Energia fotovoltaica no futuro de Moçambique

Rosa Chilundo tem 34 anos, é moçambicana, aluna da primeira edição do doutoramento em Ciência de Tecnologia de Energia da Universidade Eduardo Mondlane, em Moçambique, entidade parceira da Fundação Calouste Gulbenkian desde há décadas. Ao longo de seis meses, Rosa Chilundo esteve no Instituto Superior Técnico, ao abrigo do programa de estágios científicos apoiado pela Fundação e pela REN – Redes Energéticas Nacionais e que tem como objetivo a internacionalização dos investigadores moçambicanos e o contacto com a ciência e as ferramentas usadas fora do seu país.

Docente de Física e Eletrónica da Universidade Pedagógica de Moçambique, Rosa Chilundo, que foi um dos quatro doutorandos escolhidos por aquele programa de estágios, não hesita em elogiar a experiência: “A internacionalização e o contacto com outro tipo de investigadores é muito importante. Entender a dinâmica da ciência noutros lugares, com uma maior disponibilidade e melhor gestão do tempo, é muito útil.”

A investigação de Rosa Chilundo consiste no desenvolvimento e avaliação do potencial dos sistemas fotovoltaicos na irrigação, no caso específico dos campos de plantação de tomate. “O excedente da produção do tomate é desperdiçado”, explica, “não há formas de conserva, nem sistemas de refrigeração e poucos sistemas de processamento. O objetivo é usar a energia restante nesse sentido, para as épocas de menor produção.”

Apesar de estar a trabalhar diretamente na cultura do tomate, a investigadora admite que, “ao estar próximo de povoações, o que resta da energia usada para irrigação pode servir para uso doméstico do agricultor”.

Em Moçambique, só cerca de 27 por cento da população tem acesso a energia elétrica, um nível de eletrificação muito baixo que se deve à elevada dispersão da população. “Prolongar a rede elétrica, de modo a fazê-la chegar às áreas rurais mais remotas, é muito dispendioso, para um consumo que é muitas vezes mínimo, como uma lâmpada, um rádio ou uma televisão”, diz. Para Rosa Chilundo, a energia fotovoltaica reveste-se de enorme importância no seu país, uma vez que pode ser usada de forma descentralizada, em pequenos sistemas autónomos, que permitem alimentar uma casa, ou uma pequena rede para servir uma comunidade.

Atualmente, já trabalha com o núcleo de eletrónica e de energias renováveis da Universidade Pedagógica, onde desenvolve projetos de eletrificação rural e promoção de acesso a energia de baixo custo, através de sistemas fotovoltaicos.

Moçambique tem feito grandes avanços na área de sistemas descentralizados, com o Fundo Nacional de Energia e o Atlas das Energias Renováveis, onde estão sinalizadas as zonas com diferentes tipos de potencial de energias renováveis. Rosa Chilundo saúda as melhorias e quer continuar a investigar e a resolver problemas concretos no seu país. “Quero avançar para post doc, mesmo que seja numa universidade fora, mas o campo experimental, de estudo e de resolução de problemas, deve ser Moçambique.”