Como regenerar a natureza com a economia circular?

Estudo da Fundação Ellen MacArthur mostra como as grandes empresas da cadeia agroalimentar têm nas mãos uma grande oportunidade para promover a sustentabilidade.

Mais de 90% da perda de biodiversidade deve-se atualmente à extração e processamento de recursos naturais. De igual modo, a forma como fabricamos e usamos produtos e alimentos é responsável por 45% das emissões de gases de efeito estufa. Grande parte desse impacto no ambiente é, pois, causado pela indústria alimentar.

As grandes marcas da indústria bem como as grandes cadeias de distribuição têm alguma influência na forma como os recursos naturais são colhidos e processados. A título de exemplo, note-se que na União Europeia e no Reino Unido, 40% das colheitas agrícolas são encaminhadas para as 10 maiores marcas alimentícias e supermercados. Este setor pode, assim, passar de ser parte do problema para ser parte da solução.

O estudo The big food redesign: Regenerating nature with the circular economy, levado a cabo pela Fundação Ellen MacArthur, no âmbito de um projeto com o apoio da Fundação Gulbenkian, demonstra como uma nova abordagem – repensando os ingredientes utilizados e a forma como são transformados, na tomada de decisão sobre o seu sabor e como os produtos são apresentados – as empresas agroalimentares e de distribuição podem oferecer escolhas mais equilibradas tanto para os produtores, como para os consumidores e o ambiente.

Conjugando quatro soluções – diversificar os ingredientes, usar ingredientes de impacto reduzido, aproveitar ingredientes que eram desperdiçados ou ingredientes produzidos de forma regenerativa – os grandes produtores e distribuidores poderão contribuir decisivamente para a reversão da perda de biodiversidade e a descarbonização e, simultaneamente, para aumentar o lucro dos agricultores e aumentar as oportunidades de crescimento provenientes de uma alteração da procura dos consumidores.

Como defende Ellen MacArthur, “as empresas alimentares têm uma enorme oportunidade para tornar a alimentação ‘nature-positive’ uma norma.”

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Atualização em 19 outubro 2021