Obra completa V: História e crítica literárias, história da ciência

Joaquim de Carvalho

A formação de Joaquim de Carvalho (1892-1958) não foi propriamente a de um filólogo nem a de um professor de Literatura; não foi tão pouco a de um cientista nem a de um historiador de ciências exactas ou naturais. Historiador do pensamento, decerto, pela sua preparação curricular na Faculdade de Letras, e historiador das instituições também graças ao seu curso de Direito, estava especialmente vocacionado para a reflexão crítico-filosófica e para o estudo histórico-institucional.

Mas a sua curiosidade intelectual não o afastava, antes pelo contrário, da investigação dos fenómenos literários e da história da ciência, para os quais um conhecimento sólido da Filosofia o predispunha, graças à familiaridade com os mestres do pensamento que amava, de Platão a Galileu e Espinosa, de Descartes e Leibniz e Husserl.

A sua fina sensibilidade estética movia-o à leitura dos autores mais voltados para o universo do espírito, tendo assim especialmente privilegiado poetas como Antero de Quental, atento à problemática do ser e do existir, e como Teixeira de Pascoais, voltado para o entendimento do homem e do mundo na mesma exegese do mistério essencial da vida.

Joaquim de Carvalho, por isso mesmo, não podia alhear-se nem dos estudos literários nem dos estudos científicos. Este volume V da sua Obra Completa arquiva justamente os escritos que nos legou, referentes a estes dois campos do conhecimento humano e da reflexão crítica.

Se o núcleo fundamental da parte II é formado pelos contributos sobre Pedro Nunes, precedidos de um pórtico acerca do ideal moderno da ciência, esse núcleo tem também, como corolário geral, o estudo sobre «Newton e o ideal da ciência moderna» e, como corolário particular ou português, os dois contributos sobre Jacob de Castro Sarmento e João Jacinto de Magalhães.

Nestes trabalhos demonstra Joaquim de Carvalho mais uma vez a sua capacidade reflexiva de pensamento especulativo e ainda a sua meticulosa atenção à importância que, para Portugal, revestiu a adesão de uma consciência crítica nossa ao progresso científico estrangeiro.

 

(Da introdução de José V. de Pina Martins)

Ficha técnica

Outras Responsabilidades:

Pref. de José V. de Pina Martins

Edição:
1ª ed.
Coordenação editorial:
Fundação Calouste Gulbenkian. Serviço de Educação
Editado:
Lisboa, 1984
Páginas:
Vol. 5, 741 p.
ISBN:
972-31-0733-3

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