Paula Rego (1935-2022)

A Fundação Calouste Gulbenkian lamenta profundamente a morte de Paula Rego, uma das mais extraordinárias artistas nacionais, com a qual manteve profundos laços desde que foi bolseira Gulbenkian nos anos 1960.
Paula Rego, O Anjo, 1998 ©Carlos Pombo

O Conselho de Administração relembra a ligação histórica à Fundação Gulbenkian de “uma artista ímpar no panorama internacional, que deixa um legado inesquecível”, exprimindo ainda “orgulho pela recente aquisição da sua icónica pintura o Anjo”. Em fevereiro, a coleção do CAM foi reforçada com a aquisição de duas obras – O Anjo e o Banho Turco – que tornou a Fundação na instituição privada com o maior e o mais significativo acervo da artista, constituído por 37 obras, entre pintura, desenho e gravura. Na altura, Paula Rego exprimiu a sua “grande felicidade” por saber que dois dos seus quadros mais importantes “iriam viver na Gulbenkian”. Uma gratidão que fazia sempre questão de sublinhar desde que foi bolseira da Fundação.

A morte de Paula Rego ocorre numa etapa decisiva da sua consagração internacional, após ter exposto com enorme êxito mediático em Paris, (Orangerie, 2018/19), Londres (Tate Britain, 2021) e no Kunstmuseum den Haag (2021/22). Recentemente inaugurou uma mostra no Museo Picasso Málaga, e tem uma representação especial na Bienal de Veneza.  Atualmente integra também a exposição “Tudo o que eu Quero. Artistas Portuguesas de 1900 a 2020”, em Tours.

Unida pela coerência e consistência dos temas e pela inconfundível marca da sua identidade, a obra de Paula Rego – desde o final dos anos 50, ainda enquanto estudante na Slade School, até aos dias de hoje –, tem atravessado uma compulsiva necessidade de se renovar formalmente, com vários ciclos identificáveis e temporalmente definidos.

Destaca-se a incansável procura de temas que a conduzem à representação do drama (ou comédia) humano, no implacável escrutínio da sua complexa natureza ética e moral. Ninguém melhor que Paula Rego para clarificar, com simplicidade desarmante, o âmbito temático do seu trabalho, que por múltiplas formas que tome, tem sido invariável, como se pode ler nas suas palavras: “Mandar nas pessoas. Obediência. Subversão. Fazer bem às pessoas más, fazer mal às pessoas boas. Poder. Desigualdade entre os sexos. Os homens mandam nas mulheres em geral. As mulheres às vezes mandam, mas é de outra maneira. A relação entre os sexos. É isso. Não é preciso mais” A sua abordagem é sempre ética, pedagógica e o propósito transformador das consciências e dos comportamentos.

Nascida a 26 de janeiro de 1935, em Lisboa, Paula Rego estuda em Londres na Slade School of Art entre 1952 e 1956. Casa com o pintor inglês Victor Willing em 1956. Expõe na II Exposição de Artes Plásticas (1961) da Fundação Gulbenkian e em 1961/62 recebe uma bolsa de estudos da Fundação. Instala-se definitivamente em Londres em 1976. Em 1988, o CAM organiza uma exposição retrospetiva da artista. No ano seguinte é nomeada Senior Fellow do Royal College of Art e, em 1990, torna-se na primeira artista a usar a nomeação de associada da National Gallery. Em 2012 expõe na Delegação em França da Fundação Gulbenkian.

Recebeu as insígnias de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada e a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, entre outras distinções.

Atualização em 08 junho 2022

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