Crianças surdas “sem barreiras” em S. Tomé e Príncipe

Projeto-piloto vai criar língua gestual no país

A criação de uma estrutura educativa adequada às necessidades das  crianças surdas são-tomenses é um dos objetivos do projeto “Sem Barreiras”, que conta com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian através do Programa Gulbenkian Parcerias para o Desenvolvimento.

“Sem Barreiras” pretende contribuir para a melhoria da qualidade de vida da comunidade surda em São Tomé e Príncipe, que se estima constituir mais de 3% da população, intervindo na prevenção e combate à surdez e ao isolamento do deficiente auditivo. O projeto prevê a integração do rastreio auditivo neonatal universal no Plano Nacional de Saúde, o rastreio audio-fonológico e rastreio cognitivo das crianças sinalizadas com surdez; a criação da língua gestual são-tomense; e o apoio ao Ministério da Educação, Cultura e Formação para integrar a língua gestual são-tomense no currículo do ensino especial.

A frequência elevada de surdez nas crianças deste país foi detetada numa missão da especialidade de otorrinolaringologia, liderada pelo Professor Doutor João Paço, do Hospital CUF Infante Santo, no âmbito do projeto “Saúde para todos”, criado em 2003 e que se destina aos cuidados de saúde primários e às especialidades médicas, através de missões de curta duração de especialistas portugueses.

“Sem barreiras” é um projeto piloto que decorre até final de 2014, promovido pela Universidade Católica Portuguesa, o Serviço do Otorrinolaringologia do Hospital CUF Infante Santo, o Instituto Marquês Valle Flor, e conta com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e do Ministério da Educação, Cultura e Formação e do Ministério dos Assuntos Sociais de São Tomé e Príncipe.