Comunidade de Santo Egídio

Prémio Calouste Gulbenkian 2014

A Comunidade de Santo Egídio é a vencedora do Prémio Calouste Gulbenkian 2014. No valor de 250 mil euros, o Prémio foi entregue dia 21 de julho, segunda-feira, às 18h, na sede da Fundação.

De um conjunto de cerca de seis dezenas de nomeações recebidas, o júri, presidido por Jorge Sampaio, decidiu atribuir o Prémio Gulbenkian 2014 à Comunidade de Santo Egídio, movimento católico fundado em 1968 por Andrea Riccardi, que se tem distinguido pelo apoio aos menos favorecidos e pelos esforços para alcançar a paz no mundo, quer através da mediação em conflitos quer através do diálogo inter-religioso.

Também conhecida como a ”pequena ONU do Trastevere”, bairro romano onde se situa a sua sede, a Comunidade de Santo Egídio é uma organização não-governamental que agrega atualmente cerca de 60 mil leigos em mais de 70 países do mundo, que se dedicam a promover o diálogo ecuménico e apoiar, a título voluntário, pessoas sem abrigo, idosos, presidiários (especialmente condenados à morte), deficientes, vítimas de guerras e imigrantes.

A Comunidade desenvolve iniciativas de cooperação e desenvolvimento em muitos países de África, América Latina e Ásia e em 1992 contribuiu decisivamente para o tratado de paz que acabou com a guerra civil em Moçambique. Este ano tem estado presente em várias áreas de conflito, apoiando os esforços de diálogo para promover a paz em países como a Guatemala, o Burundi, a Argélia, o Darfur, a Costa do Marfim, a República Centro-Africana e a região do Grandes Lagos, entre outros locais.  Cerca de um terço dos membros da Comunidade vive em África ou nos países do hemisfério Sul.

Nos países lusófonos bem como noutros países de África subsariana, a comunidade atua fundamentalmente através do programa DREAM (Drug Resource Enhancement against AIDS and Malnutrition), um do mais eficazes programas de combate à sida e à malnutrição, e através da campanha BRAVO, que tem por objetivo registar a população, contribuindo para acabar com o número exorbitante de “crianças invisíveis” em África.

 

Prémio Calouste Gulbenkian

O Prémio Calouste Gulbenkian, no valor de 250 mil euros, é atribuído a uma instituição ou a uma pessoa, portuguesa ou estrangeira, que se tenha distinguido na defesa dos valores essenciais da condição humana. Foi atribuído pela primeira vez em 2012 à West-Eastern Divan Orchestra, a formação liderada por Daniel Barenboim e no ano seguinte à Biblioteca de Alexandria.

O Júri do Prémio Calouste Gulbenkian é constituído por Jorge Sampaio (Presidente), Vartan Gregorian (Carnegie Corporation, EUA), Comandante Pedro Pires (antigo Presidente da República de Cabo Verde), SAR Princesa Rym Ali da Jordânia (fundadora Jordan Media Institute), António Nóvoa (Professor Catedrático) e Mónica Bettencourt-Dias (investigadora Instituto Gulbenkian de Ciência).

A cerimónia de entrega do Prémio contará com a presença de Artur Santos Silva, presidente da Fundação Gulbenkian, Jorge Sampaio, e Marco Impagliazzo, presidente da Comunidade de Santo Egídio.