Guia de Portugal. Vol. IV – Entre Douro e Minho. Tomo I – Douro Litoral

Pelo nome de comarca de Entre Douro e Minho distinguiu-se, noutros tempos, aquela parte do território português que mais tarde se designou simplesmente com o nome de Minho, compreendida, como o seu primitivo nome indica, entre os rios Minho e Douro, que lhe serviam respetivamente de limite setentrional e meridional; a oeste, punha-se em contacto com o Oceano; a leste, estremava, em parte, com a Galiza (pelas alturas de Castro Laboreiro) e principalmente com a província de Trás-os-Montes, pelos seis concelhos montanhosos de Terras de Bouro, Vieira, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Amarante e Baião.

A razão de ser desta circunscrição territorial repousa, a um tempo, sobre as tradições históricas e sobre as características geográficas.

O rio Minho, apesar de dividir duas regiões semelhantes, foi o extremo limite a que chegaram as nossas conquistas para o norte, tornando-se, por isso, a linha natural que devia separar-nos, primeiro, dos reinos da Galiza e de Leão e, depois, da Espanha unificada. O rio Douro, por seu turno, correspondeu desde tempo muito recuado a uma importante linha de separação: o limite entre a antiga Galiza e a Lusitânia, como depois o foi também entre os reinos de Oviedo e Leão e os territórios ainda sujeitos ao domínio muçulmano. A terra portucalense, onde mais tarde se formou o condado do mesmo nome, tinha esse rio por limite meridional. A oriente, a mesma província confinava com Trás-os Montes, ficando desta província separada […] pela zona montanhosa de que fazem parte as serras de Gerês, da Cabreira e do Marão, dispostas de norte a sul como extensa muralha.

Esta região natural é, pois, como uma espécie de anfiteatro, encostado à região transmontana e voltado para o Oceano. Além de se distinguir nitidamente das regiões vizinhas pelo seu relevo e pela constituição geológica (no Entre Douro e Minho predominam os terrenos graníticos, permeáveis e de fácil lavoura, enquanto em Trás-os-Montes têm maior desenvolvimento os terrenos xistosos, de fácil desagregação e impróprios, portanto, para a formação duma boa terra arável), apresenta características especiais de clima, pela influência benéfica dos ventos marinhos, que imediatamente fazem sentir a sua ação na frequência das precipitações atmosféricas.

 

(Da «Introdução Geográfica» de Amorim Girão)

Ficha técnica

Outras Responsabilidades:

Direção: Santa’Anna Dionísio

Edição:
3.ª ed.
Idioma:
Português
Editado:
Lisboa, 1964
Entidade
Fundação Calouste Gulbenkian
Dimensões:
115 x 170 mm
Capa:
Encadernado
ISBN:
ISBN: 978-972-31-0635-3
Atualização em 06 janeiro 2023

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