitas

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Idiota nasce da pintura. É tela que se tornou caixa. Translúcida, refletora e permeável, é simultaneamente vitrine e espelho. É uma caixa multifacetada: caixa-casa, caixa-plantação, espaço de recolhimento e de ultra exposição, caixa-prisão, caixa-festa, caixa-tenda, caixa-boia, uma cabine telefónica, o terminal de um aeroporto, caixa-imune, caixa-impune, caixa-camarim. É também um teatro portátil e, portanto, aberta a todas as figuras que queiram aí ser projetadas.

Idiota é ainda o nome da figura que se esgueirou deliberadamente para dentro desta caixa, com o intuito de espiar uma criatura, Élpis

O mito de Pandora surgiu provavelmente como resposta à velha questão: porque é que as pessoas adoecem e morrem? Porque é que as coisas más acontecem? 

Em Idiota, a artista dialoga com a obra do pintor Alex da Silva (1974-2019), também cabo-verdiano e dedicado a representar “criaturas” em transfiguração. Monteiro Freitas coloca-se dentro de uma caixa que é, ao mesmo tempo, lugar de aprisionamento e libertação. Neste espaço de imaginação cruzam-se as memórias do mundo, desde a violência das Exposições Universais, onde os indígenas eram exibidos à curiosidade ocidental, à fantasia do circo e da ilusão. 

O trabalho de Marlene Monteiro Freitas, construído de colagens de centenas de referências iconográficas, é um exercício de composição de memória e, para quem vê, de reconhecimento e estranhamento.

A contraposição entre a ausência de referências ao passado colonial no arquivo sobre a dança em Portugal e a sua presença quotidiana (nos corpos, nos imaginários e nas suas emanações) é colocada em cena.

Inserida na programação do ciclo dança não dança, esta performance, criada em 2022 e pela primeira vez apresentada em Portugal, é colocada em diálogo com uma outra performance, intitulada Miquelina e Miguel, do coreógrafo Miguel Pereira, cuja apresentação tem lugar no dia 4 de fevereiro. Desenterrar as Memórias da Dança é o mote que contextualiza ambas as propostas, em torno do qual se realiza ainda uma conversa sobre a presença de corpos negros e narrativas afrodiaspóricas na dança em Portugal, também a 4 de fevereiro.

Este espetáculo utiliza luz estroboscópica.

Imagem © BEA BORGES/ kfda

Marlene Monteiro Freitas (1979, Cabo Verde) é conhecida por criar peças cuja marca é a abertura, o hibridismo, a impureza e a intensidade. Amplamente premiada, destacam-se o Leão de Prata da Bienal de Veneza (2020), o Chanel Next Prize (2021) e o Evens Arts Prize (2022). Desde 2020, é cocuradora do projeto (un)common ground.

dança não dança

Este evento insere-se no ciclo de (re)performances, filmes e conversas que constitui o primeiro eixo do programa dança não dança – arqueologias da Nova Dança em Portugal. Saber mais


Ficha técnica

Criação e interpretação

Marlene Monteiro Freitas

Assistência coreográfica

Hsin-Yi Hsiang

Espaço

Marlene Monteiro Freitas, Miguel Figueira, Yannick Fouassier

Luz

Yannick Fouassier

Som

Rui Antunes

Figurinos

Marlene Monteiro Freitas

Produção

P.OR.K - Carolina Goulart, Soraia Gonçalves (Lisboa)

Difusão

Key Performance (Estocolmo, SE) 

Coprodução

CNAD – Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design (Mindelo, CV); Festival d'Automne (Paris, FR); Grec Festival (Barcelona, ES); Kunstenfestivaldesarts (Bruxelas, BE); Wiener Festwochen (Viena, AT)

Apoio

Theater Freiburg (Freiburg, DE); Mattatoio - Azienda Speciale Palaexpo (Roma, IT)

Coapresentação

CAM — Centro de Arte Moderna da FCG

A P.OR.K Associação Cultural é financiada pela República Portuguesa — Ministério da Cultura / Direção-Geral das Artes

A Fundação Calouste Gulbenkian reserva-se o direito de recolher e conservar registos de imagens, sons e voz para a difusão e preservação da memória da sua atividade cultural e artística. Caso pretenda obter algum esclarecimento, poderá contactar-nos através do formulário Pedido de Informação.

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