PARTIS – Práticas Artísticas para a Inclusão Social – 2ª edição

Projetos apoiados no âmbito da segunda edição do programa PARTIS (2016-2018).

 

1ª edição

 

Forças Combinadas – Chapitô

Durante 36 meses, cerca de 20 jovens sujeitos às medidas mais severas previstas na Lei Tutelar Educativa participam no Forças Combinadas, um projeto desenvolvido pelo Chapitô -Coletividade de Cultura e Recreio de Santa Catarina. Os jovens reclusos do Centro Educativo Padre António de Oliveira (em Caxias) vão criar, com o apoio da equipa artística do Chapitô e de outros mentores identificados para o efeito, uma companhia de circo nos seus vários aspetos, desde a gestão empresarial à criação e apresentação de um espetáculo de novo circo.

Este é o segundo projeto do Chapitô com jovens sob regime prisional apoiado pelo PARTIS. Na primeira edição (2014-2016), o Chapitô desenvolveu o Mala Mágica, com resultados muito positivos e que já tem a sua continuidade assegurada.

 

 

Plante um Músico – Associação Cultural da Beira Interior

O Plante um Músico – Projeto Zéthoven é destinado a crianças do quinto e sexto ano de escolaridade que tenham aptidões artísticas e musicais, mas que venham de famílias carenciadas socioeconomicamente e com dificuldade de acesso a atividades culturais. Cerca de 120 crianças de diferentes agrupamentos escolares das zonas da Covilhã, Fundão e Guarda, vão frequentar ao longo de 36 meses as aulas de música da Escolinha do Zéthoven, da Associação Cultural da Beira Interior (ACBI). O projeto da ACBI pretende contrariar a desertificação e fornecer a crianças carenciadas e isoladas uma formação musical e, eventualmente, para os mais dotados, um percurso profissional. Os participantes terão aulas de duas horas por semana e alguns workshops intensos aos fins-de-semana, onde se vão conhecendo e interagindo, criando redes de convívio e contrariando o grande isolamento em que muitas crianças vivem. Todos os grupos farão um mínimo de três concertos por ano.

 

 

Notas de Contacto – Orquestra de Câmara Portuguesa

Um projeto piloto do Programa Gulbenkian de Desenvolvimento Humano, criado pela Orquestra de Câmara Portuguesa (OCP), e agora apoiado pela segunda edição do programa PARTIS. Durante 36 meses, músicos profissionais da OCP vão dirigir a formação de 25 clientes mais autónomos e outros com deficiência mais profunda da Cerci Oeiras, num total de 105 adultos com vários tipos de deficiência. O objetivo principal é que através do contacto semanal com professores, músicos e terapeutas, os destinatários desenvolvam competências cognitivas que os vão ajudar no dia-a-dia.

 

 

Odisseia – Artemrede

O projeto Odisseia irá envolver, ao longo de três anos, cerca de uma centena de jovens de municípios da área metropolitana de Lisboa, distribuídos por seis grupos. Todos irão receber formação em três componentes artísticas: teatro/dramaturgia, artes de rua/artes circenses e cinema/música. O projeto desenvolvido pela Artemrede conta com a colaboração direta de vários parceiros locais e com a Associação Rumo. Em cada município haverá parceiros da área social e cultural a acompanhar os participantes. As três componentes começam com uma residência artística que servirá de ponto de partida para o desenvolvimento dos projetos nas três áreas.

O Odisseia pretende oferecer formação certificada e, eventualmente, um futuro profissional. Promover a autonomia e capacidade de decisão e aproximar os jovens dos equipamentos e das atividades culturais dos seus municípios são alguns dos objetivos a cumprir.

 

L’Ego do Meu Bairro – Olho.Te

Desenvolvido pela associação OLHO.TE, o projeto L’Ego do meu Bairro destina-se aos habitantes do Bairro da Nazaré, na Ilha da Madeira, um conjunto residencial construído entre o início dos anos 1980 e 2001, cujos espaços se têm vindo a degradar. Neste espaço, só 38% dos quase 5 mil habitantes se encontra na vida ativa, o que resulta em problemas de inclusão social e autoestima dos moradores. O projeto visa especialmente os jovens e crianças em situação de abandono ou insucesso escolar e as pessoas com dificuldade em aceder ao mercado de trabalho.

O objetivo do l’Ego do Meu Bairro é a requalificação simultânea do espaço e das competências pessoais dos seus habitantes. Muitas ações serão de recuperação de espaços públicos, incluindo muros, equipamento e jardins. Haverá workshops de jardinagem e de cerâmica e estão ainda previstas ações de formação para aumentar as competências sociais e criar novas qualificações adequadas ao mercado de trabalho. As formações são variadas, desde o teatro e pintura a disciplinas de empreendedorismo. Outra das vertentes do projeto é ajudar a criar laços com as pequenas comunidades presentes no bairro.

 

 

Fado Dançado – Associação Batoto Yetu Portugal

O Fado Dançado destina-se a jovens do concelho de Oeiras de bairros habitados por uma população maioritariamente proveniente dos PALOP. Partindo de estudos académicos e com o apoio de investigadores e coreógrafos, a Associação Batoto Yetu Portugal recriou o fado dançado que se fazia no início do século XIX, com forte influência africana e brasileira. No século XX o fado dançado perdeu o uso e é esta investigação e esta prática artística que tem desenvolvido que agora a associação quer transmitir aos participantes deste projeto.

Os jovens que se destacarem durante os ensaios e espetáculos poderão vir a integrar o grupo Fado Dançado. Os bairros participantes serão, no primeiro ano, Barronhos (Carnaxide) e Lage (Porto Salvo); no segundo ano será o bairro do Pombal (Oeiras) e no terceiro o Bairro dos Navegadores (Porto Salvo). Os jovens entre os 12 e os 30 anos participarão em workshops intensivos de dança, percussão e guitarra portuguesa. Contribuir para a mudança de mentalidades, aumentar a autoestima destes jovens e criar um produto cultural inovador e de qualidade são os principais objetivos.

 

Integrar pela Arte-Imagine Conceptual – Movimento de Expressão Fotográfica

O projeto do Movimento de Expressão Fotográfica apoiado pela segunda edição do PARTIS destina-se a pessoas com deficiência visual (cegos ou com baixa visão) que pretendam criar um trabalho fotográfico. A ideia é aproximar os cegos e os amblíopes do universo dos normovisuais. Partindo de um trabalho de análise e discussão dentro do grupo, com visitas a museus e teatros, os participantes utilizarão equipamento fotográfico para produzir uma narrativa fotográfica que será depois exposta e publicada num livro inclusivo.

 

 

UNIVERSO283 – Mala Voadora

26 alunos de uma turma do 10.º ano de escolaridade são os destinatários de UNIVERSO283 ,um projeto artístico de intervenção social concebido pela companhia Mala Voadora, em parceria com a Escola de Comércio do Porto, e a A3S – Associação para o Empreendedorismo Social e a Sustentabilidade do Terceiro Sector. O UNIVERSO283 irá acompanhar os alunos de uma turma do Curso Técnico de Vendas desta escola vocacional do 10.º até ao termo do 12.º ano. No final, os jovens vão abrir uma loja na baixa do Porto, um projeto experimental que mistura o teatro duracional (com um horário de expediente) numa loja com características de comércio normal. Os alunos desta escola são provenientes de várias freguesias do Porto e têm uma história de insucesso escolar repetido que os levou a deixar o ensino regular. O objetivo do UNIVERSO 283 é, com apoio de uma equipa artística de grande qualidade, ajudar os alunos a definir um projeto de realização pessoal e profissional.

 

 

Tum,Tum,Tum – Centro Social de Soutelo

O Tum, Tum, Tum, destinado a desempregados e crianças e jovens em risco do concelho de Gondomar, está ancorado no grupo já existente Xilobaldes, uma conhecida banda de percussão cujos instrumentos são feitos com materiais recicláveis. Desenvolvido pelo Centro Social de Soutelo, o Tum, Tum, Tum irá possibilitar, ao longo dos 36 meses de duração, formação musical a mais de 100 jovens e a duas dezenas de adultos portadores de várias deficiências. Os participantes estão divididos em quatro grupos, provenientes do Centro de Reabilitação da Areosa, de Rio Tinto, de São Pedro da Cova e da Foz do Sousa. Todos os quatro grupos vão ter encontros semanais e estão previstas duas atuações por ano.

 

 

Pavilhão Mozart- Só Zerlina ou Così fan tutte? – Sociedade Artística e Musical dos Pousos

A Sociedade Artística e Musical dos Pousos participa pela segunda vez no programa PARTIS. Na primeira edição, com o projeto Ópera na Prisão, foi levado à cena Don Giovanni, de Mozart, obra recriada por reclusos do Estabelecimento Prisional de Leiria (Prisão Escola Jovem). Desta vez, e num projeto previsto para durar 36 meses, no mesmo estabelecimento prisional, os objetivos são mais ambiciosos, uma vez que os participantes já não são apenas os reclusos. Agora os destinatários/participantes abrangem também os guardas prisionais, famílias e amigos. A proporção é de 40 reclusos e 60 ‘outros’. A ópera a recriar é igualmente de Mozart, o Cosí Fan Tutte, e toda a montagem, incluindo cenários e figurinos, é feita pelos participantes. Além da criação do espetáculo, o Pavilhão Mozart inclui a recuperação de um edifício, dos muitos pavilhões degradados da antiga quinta onde está o Estabelecimento Prisional de Leiria. Será um centro de artes performativas, dinamizado pelos reclusos, que estará aberto à comunidade também fora dos muros, a funcionar além dos 36 meses de duração do PARTIS.

 

 

Refúgio e Arte: Dormem mil cores nos meus dedos – Conselho Português Para os Refugiados

O projeto do Conselho Português Para os Refugiados (CPR) destina-se a cerca de 40 jovens refugiados, entre os 14 e os 18 anos, que chegaram a Portugal sem o acompanhamento de um familiar ou adulto e que estão a viver no Centro de Acolhimento de Menores Desacompanhados, em Lisboa. Este é a segunda vez que o PARTIS apoia um projeto do CPR. No anterior, foram feitas oficinas de teatro, enquanto neste serão trabalhadas as artes plásticas, em coordenação com a aprendizagem do português. Esta edição está desenhada para 40 destinatários por ano.

 

 

PA-REDES Clube Intercultural Europeu

Um museu urbano ao ar livre feito pelos próprios moradores e que espelhe as memórias dos bairros sociais João Nascimento Costa e Carlos Botelho, em Lisboa, na freguesia do Beato, é o que vai resultar da intervenção do projeto do Clube Intercultural Europeu denominado PA-REDES. Numa primeira fase, far-se-á o levantamento das memórias e histórias dos bairros, com a participação de toda a comunidade. Paralelamente, irão decorrer ateliês de pintura e desenho, estes mais vocacionados para as crianças e jovens participantes (cerca de 50), que irão pintar cerca de 10 murais nos dois bairros. Os locais a pintar serão definidos em assembleias comunitárias.

 

Geração Soma – Associação Vo’Arte

O projeto Geração Soma, criado pela Associação Vo’ Arte, destina-se especialmente a crianças do ensino básico com Necessidades Educativas Especiais nos agrupamentos de escolas de três freguesias de Lisboa: Parque das Nações, Telheiras e Estrela. Trata-se de um projeto artístico de dança em que será abordada a ideia de super-herói, que começa a ser desenvolvida dentro da sala de aula, com o objetivo investigar quais os “super poderes” de cada um. Dessa investigação e das residências artísticas da companhia de dança da Vo’Arte sairá um espetáculo.

 

Retratos das Ilhas: Bonfim Para Além das Fachadas – Rede Inducar

O objetivo é criar um programa cultural nas ilhas (habitações sociais típicas da cidade do Porto) do Bonfim, envolvendo todos os seus moradores. O projeto de 24 meses de duração da Rede Inducar passa pela fotografia e pelo teatro comunitário. Irá ser feito um levantamento de fotografias antigas e aos 80 destinatários diretos serão dadas máquinas para que captem a vivência das ilhas nos dias de hoje. O projeto envolve toda a população e é um complemento para o aumento da autoestima da população e desenvolvimento de novas competências que os retirem do isolamento.

 

 

Novos Alunos d@ Guilherme Cossoul – Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul

O resultado final será a criação de uma banda filarmónica integrada por crianças entre os 8 e os 14 anos, parte delas sinalizadas pela Junta de Freguesia da Estrela como crianças em risco, provenientes de famílias com carências socioeconómicas. O projeto Novos Alunos d@ Guilherme Cossoul, com duração de 36 meses, destina-se a 30 crianças da Madragoa, da Pampulha, da Rua Possidónio da Silva e da Rua do Possolo. Para ser integrador, embora vise principalmente as crianças em risco, serão convidadas também a participar crianças sem problemas de inclusão social, e todas terão formação de música aos sábados de manhã. Pretende-se ainda a criação de uma escola de música de instrumentos de sopro.

 

 

Contratempo: Grupo de Intervenção Social Através da Música – Associação Nova Aurora

Projeto da Associação Nova Aurora que junta uma tuna de estudantes de Tecnologias da Saúde e os 45 utentes da associação, maioritariamente pessoas com esquizofrenia da área do Porto. Destes, apenas os mais autónomos, cerca de 25, irão participar nos espetáculos, mas todos, de estão envolvidos. Os destinatários vão ter aulas de instrumentos e de canto em conjunto com a tuna e vão criar uma máquina fotográfica artesanal para documentar todo o processo. As aulas que os utentes e os elementos da tuna vão frequentar estão integradas numa unidade curricular do mestrado da Escola Superior de Música, Artes e Espectáculos (ESMAE). O mestrado vai ter disciplinas específicas para este projeto. Além dos espetáculos, está igualmente planeada uma exposição fotográfica com os trabalhos feitos pelos utentes no Centro Português de Fotografia.