9 Novembro 2020 Museu Calouste Gulbenkian

Cruzeiro Seixas (1920-2020)

Pepe Diniz, «Cruzeiro Seixas», 1980. Papel fotográfico. Coleção Moderna

A Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian lamenta profundamente o desaparecimento de Artur do Cruzeiro Seixas, “uma referência fundamental das artes e das letras em Portugal e na Europa, e que foi, até nos deixar, com quase cem anos, uma presença permanente de vitalidade e de capacidade criadora”. Isabel Mota salientou ainda que a Fundação Calouste Gulbenkian “orgulha-se de ter entre os seus bolseiros um Artista de tão grande importância, contando com obras relevantes de sua autoria na Coleção Moderna.”

Figura incontornável do Surrealismo em Portugal, Cruzeiro Seixas faria 100 anos no próximo dia 3 de Dezembro. Representado na Coleção Moderna do Museu Calouste Gulbenkian com 38 trabalhos, Cruzeiro Seixas deixa uma obra vasta e incontornável, feita em múltiplos suportes, desde a pintura e o desenho, à escultura-objeto, ao caderno ou livro de artista.

Artur Cruzeiro Seixas, «O 3º combate», 1968. Tinta da China, guache e colagem sobre papel. Coleção Moderna

Recusando ser rotulado de «artista», Cruzeiro Seixas via-se como “um tipo que faz coisas». Preferia a criação que brota dos dedos, da pele e de todo o ser, muitas vezes para dentro da gaveta de secretárias de empregos de subsistência, que impunham o pequeno formato. Fundador do grupo «Os Surrealistas», com Mário de Cesariny, Mário Henrique Leiria ou Carlos Calvet, ente outros, Cruzeiro Seixas deixa igualmente uma imensa obra imaterial pelos vários anos em que, como programador cultural, incentivou e apoiou a carreira de muitos artistas, com especial destaque para Paula Rego, António Areal, Sarah Affonso, ou Mário Botas, apresentando ainda em Portugal obras do Grupo Cobra ou de Henri Michaux, para citar apenas dois exemplos.

Várias iniciativas foram programadas para assinalar os 100 anos de Cruzeiro Seixas, uma data que todos os seus admiradores e amigos esperavam celebrar ainda em vida do artista.