Agustina. O riso de todas as palavras

Colóquio comemorativo do centenário de Agustina Bessa-Luís

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Agustina Bessa-Luís nasceu a 15 de Outubro de 1922, em Vila Meã, Amarante. Assinalar o centenário do nascimento de uma escritora que, no dizer de Álvaro Manuel Machado, foi – e continua a ser – “exemplo de solitária grandeza”, equivale a compreender os caminhos percorridos pela ficção portuguesa contemporânea, assim como a acompanhar algumas das muitas faces assumidas pelo século XX português, século que, pelas suas riqueza, diversidade e inconstância políticas, económicas, sociais e culturais, podia bem ser (e tantas vezes tem sido) personagem de romance. Tudo isto, para além do que é já do domínio do óbvio e do consensual: Agustina Bessa-Luís criou uma obra singular, inconfundível, impossível de delimitar e difícil de definir por não haver palavras que signifiquem o suficiente para tal. Eduardo Lourenço sintetizou-a como poucos ao afirmar que “imagem alguma existe, em Língua Portuguesa, que possa comparar-se ao que a obra de Agustina vai desenrolando diante de nós, tapeçaria voltada para o dia e não para a noite como a de Penélope”. Faz, por isso, sentido chamar a um colóquio que celebra Agustina e a sua obra “o riso de todas as palavras”, excerto de Maria Agustina, a trânsfuga, de Maria Velho da Costa. É o riso do espanto e da sabedoria, o riso da infância e da ancestralidade, mas também o do humor, da ironia e de um certo desdém; é, em suma e para se regressar ao texto de Maria Velho da Costa, o riso de quem “triunfa, menina total e raciocinante”.

— Inês Fonseca Santos
A autora escreve segundo o antigo acordo ortográfico.

No âmbito deste colóquio será apresentada a exposição Reflexos duma luz, que reúne dez ilustrações de personagens femininas de diferentes obras de Agustina Bessa-Luís, por dez ilustradores – Alain Corbel, Cláudia R. Sampaio, João Fazenda, João Maio Pinto, Luis Manuel Gaspar, Mantraste, Pedro Lourenço, Sebastião Peixoto, Susa Monteiro e Tiago Manuel.


Programa

10:00 / Abertura

Guilherme d’Oliveira Martins
Inês Fonseca Santos
Mónica Baldaque

10:30 / “O riso de todas as palavras”

António M. Feijó
Clara Ferreira Alves
Pedro Mexia

Moderação: Susana Moreira Marques

— PAUSA PARA ALMOÇO —

14:30 / “O rio da infância”

Rita Taborda Duarte
José António Gomes

Moderação: Sara Figueiredo Costa

— PAUSA PARA CAFÉ —

16:30 / Mulher: “ser completo, princípio e fim”

Mísia canta “Garras dos Sentidos” de Agustina Bessa-Luís
Acompanhada pelos músicos Bernardo Romão (guitarra portuguesa) e João Filipe (viola)

Maria João Seixas
Catherine Dumas

Moderação: Clara Pinto Caldeira

— PAUSA PARA CAFÉ —

19:00 / Leitura encenada A Ronda da Noite

Criação de João Sousa Cardoso, com Ana Deus

SABER MAIS


BIOGRAFIAS

Iniciou o percurso musical em 1987 no grupo pop Ban. Em 1993 iniciou com a escritora Regina Guimarães e o músico Alexandre Soares o grupo Três Tristes Tigres.

Criou o espetáculo Sono dedicado à poesia de Ernesto de Melo e Castro no Auditório do Museu de Serralves. Tem musicado poesia de autores variados, a solo ou nos seus projetos Osso Vaidoso, Bruta e Ruído Vário. Em 2020 editou Mínima Luz, álbum de originais dos Três Tristes Tigres.

António M. Feijó é Presidente do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian desde maio de 2022. Professor Catedrático do Departamento de Estudos Anglísticos e do Programa em Teoria da Literatura, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi Diretor da Faculdade de Letras, Vice-Reitor e Pró-Reitor da Universidade de Lisboa. Foi diretor da Imprensa da Universidade de Lisboa, e da Revista da Universidade. PhD (Literatura Inglesa e Norte-Americana) Brown University (1985); MA (Literatura Inglesa e Norte-Americana) State University of New York at Albany (1979).

É autor de livros e ensaios sobre tópicos de literatura inglesa, norte-americana e portuguesa, bem como traduções e dramaturgias para cena (Twelfth Night, Hamlet e King Lear de Shakespeare; de obras de Oscar Wilde e Fernando Pessoa, entre outros). Foi presidente do Conselho Geral Independente da RTP, Diretor Não-Executivo da Fundação da Casa de Mateus e administrador não executivo do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian entre 2018 e 2022.

Desde sempre apaixonado pela sonoridade da guitarra portuguesa, Bernardo Romão começou a tocar profissionalmente aos 19 anos, tendo acompanhado fadistas como Maria da Fé, Frei Hermano da Câmara, Gisela João, Joana Amendoeira e Duarte. Atualmente, atua regularmente na casa de fados Senhor Vinho e com fadistas como Ricardo Ribeiro e Cristina Branco.

Catherine Dumas é professora emérita de literaturas de língua portuguesa na Universidade da Sorbonne Nouvelle-Paris. É autora da primeira tese de doutoramento em França sobre a obra da romancista portuguesa Agustina Bessa-Luís e de um livro sobre a mesma autora, Estética e Personagens (Campo das Letras, 2001). Interessa-se em especial pelo cruzamento das escritas do íntimo e do discurso poético, nas questões de género, no diálogo interartes e entre os textos literários e a filosofia no âmbito da literatura-mundo. Organizou numerosos livros coletivos e publicou artigos sobre a ficção contemporânea e a poesia de língua portuguesa. Organizou e prefaciou o volume Salette Tavares. Obra Poética. 1957-1994, publicado na coleção Plural da Imprensa Nacional – Casa da Moeda em Maio de 2022, Lisboa. Mantém uma atividade intensa de traducão de poesia do português para o francês.

Clara Ferreira Alves é escritora e jornalista. Licenciada em Direito pela Universidade de Coimbra, trocou a advocacia pela escrita. Foi editora e redatora principal do jornal Expresso. Fez grande reportagem, jornalismo de guerra e foi editora e crítica literária. Hoje assina a coluna “Pluma Caprichosa”. Foi ainda diretora da Casa Fernando Pessoa e da revista literária Tabacaria. É autora de programas culturais e documentários na televisão e do programa de comentário político Eixo do Mal. Membro do Conselho Geral da Universidade de Coimbra, do júri do German Marshall Fund em Portugal e do júri do Prémio Pessoa.

Publicou uma coleção de crónicas, Pluma Caprichosa, as ficções Passageiro Assediado e Mala de Senhora e uma coleção de ensaios, Estado de Guerra. Entre 2014 e 2017, publicou vários contos originais em antologias e revistas e, em 2015, o romance Pai Nosso. Recentemente, foram ainda editadas duas coleções dos seus ensaios, Cenas da Vida Americana, em 2017, e Os Suspeitos do Costume, em 2021.

Clara Pinto Caldeira nasceu em Lisboa, em 1977. Formada em Ciências da Comunicação, é doutoranda de Estudos de Cultura e investigadora júnior do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura, na Universidade Católica Portuguesa. Tem trabalhado como jornalista em vários projetos televisivos, na área cultural, tendo integrado a equipa do programa Câmara Clara, da RTP 2. Recentemente, colaborou no documentário Francisco de Holanda, a Luz Esquecida do Renascimento.

Guilherme d’Oliveira Martins é Administrador Executivo da Fundação Calouste Gulbenkian e Presidente do Grande Conselho do Centro Nacional de Cultura. Foi Deputado e Ministro da Educação, Presidência e Finanças. Doutor honoris causa pela Universidade Lusíada, pela Universidade Aberta e pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP).

Escritora e jornalista. Publicou, entre outros, o volume Regressar a Casa com Manuel António Pina; os livros de poesia As Coisas (il. João Fazenda; Abysmo), A Habitação de Jonas (il. Ana Ventura; Abysmo), Suite sem Vista (Abysmo) e Os Grandes Animais (il. João Maio Pinto; Abysmo); os livros para a infância e a juventude A Palavra Perdida (il. Marta Madureira; Arranha-Céus), José Saramago. Homem-Rio (il. João Maio Pinto; Pato Lógico/INCM), Vincos (il. Nicolau; APCC), A Cidade (il. Beatriz Bagulho; CCB/INCM), Um Milhão de Rebuçados (il. Marta Monteiro; Pato Lógico), António Variações. Fora de Tom (il. Mantraste; Pato Lógico/INCM) e Dança (il. André Letria; Pato Lógico). Faz o programa Todas as Palavras (RTP3), é guionista do projeto Boca Aberta (TNDM II) e especialista do Plano Nacional de Leitura.

Nascido no seio de uma família fadista, João Filipe inicia os seus estudos musicais com 17 anos de forma autodidata e é nas casas de fado onde se desenvolve e encontra os seus mestres. Atualmente, toca em várias casas de renome a nível nacional como O Senhor Vinho,  Mesa de Frades, entre outras.

Doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Paris Descartes (Sorbonne). Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian (2006-2009). Encenou Sequências Narrativas Completas, no Teatro Nacional D. Maria II (2019) e Os Pescadores de Raul Brandão (2016) e TEATRO EXPANDIDO!  (2015) no Teatro Municipal do Porto. Realizou vários filmes. É professor na Universidade Lusófona. Escreve regularmente para o jornal Público e a revista Contemporânea.

José António Gomes nasceu em Gaia, em 1956. É professor de literatura portuguesa e literatura para a infância e a juventude na Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto. Doutorado em Literatura Portuguesa pela FCSH da Universidade Nova de Lisboa, lecionou em várias edições do Master em Literatura Infantil e Juvenil como contributo para a formação e desenvolvimento de hábitos leitores, na Universidade de Santiago de Compostela. Entre as obras que publicou, contam-se: Para uma História da Literatura Portuguesa para a Infância e a Juventude, em 1998; Grandes Autores para Pequenos Leitores: Literatura Infantil e Juvenil – Elementos para a Construção de um Cânone (coautoria e coordenação), em 2007; Figurações do Desejo e da Infância em Eugénio de Andrade, em 2010. Publicou ainda vários artigos e capítulos de livros em Portugal e noutros países.

Licenciada em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa. Colaborou com a Engenheira Maria de Lourdes Pintasilgo; durante oito anos foi Vice-Presidente do European Film Distribution Office, EFDO, do Programa MEDIA; foi Conselheira Cultural do Engenheiro António Guterres. Colabora com diversos meios de comunicação como entrevistadora. Foi Diretora da Cinemateca Portuguesa.

Mísia nasceu no Porto, viveu entre Barcelona e Madrid e regressou a Portugal em 1991, determinada a construir um repertório próprio que conta com autores de referência como José Saramago, Agustina Bessa-Luís, José Luís Peixoto, Lídia Jorge e Vasco Graça Moura. Ao longo da sua carreira, tem atuado em algumas das mais importantes salas de espetáculos a nível mundial, entre as quais Town Hall (Nova Iorque), Olympia (Paris), Piccolo (Milão) e o Teatro Cocoon (Tóquio). Patrice Leconte dirigiu um dos seus videoclips e John Turturro escolheu-a para o seu filme Passione. Foi condecorada com a Ordem de Mérito em 2005 e conquistou o Prémio Amália Rodrigues em 2012. Em Itália, ganhou o Prémio Carosone em 2010 e o Prémio de Cinema Gilda em 2012. Em França, foi condecorada com a Ordem das Artes e das Letras da República Francesa, Chevalier em 2004, Officier em 2011. Foi ainda galardoada com o Prémio “In Honorem” pela Academia Charles Cros, em 2020.

Pedro Mexia nasceu em 1972, em Lisboa. É crítico literário e cronista do Expresso. Publicou cinco volumes de diários, oito livros de poesia, antologiados em Poemas Escolhidos (2018), e sete coletâneas de crónicas. É codirector da Granta em língua portuguesa e coordena a coleção de poesia da Tinta-da-china.

Rita Taborda Duarte nasceu em Lisboa, em 1973. Licenciada em Estudos Portugueses pela Faculdade de Letras de Lisboa, é mestre em Teoria da Literatura. Professora convidada na Escola Superior de Comunicação Social, escritora e crítica literária, foi membro da Comissão de Leitura da Fundação Calouste Gulbenkian, escrevendo regularmente para o site Rol de Livros desta instituição, entre 2010 e 2017. Conta com cinco livros de poesia editados e a sua mais recente obra, As Orelhas de Karenin (abysmo, 2019), foi finalista do prémio Casino da Póvoa/Correntes de Escrita (2019) e do Prémio SPA-Autores (2019). Em 2003, vence o prémio Branquinho da Fonseca Expresso-Gulbenkian, com o livro inédito A Verdadeira História da Alice. A partir daí, tem escrito com regularidade para crianças e jovens, contando com uma dezena de obras publicadas, muitas delas incluídas no Plano Nacional de Leitura.

Sara Figueiredo Costa nasceu em Lisboa, em 1978. Estudou Literatura e Linguística na FCSH – Universidade Nova de Lisboa, onde se licenciou e fez o mestrado. Desde 2002, é jornalista free-lancer, escrevendo sobretudo sobre temas culturais. É crítica residente no Expresso, onde escreve sobre banda desenhada e ilustração. Na revista Blimunda, assina mensalmente reportagens, entrevistas e crítica literária. É editora do suplemento literário Parágrafo, publicado pelo jornal Ponto Final (Macau). Tem colaboração dispersa e pontual noutras publicações, da Revista Macau à revista da ACERT – Tondela. Vai fazendo outras coisas, dentro e fora do jornalismo, de exposições a livros, passando por impressões em tipografia de chumbo ou leituras comunitárias.

Susana Moreira Marques é autora dos livros Quanto Tempo Tem um Dia, sobre maternidade, e Agora e Na Hora da Nossa Morte, um trabalho de narrativa de não-ficção sobre o fim de vida que foi traduzido para inglês, francês e espanhol. Os seus textos já apareceram na Granta, Tin House, Literary Hub e muitas outras revistas em várias línguas. Recebeu bolsas e fellowships da Fundação Gabriel García Márquez (Colômbia), Fundação Jan Michalski (Suíça), e Art OMI (Estados Unidos), entre outras. Como jornalista, colaborou com o Público, Jornal de Negócios, Antena 1 e BBC World Service. Actualmente, é cronista no jornal Mensagem, ensina narrativa de não-ficção na Casa Mombak e colabora em projetos de cinema e televisão.


A Fundação Calouste Gulbenkian reserva-se o direito de recolher e conservar registos de imagens, sons e voz para a difusão e preservação da memória da sua atividade cultural e artística. Caso pretenda obter algum esclarecimento, poderá contactar-nos através de [email protected] .


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