Fundação Amazonas Sustentável

Prémio Calouste Gulbenkian 2016

A Fundação Amazonas Sustentável é a grande vencedora do Prémio Calouste Gulbenkian 2016. No valor de 250 mil euros, o prémio, criado em homenagem ao fundador, será entregue pelo Presidente da República no dia 20 julho, quarta-feira, às 18h30, no Anfiteatro ao Ar Livre da Fundação, seguindo-se um concerto pela Orquestra Gulbenkian.

O júri do Prémio Calouste Gulbenkian, presidido por Jorge Sampaio, distinguiu, entre 75 candidaturas, uma organização ambiental brasileira que se tem destacado na defesa da floresta do Amazonas e das suas comunidades. O júri enalteceu a ação desta organização que, operando numa “zona mundialmente tão crítica como a Amazónia” desenvolve projetos para “reduzir o desmatamento, preservar a biodiversidade contribuindo para melhorar a qualidade de vida das populações tradicionais”. O júri sublinhou que esta distinção representa “um sinal forte” da importância das questões ambientais num ano marcado por um acordo histórico sobre as alterações climáticas assinado, na ONU, por um número recorde de países.

Criada em 2007 pelo Banco Bradesco em parceria com o Governo do Estado do Amazonas, a Fundação Amazonas Sustentável é uma organização brasileira não governamental sem fins lucrativos, que tem como missão a defesa e a valorização da floresta, promovendo o envolvimento sustentável, a conservação ambiental e a melhoria da qualidade de vida das comunidades ribeirinhas do Estado do Amazonas. Para tal, tem vindo a implementar, com grande sucesso, vários programas que, em 2015 envolveram 574 comunidades, beneficiando mais de 40 mil pessoas.

Virgílio Viana, Diretor-Geral da Fundação Amazonas Sustentável, que estará presente na Fundação Gulbenkian para receber o prémio, manifestou-se “honrado” e “reconhecido” pela obtenção Prémio Calouste Gulbenkian, dedicando-o a toda a equipa da Fundação Amazonas Sustentável, “que se envolve de maneira apaixonada e com muita seriedade e profissionalismo nos enormes desafios relacionados com a promoção do desenvolvimento sustentável e com a conservação ambiental e a melhoria da qualidade vida das populações ribeirinhas da Amazónia” De acordo com Viana, “os recursos serão destinados a programas e projetos desenvolvidos junto das centenas de comunidades com as quais a FDA atua no interior do Estado”, acrescentando que “tal como todos os recursos recebidos pela Fundação Amazonas Sustentável, este recurso será auditado pela pWc e será enviado à Fundação Calouste Gulbenkian um relatório detalhando o investimento do prémio”.

Nos projetos da Fundação Amazonas Sustentável destaca-se o Programa Bolsa Floresta, que representa um marco histórico no esforço para um desenvolvimento sustentável do Amazonas. No âmbito deste programa, a Fundação tem promovido oficinas dirigidas às famílias ribeirinhas sobre mudanças climáticas, serviços ambientais, alertando para os efeitos negativos da abertura de novas áreas de roçado em florestas primárias. Já o Programa de Educação e Saúde desenvolve esforços para ampliar e a qualificar a oferta de serviços públicos de saúde e de educação nas comunidades, utilizando uma infraestrutura existente (Núcleos de Conservação e Sustentabilidade) para implementar projetos de qualificação profissional, empreendedorismo, atenção integral à primeira infância, intercâmbio de saberes, inventivo à leitura, reciclagem de resíduos sólidos e práticas agroecológicas e de permacultura. Também o Programa de Soluções Inovadoras tem encorajado projetos para melhorar a produção, a qualidade dos produtos e o rendimento das populações por meio dos dispositivos e equipamentos inovadores, incentivando boas práticas e procedimentos de segurança.

A Fundação Amazonas Sustentável conta com o apoio de várias empresas privadas e cooperação internacional como o Banco Bradesco, Fundo Amazônia-BNDES, Samsung e Coca-Cola Brasil, entre outras.

O prémio Calouste Gulbenkian será entregue no Anfiteatro ao ar livre, no Dia do Fundador, 20 de julho, numa cerimónia que contará com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente da Fundação Gulbenkian, Artur Santos Silva, Jorge Sampaio, e Neliton Marques e Virgílio Viana, em representação da Fundação Amazonas Sustentável.

Seguir-se-á um concerto pela Orquestra Gulbenkian, dirigida por Pedro Neves, com o pianista Mário Laginha. Será ao som da quinta sinfonia de Beethoven que terminam as celebrações dos 60 anos da Fundação Gulbenkian iniciadas com uma vasta programação de concertos, sessões de cinema, workshops e exposições que animaram o Jardim Gulbenkian e outros espaços da Fundação ao longo das últimas semanas.

 

Prémio Gulbenkian

No valor de 250 mil euros o Prémio Calouste Gulbenkian é atribuído a uma instituição ou a uma pessoa, portuguesa ou estrangeira, que se tenha distinguido na defesa dos valores essenciais da condição humana. Foi atribuído pela primeira vez em 2012 à West-Eastern Divan Orchestra, a formação liderada por Daniel Barenboim, tendo nos anos seguintes, contemplado, respetivamente, a Biblioteca de Alexandria (2013), a Comunidade de Santo Egídio (2014), e Denis Mukwege (2015), o médico congolês que tem dedicado a sua vida a assistir mulheres vítimas de violação na República Democrática do Congo.

O Júri do Prémio Calouste Gulbenkian é constituído por Jorge Sampaio (Presidente), Vartan Gregorian (Carnegie Corporation, EUA), Comandante Pedro Pires (antigo Presidente da República de Cabo Verde), SAR Princesa Rym Ali da Jordânia (fundadora Jordan Media Institute), António Nóvoa (antigo reitor da Universidade de Lisboa) e Mónica Bettencourt-Dias (investigadora Instituto Gulbenkian de Ciência).