Caminhos de Floresta

– Martin Heidegger

Editar Heidegger em língua portuguesa é responder a um tríplice desafio: filosófico, linguístico e cultural.

Filosófico, porque se trata de aceder ao pensamento de um autor que marcou a Filosofia do século XX, ao interpretar a própria tradição filosófica ocidental na sua estrutural historicidade. Ler Heidegger é, assim, entrar em diálogo não somente com ele, mas também, sempre, com as vozes que as palavras de Heidegger deixam falar, numa linguagem mista, em que, muitas vezes, diferentes terminologias e estilos de pensar interferem, unidos no seu peculiar modo de dizer.

A floresta não é, no seu sentido próprio, um mero arvoredo […] é selva, é mato, natureza em estado puro, selvagem. Os caminhos do mato, estreitos e sinuosos, mais que atravessá-lo, levam quem o tenta fazer a descobri-lo como tal, embrenhando-se no seu interior, sem saída. «Perder-se» por esses caminhos é, pois, encontrar a floresta, encontrar-se nela.

(Do Prólogo à edição portuguesa de Irene Borges Duarte)

 

O esforço em torno da realidade efetiva da obra deve preparar o solo para, na obra efetivamente real, encontrarmos a arte e a sua essência. A pergunta pela essência da arte, o caminho para a conhecermos, devem ser trazidos de novo a um fundamento. A resposta à pergunta é, como qualquer resposta autêntica, apenas a saída extrema do último passo de uma longa série de passos interrogativos. Toda a resposta permanece apenas em vigor como resposta enquanto estiver enraizada na pergunta.

(De A origem da obra de arte de Martin Heidegger)

 

Na palavra imagem, pensa-se, à partida, o retrato de algo. De acordo com isso, a imagem do mundo seria como que uma pintura do ente na totalidade […] tal como para nós é paradigmático e vinculativo. A imagem não quer aqui dizer um decalque […]. Imagem do mundo, compreendida essencialmente, não quer, por isso, dizer uma imagem que se faz do mundo, mas o mundo concebido como imagem.

(De O tempo da imagem no mundo de Martin Heidegger)

Ficha técnica

Outras Responsabilidades:

Coord. científica da edição e tradução: Irene Borges-Duarte

Tradução: Irene Borges-Duarte, Filipa Pedroso, Alexandre Franco de Sá, Helder Lourenço, Bernhardt Silva, Vítor Moura e João Constâncio

Revisão da tradução: Helga Hoock Quadrado e Irene Borges-Duarte

Edição:
4.ª
Idioma:
Português
Editado:
Lisboa, 2022
Entidade
Fundação Calouste Gulbenkian
Dimensões:
140 x 220 mm
Capa:
Encadernado
Páginas:
486
Título Original:
Holzwege
ISBN:
978-972-31-0944-3
Atualização em 21 dezembro 2022

Definição de Cookies

Definição de Cookies

A Fundação Calouste Gulbenkian usa cookies para melhorar a sua experiência de navegação, a segurança e o desempenho do website. A Fundação pode também utilizar cookies para partilha de informação em redes sociais e para apresentar mensagens e anúncios publicitários, à medida dos seus interesses, tanto na nossa página como noutras.