Gulbenkian 15-25 Imagina

Uma iniciativa de programação e curadoria cultural destinada a jovens, que se realizou na Fundação Calouste Gulbenkian entre janeiro e julho de 2020.

 

Integrada no projeto europeu ADESTE+, co-financiado pela Europa Criativa, esta iniciativa abriu um espaço de diálogo, escuta e trabalho colaborativo entre a Fundação e um grupo de jovens dos 18 aos 25 anos, para a realização de uma experiência de co-programação que se espera venha a desenhar as linhas base para novos espaços de encontro e participação para o público jovem, assim como novas linhas estratégicas de programação participativa.


O processo do projeto

Prototipagem – experimentar, testar, pensar em conjunto

No coração do ADESTE+ está o desenvolvimento de um conjunto de estratégias de pensamento e acção em torno da metodologia ACED: Audience-Centred Experience Design – promotora de mudança nas instituições culturais. Esta metodologia coloca a experiência do público no centro do trabalho de desenvolvimento e programação nas instituições culturais, promovendo a construção de projetos-piloto para públicos específicos e incentivando experiências de mudança organizacional.

 

Capacity Building Workshops

Para chegar ao projeto Gulbenkian 15-25 Imagina foram realizados workshops, com o apoio da Mapa das Ideias (parceiro português da Fundação Gulbenkian no programa Adeste+), para desenvolver um projeto de Audience Development que envolvesse diferentes departamentos da Fundação.

Os workshops seguiram o modelo metodológico de Design Thinking defendido pelo Adeste+ e envolveram profissionais de diferentes áreas da Fundação Gulbenkian, de forma a potenciar a disseminação de ideias e de promover o trabalho colaborativo e transversal.

Gulbenkian 15-25 Imagina é o protótipo real que surgiu da aplicação desta metodologia.


As fases do projeto

 

Formação 

Fase de pensamento-criação e diálogo

Após uma seleção por open-call, reuniu-se o grupo Gulbenkian 15-25 Imagina com 21 jovens que participaram, entre os meses de janeiro a março de 2020, num processo de pensamento e criação. O resultado deste processo reflete-se no desenho e na produção de uma programação, a partir do olhar destes jovens. © Márcia Lessa

Os Encontros
Apresentação da iniciativa

A formação – primeira fase do projeto – consistiu em encontros semanais que incluíram a participação em eventos culturais e em workshops sobre programação, investigação, produção e direção de cena, comunicação e marketing. Este espaço de aprendizagem abriu-se à discussão e ao debate de todas as áreas relacionadas, com convidados externos e internos da Fundação Gulbenkian, para uma experiência completa de programação.

O que procuramos enquanto programadores?

Frases dos participantes

“É importante e pertinente trazermos novas vozes e novos discursos para a programação”

“Cruzamentos entre públicos para haver relações inesperadas”

“Criar novos ecossistemas, novos discursos novas multiplicidades”

“Criar pontos de encontro, espaço de atrito para criar movimento, diálogo, entrar no mundo do outro, ou entrar com o outro num outro mundo”.

 

A partir de um mapa conceptual de programação, decide-se o que programar e porquê.
Procuram-se os ramos comuns, que mais interessam e com que o coletivo se identifica
Define-se o que se vai programar © Márcia Lessa

 

Desenho da programação

Fase de ideação e investigação

Prevista para os meses de março e abril, esta fase teve de ser repensada e adaptada devido ao plano de contigência para o combate à pandemia Covid-19. O grupo de jovens decidiu manter o plano de definir um marco conceptual e curatorial para uma programação, como lhes foi comissionada no início do projeto, mas adaptou-se, transformou o conceito e pensou numa programação unicamente digital. O passo seguinte foi o de selecionar projetos artísticos, pessoas, experiências ou coletivos que pudessem ser convidados a integrar a programação.

A crise originada pela pandemia Covid-19 obrigou a uma mudança de planos. Os encontros semanais passaram a ser online.
Prevista para os meses de março e abril, a fase de programação para maio 2020 teve de ser repensada e adaptada
O projeto inicial reduziu em ambição e tamanho mas manteve as linhas mestras. O passo seguinte foi definir o novo programa e seleccionar os projetos artísticos, as pessoas e experiências.

Implementação da programação

Fase de realização e produção

Às três principais ideias da matriz inicialmente construída pelos jovens para a programação – habitar, casa comum e ecossistema -, a pandemia veio juntar a noção de corpo, espaço público, visibilidade / invisibilidade, arte e resistência. O grupo reformulou as linhas de ação e procurou fazer refletir na programação o desconcerto do momento que se vivia, criando um ciclo de debates intitulado “Imagina – pensar o futuro agora!”

 

Ciclo Imagina – pensar o futuro agora

Para este ciclo foram convidados artistas, investigadores, performers, ativistas e profissionais da cultura, resultando em três conversas online moderadas pelos jovens.

 

1ª conversa: Os Espaços podem determinar os Corpos que os habitam? Os Corpos podem determinar os Espaços que os habitam?
2ª conversa: Invisibilidades: as ruas e o digital como espaços de manifestação e expressão democrática
3ª conversa: Arte, tecnologia, vigilância. Se a arte é um ato de resistencia, a que resiste?

Reflexão sobre o processo e a produção de um registo/memória

Os meses de junho e julho são dedicados à reflexão sobre o processo e produção resultando num registo-memória das aprendizagens realizadas neste projeto. Os inputs dos jovens foram destacados, com recomendações e sugestões para a programação jovem da Fundação Gulbenkian.

© Hugo Moura

Video: Hugo Moura, Assistência Vídeo: Bruno Oliveira, Edição: Hugo Moura, Música: “Second Time” por Fernando Frias, Legenda e Tradução: Adelaide Richardson

 


 

O ADESTE+ é projeto de cooperação europeu destinado a expandir a participação cultural. Quinze parceiros, de onze cidades em sete países europeus, trabalham juntos por um período de quatro anos para colocar o público no centro das organizações culturais.