João Cutileiro (1937 – 2021)

A Fundação Calouste Gulbenkian exprime publicamente grande pesar pelo desaparecimento de João Cutileiro, grande escultor e homem de cultura que marcou profundamente o panorama artístico português.
João Cutileiro (1937-2021) Menina do colar, 1965 © Paulo Costa
João Cutileiro (1937-2021) Pormenor da obra Menina do colar, 1965 © Paulo Costa

A Presidente da Fundação Gulbenkian, Isabel Mota, recorda a relação “de toda a vida” de João Cutileiro com a Fundação e exprime “a sua gratidão por quanto legou à Arte e à Cultura em Portugal”.

O artista foi um dos primeiros bolseiros da instituição ainda na década de 50 e participou na 1.ª Exposição de Artes Plásticas da Fundação, logo em 1957. Como bolseiro em Londres, no departamento de escultura da Slade School of Fine Art, trabalhou com o conceituado escultor inglês Reg Butler (entre 1955 e 1959), tendo acumulado uma vasta experiência no trabalho que o tornaria muito conhecido no nosso país – a escultura diretamente na pedra com rebarbadoras elétricas. Cutileiro regressou a Portugal em 1970, imprimindo um cunho muito próprio à sua criação artística, que se tornou influente e marcou os meios artísticos nacionais.

 

Aspeto de sala da exposição: João Cutileiro, Exposição Antológica © DR
João Cutileiro, Exposição Antológica,1990. Aspeto de sala © DR

A Fundação recorda a grande exposição antológica que lhe dedicou em 1990, que constituiu um momento importante no percurso do escultor. Em 2018, várias das suas obras estiveram em destaque na exposição Pós-Pop. Fora do Lugar-comum, realizada na Fundação, na sequência da qual o artista e a sua mulher, Margarida Lagarto, doaram um importante conjunto de nove obras à Fundação.

Depoimento de João Cutileiro para a Exposição “Pós-Pop. Fora do lugar-comum”, 2018

 

Cutileiro está representado na coleção do Centro de Arte Moderna com 33 obras, entre escultura e desenho. São-lhe também devidos em Portugal os primeiros simpósios de escultura em pedra, com a vinda de grandes escultores de nível internacional, hoje presentes na coleção da Fundação, como o japonês Minoru Nizuma ou o húngaro Szekely.