Discutir as soluções climáticas no “coração” do planeta

A Fundação Calouste Gulbenkian volta a participar na Conferência das Nações Unidas dedicada ao combate às alterações climáticas que, na sua 30.ª edição, decorre na cidade brasileira de Belém do Pará, em plena floresta amazónica.
13 nov 2025

Arrancou no dia 10 de novembro, a COP30 das Nações Unidas. Este fórum global reúne, anualmente, representantes dos governos de quase 200 países, bem como organizações da sociedade civil, universidades, centros de investigação e ciência, empresas e instituições filantrópicas, sendo um espaço privilegiado de decisão política climática, onde se negoceiam e decidem ações concretas para enfrentar as alterações climáticas.

COP30: porque é importante?

Iniciada no Rio de Janeiro em 1992, a COP tem sido um momento determinante para a negociação de metas globais para o combate às alterações climáticas.

Em 2015, foi palco da assinatura do Acordo de Paris, um tratado internacional histórico que determinou limitar o aumento da temperatura média global a 1,5ºC em relação aos níveis pré-industriais, entre outros compromissos que pretendem reduzir emissões de gases com efeito de estufa, proteger ecossistemas e apoiar as comunidades mais vulneráveis.

Transformar compromissos políticos em ações concretas tem-se relevado, no entanto, um desafio. O cumprimento da primeira década deste Acordo fará, por isso, da COP30 um momento crucial, uma vez que será feita uma avaliação coletiva sobre a progressão mundial no combate às alterações climáticas (Global Stocktake), identificando lacunas e ações urgentes a implementar, de forma a reorientar os planos climáticos nacionais dos países signatários (Nationally Determined Contributions).

Esta COP decorre, ainda, num contexto marcado por avanços e retrocessos. Por um lado, cresce a consciência pública sobre a urgência climática e são alcançadas mudanças positivas nos padrões de produção energética, nomeadamente através do aumento da capacidade instalada de energias renováveis (só em Portugal, houve um aumento de quase 75% dessa capacidade, desde 2015).

Por outro, alguns países têm vindo a recuar nos compromissos anteriormente assumidos, enquanto as emissões globais permanecem elevadas e os seus impactos se intensificam, traduzindo-se em secas severas, degradação de ecossistemas e perda de biodiversidade.

Neste contexto, a localização da COP30 assume um significado especial: pela primeira vez, o debate climático decorre num dos ecossistemas mais críticos e vitais do planeta – a Amazónia –, colocando no centro do mesmo dimensões como justiça climática, proteção das florestas tropicais ou o papel dos povos indígenas e das comunidades locais na ação climática.

Vista de Belém do Pará
Vista de Belém do Pará © Alex Ferro/COP30

A participação da Fundação Calouste Gulbenkian na COP

Nos últimos anos, a Fundação Calouste Gulbenkian tem marcado presença regular nas COP, como parte do seu trabalho em áreas como a ação climática, gestão sustentável dos recursos naturais, proteção e valorização do oceano, transição energética justa ou proteção da biodiversidade.

COP28, Dubai (Emirados Árabes Unidos), em 2023 © DR

A presença neste fórum das Nações Unidas tem contribuído não só para aumentar a visibilidade internacional do trabalho feito neste âmbito, como também para construir pontes colaborativas, acompanhar as negociações climáticas globais e aumentar o conhecimento sobre soluções emergentes que estão a ser desenvolvidas em Portugal e noutras regiões do mundo.

Integrada na delegação portuguesa, a Fundação Calouste Gulbenkian será responsável pela organização de duas sessões públicas no Pavilhão de Portugal.

Restoring the Atlantic Forest: A Success Story from Gulbenkian Prize for Humanity winners

A primeira sessão realiza-se no dia 18 de novembro, pelas 20:00 de Lisboa (17:00 na hora local de Belém), e destacará o percurso inspirador da brasileira Lélia Wanick Salgado, vencedora do Prémio Gulbenkian para a Humanidade em 2023, pela sua dedicação ao Instituto Terra, organização de que é fundadora e que tem restaurado vastas áreas da Mata Atlântica, no Brasil, um ecossistema vital para a estabilidade do planeta.

Lélia Wanick Salgado recebeu o Prémio Gulbenkian para a Humanidade em 2023 © Márcia Lessa

A sessão arranca com uma apresentação do reputado cientista climático Johan Rockström, jurado do Prémio Gulbenkian para a Humanidade, sobre o papel dos sumidouros de carbono, como a Amazónia, e a necessidade urgente de os proteger.

Segue-se uma conversa entre Lélia Salgado e Juliano Salgado, Presidente do Instituto Terra, em que será partilhada a experiência no restauro ecológico de uma floresta de grande escala, no aumento da biodiversidade na região e no envolvimento das comunidades locais neste trabalho.

Na mesma ocasião, será anunciada a abertura do período de nomeações do Prémio Gulbenkian para a Humanidade 2026, que se estende até 30 de janeiro de 2026.

Changing Climates, Changing Minds: Public Perceptions in Portugal

Este é o título da sessão que se realiza no dia 20 de novembro, pelas 18:45 de Lisboa (15:45 na hora local de Belém), onde será apresentado o estudo Clima de Mudança, que analisou a forma como os cidadãos portugueses percecionam e respondem aos desafios ambientais e como o setor das ONG ambientais comunica o seu trabalho e interage com o público em geral.

As conclusões serão discutidas numa mesa redonda que reunirá representantes de ONG ambientais, que contribuirão com perspetivas sobre o movimento climático juvenil, preocupações geracionais ou sobre abordagens inovadoras para envolver os cidadãos na ação climática.

Ambas as sessões serão transmitidas online no canal Youtube do Ministério do Ambiente e da Energia

Com esta participação na COP30, a Fundação Gulbenkian vai ao “coração” do planeta reafirmar o seu papel na promoção da ação climática e da proteção da biodiversidade, tanto em Portugal como no resto do mundo.

Definição de Cookies

Definição de Cookies

Este website usa cookies para melhorar a sua experiência de navegação, a segurança e o desempenho do website. Podendo também utilizar cookies para partilha de informação em redes sociais e para apresentar mensagens e anúncios publicitários, à medida dos seus interesses, tanto na nossa página como noutras.