ILUSÕES Vol. II Édipo

Por Grada Kilomba (2018)

Tradução Portuguesa por Cristina Roldão

 

Personagens

Jocasta Martha Fessehatzion
Laios Errol Trotman Harewood
Édipo Moses Leo
Mensageiro de Laios Zé de Paiva
Mensageiro de Políbio Zé de Paiva
Esfinge Grada Kilomba
Tirésias Sara-Hiruth Zewde

 

Coro

Kalaf Epalanga
Martha Fessehatzion
Errol Trotman Harewood
Moses Leo
Grada Kilomba
Tito Casal
Sara-Hiruth Zewde

Contadora de histórias Grada Kilomba
Música composta por Neo Muyanga

 

I. INTRO

Existem pedaços
na nossa história
que parecem bastante
incompreensíveis.

Por vezes queremos
saber a verdade,
mas
a verdade parece
tão irracional,
tão difícil
de compreender.

Eu acho que
não há nada
mais traumático
do que lidar
com o irracional.

Lidar com
o facto de que
não conseguimos atribuir
qualquer razão
à verdade.

Eu quero-vos contar uma história,
uma história irracional.

Uma história
que poderá explicar
alguns dos pedaços
da nossa história,
que nos parecem tão
incompreensíveis.

Esta é a história de Édipo.

 

MÚSICA

“Narrativas do Ódio” (# 1, apenas o refrão), de Neo Muyanga

I.
Esta é uma história trágica.

Esta é uma história
que começa com
um homem temível:
Laios.

Laios,
o rei de Tebas,
que havia casado com
Rainha Jocasta,
com quem
governou
o reino.

Os dois, desejavam ter crianças,
mas, durante muito tempo,
não tiveram nenhuma.
Então, Laios decidiu
pedir conselho
ao oráculo de Delfos,
para saber a verdade.                                   (Errol bate com o ceptro no chão)

O oráculo dos deuses
ouviu os apelos do rei                                   (Esperar por Sara)
e alertou Laios
para não ter uma criança,
pois se ele o fizesse,
o filho que lhe nasceria,
tornar-se-ia
o assassino do seu pai.                                  (Errol se levanta, banquinho / trono cai)

“Essa criança vai-te matar.”
disse o oráculo.
“Essa criança vai
casar com a sua própria mãe.”

Laios ficou furioso
Com a ideia de que o seu filho,
que ainda não tinha nascido,
poderia eventualmente
tirar-lhe a sua própria vida
e o seu trono.

Mas, não muito depois
desta profecia,
Jocasta engravidou
e Laios tornou-se
o pai de quem
ele mais temia –
o seu próprio filho.

 

II.
Antes do nascimento
o bebé já estava
predestinado a morrer.

Pois Laios
não lhe permitiu
estar vivo
ou existir.

E Jocasta,
a mãe,
viu-se forçada
a concordar com
a sua sentença de morte.

Um pequeno bebé                                         (Moses começa a mover-se no chão)
exposto a um destino
que é difícil
de compreender.

 

III.
(Moses feto, é envolto em sangue por Errol e Martha – Neo chora … refrão)
Quando a criança nasceu,
Laios, temendo a profecia,
perfurou cruelmente
os tornozelos do bebé
e exigiu que
o seu mensageiro
levasse a criança
para ser morta,
exposta
na montanha.

 

MÚSICA

“Narrativas do Ódio” (versão completa), de Neo Muyanga

 

IV.
(Zé carrega Moses para fora da imagem)
Mas, o mensageiro
não obedeceu
ao rei.

Ele sentiu
pena do bebé,
então levou-o
nos seus braços
e secretamente
entregou a criança ao
mensageiro de Políbio,
o rei de Corinto.

Políbio e a sua esposa,
Rainha Peribóia,
decidiram
que criariam
eles próprios o bebé
no seu palácio,
como se fosse o seu próprio filho.

Ela curou-lhe
os tornozelos,
e deu à criança
o nome de Édipo,
aquele que tem os pés inchados.

 

V.
(Sara instala a encruzilhada)
A criança cresceu.

E um dia,
durante um banquete
no palácio,
um convidado bêbado
começou a insinuar
que Édipo não sabia
quem realmente era,
e que não era
verdadeiramente filho
de Peribóia e Políbio.

Édipo ficou preocupado
com as insinuações
e questionou a sua mãe,
mas ela não ousou
dizer-lhe a verdade.

Não obstante as falsas garantias
da mãe,
Édipo queria saber
quem realmente era.

Então, foi a Delfos,
para perguntar quem eram
os seus verdadeiros pais.

O oráculo
dos deuses
não respondeu
sobre a sua verdadeira origem,
mas, em vez disso,
ofereceu-lhe
uma profecia.

A profecia era:
Que um dia
ele mataria
o seu próprio pai,
e casar-se-ia com a sua mãe.

 

VI.
(Moses corre lateralmente em câmera lenta)
Ouvindo isso,
e acreditando
que nascera
daqueles que
diziam ser seus pais,

ele fugiu,
ele correu e correu,
ele correu o mais rápido que pôde,
tentando escapar à sua própria profecia.

Ele correu e foi na direção de Tebas.

E no caminho,
enquanto atravessava
Fócida,
ele encontrou
um grupo de homens,
que vinha na
direção oposta,
em uma estreita
encruzilhada de três caminho.

 

VII.
(Errol e Moses lutam. Neo – bateria)
Porém, o homem mais velho
do grupo
não deixou Édipo passar.

Eles começaram
uma violenta
discussão sobre
quem poderia passar primeiro,
e quem deveria ceder passagem.

O homem mandou
os seus mensageiros
atacar Édipo.

Em defesa, Édipo
matou-os a todos,
excepto um,
que fugiu.

Ele matou
o homem mais velho
sem saber,
que era o rei Laios,
o seu pai.

 

MÚSICA

“Narrativas do Ódio” (# 2, apenas percussão), de Neo Muyanga

 

VIII.
(Martha em seu trono)
Jocasta esperava Laios,
que não voltava
da sua jornada.

E o seu irmão Creon,
Aproveitou a oportunidade
para tomar
o trono.

Durante esse tempo,
a cidade estava
à mercê da Esfinge,
que castigava a cidade,
por algo terrível
que em tempos fora feito.

Muitos morreram
nas mãos da Esfinge.

Cada vez mais desesperado,
Creon proclamou
que daria ambos:
o trono e a mão
de sua irmã e viúva
do rei Laios,
Jocasta,
a quem
resolvesse
o enigma
da Esfinge
e libertasse a cidade
de tão terrível ameaça.

 

IX.
(Grada entra e senta-se no portão)
A Esfinge
era um monstro.

Ela tinha o rosto
de uma mulher,
o corpo de um leão,
e asas como um pássaro.

A deusa Hera
tinha colocado
a Esfinge
mesmo às portas
de Tebas.

E ela comia qualquer pessoa
que não desse
a resposta correta
ao seu enigma.

Édipo
chegou finalmente
às portas da cidade.

A Esfinge
olhou para Édipo,
e como sempre
falou o enigma
que tinha aprendido
com as Musas:

“O que é
que tem uma única voz,
e tem quatro pés de manhã,
dois pés à tarde,
e três pés à noite?”

Édipo,
pensou cuidadosamente,
e deu a sua resposta.

Ele disse:
“Um ser humano,
Que gatinha sobre quatro pernas enquanto bebé,
caminha sobre duas pernas enquanto adulto,
e usa uma bengala, como terceira perna,
na velhice.

Esta era a resposta correta ao enigma.

A Esfinge,
Tendo a resposta correta,
atirou-se da alta arriba, Acrópole.

 

X.
(Martha e Moses dançam juntos)
Édipo
foi celebrado
e considerado um herói
e, como prometido,
casou com
a Rainha Jocasta
e tornou-se
Édipo Rex,
o rei de Tebas.

Tiveram quatro filhos:
Polinices, Etéoclese,
Ismene e Antígona.

 

MÚSICA

“Narrativas do Ódio” (# 3 piano apenas), de Neo Muyanga

 

XI.
(Todos os atores no chão, sangue)
Governaram durante anos

Até que outra
praga terrível
ameaçou
novamente a cidade.

As pessoas estavam a morrer
nas ruas,
uma após outra,
e os corpos
espalhavam-se
pelo chão,
mortos.

“Qual é o significado de tudo isto?
Qual é o significado desta tragédia?”
perguntou Édipo.

“Eu vim ver,
com os meus próprios olhos!
Eu, aquele a quem chamam:
Édipo, o grande.
Eu quero saber a verdade.
Eu quero saber porquê que
o meu povo está a ser
morto nas ruas do seu próprio reino!
Um após o outro,
como cães.”

“Eu enviei o irmão
da minha esposa Jocasta
para o templo de Apolo
em Pythien
para saber qual
poderá ser a causa
deste sofrimento.

Eu pessoalmente
conto os dias,
esperando que ele volte
Com uma resposta.

Quando Creon chegou,
anunciou que lhe foi dito, que:
“o assassino de Laois estava vivo,
Impune na cidade de Tebas,
e que o deus Apólo não retiraria
a sua maldição sobre a cidade,
até o assassino ser encontrado,
banido ou morto.

 

XII.
(O coro, movimento do espelho, Kalaf)
Édipo
falou ao seu povo
em frente ao palácio.

“Laios, um homem
que nunca vi!
Seu assassino
está entre nós.
Quem poderá ter feito isto?
Vocês têm que dizer-me a verdade!”

E assim,
surgiu alguém
que podia revelar
tudo:

o profeta cego,
Tirésias,
que era conhecido
por ler o oráculo
dos deuses.

 

XIII.
(Sara retira todos os bancos / tronos)
“Tirésias,
és o nosso último
reduto, profeta!

Precisamos da tua ajuda,
precisamos saber
a verdade.
Por favor, não nos escondas
a verdade.

Salva-nos profeta!
Salva o meu reino!
O meu povo!
Salva-nos a todos
desta morte!”

“Peço-te, por favor, não nos prives do que sabes!”
Mas, Tirésias
recusou-se a falar
e ao invés disso disse
a Édipo que
ele preferia
salvá-lo
da dor
da verdade.

“Não, eu quero saber a verdade!
Como te atreves
a abandonar-nos
neste desespero!”
– reclamou Édipo.

“Precisamos saber!
Precisamos da resposta
a esta tragédia.
O meu povo está a morrer!
O meu reino a desmoronar-se.
Eu insisto!
Eu insisto que nos digas o que sabes.”

Tirésias disse a
Édipo que ele próprio
havia assassinado o homem,
cujo assassino
ele procurava.

“O quê?
Impossível!
Eu nunca vi Laios,
o anterior rei.

Eu sou um bom rei!
Sou um homem que vive na luz!”

Tirésias respondeu que
Édipo era um homem
que vê,
mas que é cego.

Ele era um homem
que não estava ciente de
quem realmente era.

Ele não estava ciente
de que não podia ser
filho dos seus próprios pais,
e não estava ciente
de que ele não era o pai
das suas próprias
crianças.

Ele era o rival
e o assassino
do seu próprio pai.

Um por um,
Tirésias
desmantelou o
reino inteiro.

 

XIV.
(Martha e Moses)
Jocasta veio em sua defesa:

“Não entendo.
Porque não serias tu o pai
dos nossos próprios filhos?
E porque teria o anterior
rei sido morto por ti?”

Édipo
confessou que
tinha cometido
um homicídio há muito tempo;
e que havia
uma profecia,
a razão pela qual
havia deixado Corinto.

“Houve um assassinato,
de facto.” – disse ela,
“Mas um assassinato
cometido
por vários homens,
numa encruzilhada
de três caminhos,
há muito tempo atrás.”

“Tenho de confessar,
havia uma profecia,
que Laios iria
ser morto pelo
seu próprio filho,
mas o nosso filho
foi levado à morte
pelo próprio Laios”
– disse ela.

Édipo percebeu
o que estava a ser dito.

Mesmo assim,
essas confissões
não conseguiam
comprovar
as palavras de
Tirésias.

Então, Édipo
pediu que o mensageiro de Laios
e único sobrevivente
fosse procurado e trazido
ao palácio
imediatamente.

 

XV.
(Zé e Zé com missangas)
Porém, o mensageiro de Corinto
entrou inesperadamente no palácio.

Trazia notícias tristes,
Políbio,
o pai de Édipo
e rei de Corinto,
morrera.

E a sua mãe,
Rainha Peribóia
queria que Édipo
regressasse
e governasse
o reino.

Jocasta
ficou aliviada:
“Estava cheia de medo”,
disse ela.

“Com medo da profecia
de que tu tivesses matado
o teu próprio pai!
Mas, o teu pai acabou de morrer!”

O mensageiro explicou
que Políbio não era seu pai.
Édipo
fora-lhe entregue,
e ele mesmo
o havia trazido
para o palácio
de Corinto.

“Havia um outro homem”
respondeu o mensageiro.
“Um homem que
te levou para a montanha,
tinham-no ordenado
que te deixassem morrer ali.
Mas, ele entregou-te a mim.
Para te salvar.”

O segundo mensageiro
finalmente apareceu
para confirmar
o que o primeiro
havia dito.

“Eu entreguei-te a ele.
Precisamente, a este homem.”

“Foste-me entregue,
Pelos teus próprios pais.
Mas eu não consegui
deixar-te morrer.
Levei-te nos meus braços
e entreguei-te,
secretamente.”

“Levei-te, para te salvar da morte.”

 

XVI.
(Moses nasceu de Martha)
Horrorizados,
ambos tiveram que
reconhecer que eram
esposa e marido.
Mãe e filho.
Uma só carne.

Jocasta correu para o palácio,
e pôs fim à sua própria vida.

Édipo encontrou-a
e furou os seus próprios olhos,
para que nunca mais voltasse
a ver.

 

XVII.

MÚSICA

“Narrativas do Ódio” (# 1, apenas o refrão), de Neo Muyanga

(O suicídio de Jocasta – Martha e Moses, fitas de papel preto)

 

XVIII.
(foto de família – nação)
Esta história pode ser contada
de muitas maneiras diferentes.

Édipo é uma história trágica,
que tem sido contada como
uma história freudiana de desejo:

O desejo da criança
pelo progenitor
de outro sexo,
e a hostilidade para com o
progenitor do
mesmo sexo.

O chamado complexo de Édipo.

Porém, isso não consegue
explicar a realidade
da maioria de nós:

O conceito teria que ser
ampliado, pois
na homossexualidade LGBTQI,
o objeto de amor,
não é aquele
de outro sexo,
mas do mesmo.

E em termos de género,
as mulheres começam
a sua vida numa relação homossexual queer.
Afinal de contas, a mãe,
é o primeiro objeto de amor
e de desejo.

Então, as coisas parecem ser mais multidimensionais …

A história de Édipo
não é apenas
uma história de desejo.
Mas também uma
história de genocídio,
violência e lealdade.

Esta é uma história
que nos diz muito
sobre a insuportável
violência contra pessoas negras
e outros grupos marginalizados.

Uma história que revela muito
sobre a horrível tradição
de exterminar e assassinar
pessoas negras.

O chamado genocídio negro.

 

XIX.
(Moses corre, na frente, até a exaustão, devagar)
Édipo,
filho do rei de Tebas,
que quase foi morto
pelos seus próprios pais,
não tinha intenção
de assassinar
o seu próprio pai.

Porém, fê-lo,
sem saber.

Foi o
o próprio pai,
que viu a criança
como rival,
e que planeou
matá-la,
em primeiro lugar.

Édipo
encontra-se num
conflito edipiano:
ser morto pelo pai
ou matar ele próprio
o seu pai.

Um conflito simbólico
que expõe a rivalidade
intrínseca de uma
relação patriarcal.

Freudianos,
entenderam este conflito
apenas como um conflito na família.

Dizia-se,
que a criança lutava
contra a autoridade masculina,
para estar preparada para
a competitividade
e as exigências agressivas
da vida adulta.

Mas ainda assim,
leais à lei e autoridade,
que elas próprias um dia,
representarão.

No entanto, esta fixação
na família (branca),
ignora as dimensões
histórica e política
deste conflito.

Porque dentro de uma
relação colonial,
por mais que as pessoas marginalizadas,
respeitem a lei, raramente
nos podemos tornar
a autoridade legítima.

Tornamo-nos, em vez disso,
aquelas que são punidas
ou assassinadas
pela própria lei.

Assim escreve Fanon:
“A família é uma
miniatura da nação.
E porque as famílias colonizadas
não espelham as nações coloniais,
as nossas neuroses não surgem
dentro da nossa própria família,
mas em contato com a violência
do mundo branco ”
– que é tão irracional.

 

XX.
(Foto de família, mudanças)
Mas como é que os nossos corpos
se tornam o lugar
onde a violência e o assassinato
podem ser realizados
tão gratuitamente?

Bem, para escapar
à competição terrível
com a figura patriarcal,
no contexto colonial,
o sujeito branco
apresenta-se
como a criança simbólica,
cujo trono
está ameaçado,
pelo Outro, que tem de ser
destruído.

O pai temido,
rival e concorrente
é então substituído
pelo Outro.

E este torna-se
o rival temido e simbólico
que ameaça
a criança simbólica –
o sujeito branco,
que imita o patriarca.

Isto garante-lhe
acesso ao poder,
e permite
que sentimentos positivos
em relação à família e à nação
permaneçam intactos. (lealdade)

Desse modo,
as fantasias assassinas
do conflito edipiano
e o desejo inconsciente
de matar e destruir
a figura patriarcal
são reprimidos e actuados nos
corpos marginalizados,
gratuitamente.

Os corpos negros
tornam-se o lugar
onde o insulto,
humilhação,
punição,
encarceramento,
violência e
assassinato
são executados.

Vivemos num cubo branco,
que tem uma relação muito problemática com a Negritude.

 

XXI.
(Coro)
“O que mais poderia isto ser para mim,
do que uma amputação,
uma exclusão, uma excisão,
uma hemorragia que salpicou
todo o meu corpo
com sangue negro? “  – disse Fanon.

Ele usa a linguagem
do trauma
indicando o doloroso
impacto corporal
e a perda característica
de um colapso traumático.

Pois no racismo,
é-se cirurgicamente removida,
violentamente separada,
de qualquer identidade
que realmente se possa ter.

Um choque,
um choque violento,
violento, não porque não é esperado,
mas, porque é tão desumanizante.

Coloca-nos fora da humanidade.

 

XXII.
(todas … dança final)
Existem pedaços
na nossa história
que parecem bastante
incompreensíveis.

Irracionais.

Eu acho que não há nada
mais traumático
do que lidar com
o irracional.

Lidar com
o facto de que
não se pode aplicar
qualquer razão
à verdade.

Mas no racismo
não há concordância
ao nível da razão.

Tudo sobre ele, é irracional.

Tudo.

Não há nada
que eu mais deseje do que
me libertar dessa
irracionalidade.