As pessoas não sabem bem o que é o cancro, diz Manuel Sobrinho Simões.

Uma exposição interativa sobre prevenção do cancro, dirigida a alunos do ensino secundário, vai ser apresentada na Fundação Calouste Gulbenkian,  de 26 a 31 de janeiro, pelo Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto.

 “As pessoas não sabem bem o que é o cancro”, diz Manuel Sobrinho Simões.“

‘Aquela ideia de que fumar faz mal não tem funcionado em Portugal. A prevenção é, antes de mais nada, comportamental, e nós temos tido uma experiência terrível’, alerta o diretor do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular (IPATIMUP), Manuel Sobrinho Simões, que refere o aumento continuado do número de jovens mulheres fumadoras, como um sinal de que as jovens não estão sensíveis à ideia de que fumar ‘faz muito mal’. Para contrariar esta tendência, ao longo de uma semana, no final de janeiro, cerca de 800 jovens de duas dezenas de escolas secundárias da área de Lisboa serão acompanhados por investigadores e especialistas do IPATIMUP, ‘todos cientistas entre os 25 e os 35 anos’, em visitas guiadas à exposição Cancro Ponto e Vírgula e em sessões de discussão em torno de filmes sobre a prevenção do cancro, na Fundação Calouste Gulbenkian, num ambiente de contacto informal.

Usando o conhecimento real de seis cancros muito frequentes – cólon/reto, estômago, tiroide, pele, colo do útero e mama –, e dos quais o IPATIMUP tem muita experiência, pretende-se que os jovens percebam como é que aqueles cancros surgem e como se pode evitá-los. “No fundo, é uma literacia de compreensão para a prevenção”, resume o professor catedrático que, ao fim de mais de 40 anos de ensino, continua a dar aulas práticas todas as quintas-feiras às oito e meia da manhã. “Sou professor, depois sou médico e depois sou vagamente cientista, para ser melhor professor.” Depois da forte afluência de público à Câmara Municipal do Porto, onde o IPATIMUP organizou, em maio do ano passado, a exposição Os Passos da Ciência nos Paços do Concelho, a exposição Cancro Ponto e Vírgula retoma alguns desses materiais em Lisboa, adaptando-os exclusivamente para alunos do secundário. “Porque é que as freiras têm tanto cancro da mama?” ou “Porque é que os corredores de maratona raramente têm cancro?” são algumas questões que os organizadores desta iniciativa esperam ser eficazes no despertar da curiosidade dos jovens visitantes. “Queremos sempre explicar porquê”, afirma o diretor da instituição que em 2014 comemorou 25 anos de atividade. Manuel Sobrinho Simões defende que se apreende melhor o sentido das coisas se explicarmos o porquê, em vez de instruir. “As pessoas não sabem bem o que é o cancro, acham que é uma espécie de infeção. Não é. O cancro é uma coisa que nasce dentro de nós. Não há nada tão parecido connosco. Um cancro seria mais parecido comigo do que um irmão gémeo… As pessoas têm de ter consciência disso”, sustenta Manuel Sobrinho Simões. “O cancro surge dentro de nós e não respeita as fronteiras, é isso que o caracteriza. De resto, os tecidos são exatamente iguais aos nossos. É impressionante. E o nosso objetivo é que os miúdos percebam isso e como se pode prevenir.”