Prémio Vilalva 2012

O projeto de requalificação e de musealização de um conjunto escultórico do século XIX, o Arcano Místico de Madre Margarida do Apocalipse, composto por milhares de pequenas figuras que representam mistérios do Antigo e do Novo Testamento, é o mais recente vencedor do Prémio Vilalva.

O conjunto, da autoria de uma freira clarissa do Convento de Jesus, na Ribeira Grande, Açores, tinha sido classificado como tesouro regional, em 2009, apesar do mau estado de conservação em que se encontrava. A recuperação envolveu não apenas o notável trabalho de restauro do conjunto, como ainda a adaptação da casa onde viveu a freira clarissa e que passou a acolher o tesouro.

O novo espaço, designado Museu do Arcano, é dominado por uma curiosa caixa envidraçada de grandes dimensões, onde, em três prateleiras, são apresentados 92 quadros diferentes sobre episódios bíblicos. Estes episódios, realizados em múltiplos materiais naturais, envolvem mais de 3970 figuras moldadas em massa de farinha aglutinada com goma arábica.

Surpreendido pelo caráter insólito e singular deste conjunto praticamente desconhecido, o júri, composto por António Lamas, José Sarmento de Matos, José Pedro Martins Barata, Dalila Rodrigues e Rui Esgaio, teve em conta não apenas o projeto museológico, como também toda a investigação e publicações produzidas. Distinguiu, simultaneamente, uma obra de arte, que considerou “de uma beleza naïve, mas refletindo conhecimentos de indumentária e iconografia erudita, poética e quase surrealista”, salientando que o prémio permitirá dar “visibilidade nacional e internacional a este tesouro dos Açores”.

O Arcano Místico pertence à Confraria do Santíssimo Sacramento da Igreja Matriz da Senhora da Estrela e foi candidatado pela Câmara Municipal da Ribeira Grande (Açores). O projeto é da autoria do ateliê de Carlos Almeida Marques, um ateliê com larga experiência em projetos públicos e que tem ainda colaborado em planos municipais de ordenamento do território, na elaboração de planos estratégicos e no desenho de parques urbanos.

O ateliê Triplinfinito desenvolveu o projeto de museografia e  de comunicação gráfica, bem como o projeto de sinalética e materiais de merchandising para a loja-museu. 

O prémio, no valor de 50 mil euros, foi criado pela Fundação Gulbenkian em homenagem ao filantropo Vasco Vilalva e distingue, anualmente, um projeto de intervenção exemplar no âmbito do património. No ano passado, premiou um projeto de recuperação de um edifício pombalino na Baixa de Lisboa, da autoria do ateliê José Adrião Arquitetos.

O Prémio foi entregue no dia 3 de maio ao presidente da Câmara da Ribeira Grande.

 

atualizado a 03.05.2013