10 Dezembro 2020 Museu Calouste Gulbenkian

Novos diretores para o Museu e CAM

António Filipe Pimentel vai dirigir o Museu Calouste Gulbenkian e Benjamin Weil será responsável pelo Centro de Arte Moderna

© Ricardo Oliveira Alves
Museu Calouste Gulbenkian © Ricardo Oliveira Alves

António Filipe Pimentel, antigo diretor do Museu Nacional de Arte Antiga e professor da Universidade de Coimbra, e Benjamin Weil, curador e crítico de arte francês, atual diretor artístico do Centro Botín, em Santander, foram escolhidos na sequência de um processo de recrutamento internacional. Este processo, levado a cabo pela Fundação Calouste Gulbenkian nos últimos meses, foi realizado com o apoio de uma empresa internacional especializada em recrutamento para instituições culturais.

A decisão do Conselho de Administração da Fundação Gulbenkian teve em conta o perfil de excelência dos dois candidatos e a sua adequação à especificidade do Museu Calouste Gulbenkian e do Centro de Arte Moderna.

Numa altura em que vão iniciar-se as obras de renovação do Centro de Arte Moderna, que darão forma ao projeto desenhado pelo arquiteto japonês Kengo Kuma, a entrada de dois novos diretores representa um reforço do investimento da Fundação quer no Museu Calouste Gulbenkian quer no Centro de Arte Moderna.

Miguel Zugaza Miranda, atual diretor do Museu de Belas Artes de Bilbau (antigo diretor do Museu do Prado), felicita a escolha de António Filipe Pimentel e afirma “durante a sua inspiradora direção no MNAA pudemos colaborar intensamente, primeiro no Museu do Prado e agora com Bilbau. Partilhámos muitos projetos, mas acima de tudo unia-nos uma visão sobre a missão pública e universal dos museus nos nossos dias, ambiciosa no estudo e aprofundamento, bem como aberta à sociedade. Miguel Zugaza diz ainda que a ação de António Filipe Pimentel “tem sido fundamental para criar pontes entre as comunidades académicas e os museus dos dois países”, representando a sua nomeação um “fortalecimento do grande prestígio internacional da Fundação Gulbenkian.”

Por seu lado, António Filipe Pimentel afirma-se honrado e seduzido com o “desafio, naturalmente irresistível” de projetar a sua experiência “ao serviço do estudo, preservação e divulgação de uma coleção de referência internacional, para cuja salvaguarda foi criada uma das mais prestigiosas instituições do seu género em todo o mundo”, realçando a sua “relevância na própria projeção (nacional e internacional) da FCG enquanto marca” e reforçando, nesse sentido, “a bondade de operar transversalmente com as outras áreas de ação da Fundação”.

Benjamin Weil foi escolhido para definir o rumo do novo ciclo de vida do Centro de Arte Moderna que, em 2022, reabrirá com um fôlego e programação renovados depois das obras de ampliação a Sul do Jardim Gulbenkian.

Vicente Todolí, antigo diretor da Tate Modern e do Museu de Serralves, que preside ao Conselho Consultivo em Artes Visuais do Centro Botín, realça o profissionalismo e o empenho do curador que “ajudou a criar a identidade e deu projeção e reputação internacional ao Centro Botín”. Todolí diz ainda que Weil  “estabeleceu excelentes relações com artistas e museus, desenvolvendo um  programa de exposições de elevada qualidade em Santander, com o apoio do Conselho Consultivo”.

Sobre o novo desafio que vai abraçar, Benjamin Weil diz-se “encantado por poder integrar a missão generosa da Fundação Gulbenkian através do Centro de Arte Moderna”, considerando que as obras de extensão do edifício, que o mantêm atualmente encerrado, “oferecem uma oportunidade para a instituição se reinventar e construir um futuro dinâmico, criar e estreitar laços de colaboração com outras áreas da Fundação, e explorar novos modos de se dar a conhecer e de atrair novos públicos”.

 

Os novos diretores

António Filipe Pimentel © DR

Nascido em 1959, António Filipe Pimentel é doutorado em História de Arte e professor no Instituto de História da Arte da  Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde também exerceu o cargo de Pró‐Reitor para o Património. Durante quase uma década (2010-2019) foi diretor do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa, depois de já ter exercido as mesmas funções no Museu Grão Vasco, em Viseu.

Colocando ênfase na investigação, conservação e restauro, sob a sua direção, o MNAA conheceu um período de excelente programação e de grande sucesso no número de visitantes nacionais e estrangeiros.

Atualmente, entre os vários cargos que ocupa, destacam-se o de correspondente nacional académico da Academia Nacional de Belas Artes, membro da Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa e investigador associado do Centro de Arte e Património Universitário da Universidade de Salamanca, no Instituto de História de Arte da Universidade Nova de Lisboa e do Centro de Estudos em Arqueologia, Arte e Ciências do Património das universidades de Coimbra e do Porto.

 

Benjamin Weil © E. Cobo

Em 2014, quando Benjamin Weil aceitou o convite da Fundação Botín, o Centro Botín encontrava-se ainda em construção; o trabalho que Weil desenvolveu foi fundamental para colocar o centro no mapa artístico internacional. Desde a abertura, em 2017, até hoje, foi desenvolvido um programa que incluiu a curadoria de novos projetos de Joan Jonas e Martin Creed, bem como a apresentação de exposições de Carsten Holler, Julie Mehretu e Alexander Calder.

Com uma trajetória profissional de relevo, Benjamin Weil nasceu em 1962 e iniciou a sua carreira em Nova Iorque nos anos 1980, após a graduação na Whitney Independent Study Program,  tendo trabalhado no Institute of Contemporary Arts (ICA), em Londres, e também  no Museu de Arte Moderna de São Francisco. Ao longo da sua vida profissional Benjamin Weil tem estabelecido várias colaborações e relações de  proximidade com artistas, curadores, galeristas e colecionadores portugueses. Em 2017 foi curador da exposição Untitled (Orchestral) de João Onofre no MAAT (Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia) e presentemente, sob a sua direção, o Centro Botín, situado num emblemático edifício projetado pelo arquiteto Renzo Piano, apresenta  a exposição Arte e Arquitetura: um Diálogo, que inclui obras de Julião Sarmento, Leonor Antunes, Carlos Bunga e Fernanda Fragateiro.

 

Museu Calouste Gulbenkian e Centro de Arte Moderna

O Museu Calouste Gulbenkian alberga a coleção do Fundador, reunida por Calouste Sarkis Gulbenkian ao longo da sua vida (1869-1955), e o Centro de Arte Moderna a coleção de Arte Moderna e Contemporânea, que começou a ser constituída na década de 50 com a aquisição de obras de artistas portugueses e estrangeiros contemporâneos. A coleção do Fundador totaliza mais de seis mil peças desde a Antiguidade até ao início do século XX, incluindo Arte Egípcia, Greco-romana, Islâmica e do Extremo Oriente e ainda Numismática, Pintura e Artes Decorativas europeias.

A coleção do Centro de Arte Moderna reúne a maior e mais completa coleção de arte contemporânea portuguesa, bem como um importante núcleo de arte britânica do século XX. De Amadeo de Souza-Cardoso a Vieira da Silva ou Paula Rego, esta coleção mostra alguns dos artistas portugueses mais prestigiados e conceituados internacionalmente.

 

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