Discutir as soluções climáticas no “coração” do planeta
Arrancou no dia 10 de novembro, a COP30 das Nações Unidas. Este fórum global reúne, anualmente, representantes dos governos de quase 200 países, bem como organizações da sociedade civil, universidades, centros de investigação e ciência, empresas e instituições filantrópicas, sendo um espaço privilegiado de decisão política climática, onde se negoceiam e decidem ações concretas para enfrentar as alterações climáticas.
COP30: porque é importante?
Iniciada no Rio de Janeiro em 1992, a COP tem sido um momento determinante para a negociação de metas globais para o combate às alterações climáticas.
Em 2015, foi palco da assinatura do Acordo de Paris, um tratado internacional histórico que determinou limitar o aumento da temperatura média global a 1,5ºC em relação aos níveis pré-industriais, entre outros compromissos que pretendem reduzir emissões de gases com efeito de estufa, proteger ecossistemas e apoiar as comunidades mais vulneráveis.
Transformar compromissos políticos em ações concretas tem-se relevado, no entanto, um desafio. O cumprimento da primeira década deste Acordo fará, por isso, da COP30 um momento crucial, uma vez que será feita uma avaliação coletiva sobre a progressão mundial no combate às alterações climáticas (Global Stocktake), identificando lacunas e ações urgentes a implementar, de forma a reorientar os planos climáticos nacionais dos países signatários (Nationally Determined Contributions).
Esta COP decorre, ainda, num contexto marcado por avanços e retrocessos. Por um lado, cresce a consciência pública sobre a urgência climática e são alcançadas mudanças positivas nos padrões de produção energética, nomeadamente através do aumento da capacidade instalada de energias renováveis (só em Portugal, houve um aumento de quase 75% dessa capacidade, desde 2015).
Por outro, alguns países têm vindo a recuar nos compromissos anteriormente assumidos, enquanto as emissões globais permanecem elevadas e os seus impactos se intensificam, traduzindo-se em secas severas, degradação de ecossistemas e perda de biodiversidade.
Neste contexto, a localização da COP30 assume um significado especial: pela primeira vez, o debate climático decorre num dos ecossistemas mais críticos e vitais do planeta – a Amazónia –, colocando no centro do mesmo dimensões como justiça climática, proteção das florestas tropicais ou o papel dos povos indígenas e das comunidades locais na ação climática.
A participação da Fundação Calouste Gulbenkian na COP
Nos últimos anos, a Fundação Calouste Gulbenkian tem marcado presença regular nas COP, como parte do seu trabalho em áreas como a ação climática, gestão sustentável dos recursos naturais, proteção e valorização do oceano, transição energética justa ou proteção da biodiversidade.
A presença neste fórum das Nações Unidas tem contribuído não só para aumentar a visibilidade internacional do trabalho feito neste âmbito, como também para construir pontes colaborativas, acompanhar as negociações climáticas globais e aumentar o conhecimento sobre soluções emergentes que estão a ser desenvolvidas em Portugal e noutras regiões do mundo.
Integrada na delegação portuguesa, a Fundação Calouste Gulbenkian será responsável pela organização de duas sessões públicas no Pavilhão de Portugal.
Restoring the Atlantic Forest: A Success Story from Gulbenkian Prize for Humanity winners
A primeira sessão realiza-se no dia 18 de novembro, pelas 20:00 de Lisboa (17:00 na hora local de Belém), e destacará o percurso inspirador da brasileira Lélia Wanick Salgado, vencedora do Prémio Gulbenkian para a Humanidade em 2023, pela sua dedicação ao Instituto Terra, organização de que é fundadora e que tem restaurado vastas áreas da Mata Atlântica, no Brasil, um ecossistema vital para a estabilidade do planeta.
A sessão arranca com uma apresentação do reputado cientista climático Johan Rockström, jurado do Prémio Gulbenkian para a Humanidade, sobre o papel dos sumidouros de carbono, como a Amazónia, e a necessidade urgente de os proteger.
Segue-se uma conversa entre Lélia Salgado e Juliano Salgado, Presidente do Instituto Terra, em que será partilhada a experiência no restauro ecológico de uma floresta de grande escala, no aumento da biodiversidade na região e no envolvimento das comunidades locais neste trabalho.
Na mesma ocasião, será anunciada a abertura do período de nomeações do Prémio Gulbenkian para a Humanidade 2026, que se estende até 30 de janeiro de 2026.
Changing Climates, Changing Minds: Public Perceptions in Portugal
Este é o título da sessão que se realiza no dia 20 de novembro, pelas 18:45 de Lisboa (15:45 na hora local de Belém), onde será apresentado o estudo Clima de Mudança, que analisou a forma como os cidadãos portugueses percecionam e respondem aos desafios ambientais e como o setor das ONG ambientais comunica o seu trabalho e interage com o público em geral.
As conclusões serão discutidas numa mesa redonda que reunirá representantes de ONG ambientais, que contribuirão com perspetivas sobre o movimento climático juvenil, preocupações geracionais ou sobre abordagens inovadoras para envolver os cidadãos na ação climática.
Ambas as sessões serão transmitidas online no canal Youtube do Ministério do Ambiente e da Energia.
Com esta participação na COP30, a Fundação Gulbenkian vai ao “coração” do planeta reafirmar o seu papel na promoção da ação climática e da proteção da biodiversidade, tanto em Portugal como no resto do mundo.