Economia Circular da Alimentação e as Cidades

Iniciativa sobre o papel das cidades e zonas periurbanas na economia circular da alimentação.

A iniciativa “Cities and the Circular Economy for Food”, liderada pela Fundação Ellen MacArthur, pretende mobilizar novas abordagens para acelerar a transição para uma economia circular da alimentação nas cidades e zonas periurbanas.

A economia circular da alimentação consiste em:

  • consumir alimentos produzidos de forma regenerativa, e localmente sempre que adequado;
  • aproveitar os alimentos ao máximo;
  • redesenhar e comercializar produtos alimentares que são saudáveis não só do ponto de vista nutricional, mas também pela forma como são produzidos.

As cidades desempenham um papel fundamental na transformação do atual sistema alimentar linear para um verdadeiro sistema circular: 80% dos alimentos serão consumidos nas cidades até 2050.

O primeiro passo desta iniciativa consistiu num estudo para analisar as oportunidades económicas e benefícios alargados que se podem obter se os sistemas alimentares adotarem princípios da economia circular, com enfoque nas cidades e zonas periurbanas. O estudo, apresentado publicamente no dia 24 de janeiro de 2019 no World Economic Forum em Davos, destaca o enorme dano ambiental causado pela produção de alimentos, a qual é atualmente responsável por quase um quarto das emissões globais de gases com efeito de estufa (GEE).

O relatório revela que eliminar resíduos e melhorar a saúde da população através da economia circular da alimentação poderia gerar benefícios anuais equivalentes a USD 2.7 triliões para a economia global. Seriam adicionalmente poupados USD 550 biliões por ano em custos de saúde causados pelo uso de pesticidas; reduzidos significativamente a resistência antimicrobiana, a poluição atmosférica, a contaminação da água e as doenças de origem alimentar; reduzida em 4.3 Gt CO2e a emissão de GEE; evitada a degradação de 15 milhões de hectares de terra arável; e economizados 450 triliões de litros de água doce por ano.

A Fundação Calouste Gulbenkian apoiou esta iniciativa da Ellen MacArthur Foundation desde o início, assegurando que uma cidade portuguesa estava incluída na análise mais detalhada de diferentes sistemas alimentares urbanos de todo o mundo (Bruxelas, Guelph, São Paulo e Porto).

Para o Porto, o relatório concluiu que a colaboração entre os vários municípios da Área Metropolitana poderá levar a um melhor aproveitamento dos alimentos, pois “é possível melhorar e expandir ainda mais os programas existentes de prevenção de resíduos alimentares”, como as iniciativas Refood e Fruta Feia. Só na cidade do Porto “cerca de 14 mil toneladas de comida são desperdiçadas todos os anos”. Ao evitar 50% do desperdício de alimentos comestíveis, a Área Metropolitana do Porto (AMP) pouparia mais de 80 milhões de euros, dos quais quase 10 milhões seriam poupados só na cidade do Porto. A redução dos impactos negativos para a saúde causados pela produção e desperdício de alimentos ajudaria também à resolução de problemas como a desnutrição, além de poderem ser evitadas 92,600 toneladas de emissões de GEE na AMP, com a redução das emissões provenientes da produção de alimentos e do tratamento de resíduos alimentares.

 

O relatório está disponível em: ellenmacarthurfoundation.org

 

Iniciativa liderada por

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