O Fascínio das Histórias

A  Gulbenkian convida a juntar-se a esta iniciativa comissariada por Nuno Artur Silva.

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Histórias, histórias por todo o lado. Vivemos e sempre vivemos rodeados de histórias. As histórias fazem parte do que somos. E o que somos é também uma história.

Ao longo dos séculos, a humanidade sempre contou histórias a si própria. As histórias, as ficções, foram o que uniu a espécie humana e a fez evoluir e diferenciar dos outros animais.

Vivemos e encontramo-nos no espaço geográfico do planeta e no tempo de duração das nossas vidas tanto quanto nos encontramos no tempo e no espaço imaginário das histórias, das mitologias em que acreditamos.

Este é um dia dedicado às histórias, às ficções, nas suas diversas formas. Um dia para procurarmos perceber de onde vêm, o que está a mudar na maneira de as contar – e de as ouvir, ler, ver – e viver.

Um dia para procurarmos perceber o segredo do seu fascínio.

Nuno Artur Silva, Comissário


INFORMAÇÃO ADICIONAL

As sessões do Auditório 2 têm transmissão em direto.

Assista à transmissão

 

A Fundação Calouste Gulbenkian reserva-se o direito de recolher e conservar registos de imagens, sons e voz durante o evento O Fascínio das histórias, para a difusão e preservação coletiva da memória da sua atividade cultural e artística. Caso pretenda obter algum esclarecimento, poderá contactar-nos através de [email protected]


Programa

Vivemos tempos em que as imagens em movimento nos chegam em múltiplos dispositivos eletrónicos. Para o dia em que celebramos o fascínio das histórias, decidimos projetar, no grande ecrã do Grande Auditório, uma seleção muito particular de imagens em movimento – três filmes (um dos quais é uma sequela), duas séries e um documentário, em estreia, produzido a propósito deste evento.  

12:00 – 14:00   Fahrenheit 451 de François Truffaut (1966), 1h52, M/16

Fahrenheit 451, de François Truffaut (1966), adaptado do romance homónimo de Ray Bradbury (1953) A história passa-se num futuro hipotético, em que os livros e toda a forma de escrita são proibidos por um regime totalitário. Cada vez que há desobediência, os “bombeiros“ são chamados a incendiar os livros denunciados. O título do filme é uma referência à temperatura de queima do papel. A escolha desta distopia para abrir o ciclo de exibições deste dia não pode deixar de ser vista à luz das zonas mais sombrias do nosso inquietante presente.
 

14:30 – 16:30   Blade Runner de Ridley Scott (1982), 1h57, M/12

Blade Runner, de Ridley Scott (1982), adaptado do romance Do Androids Dream Of Electric Sheep? de Philip K. Dick (1968). A ação da história tem lugar em 2019, o ano em que nos encontramos. Será sem dúvida interessante confrontar o que no filme (e, antes dele, no romance) eram sinais de antecipação de uma realidade que só aparentemente está distante da que vivemos hoje. No centro dramático da história estão as questões universais da identidade, da sobrevivência e da memória, das memórias que nunca saberemos ao certo se não serão ficcionadas e das quais só nos resta guardar fugaz relato antes que se percam para sempre “como lágrimas na chuva”.
 

16:45 – 19:30   Blade Runner 2049 de Denis Villeneuve (2017), 2h43 min, M/14

Blade Runner 2049, de Denis Villeneuve (2017), sequência do primeiro Blade Runner (coescrito, tal como o primeiro, por Hampton Fancher). A ação segue a trama do filme original, trinta anos depois. Desenvolve o tema da vida artificial e da definição da especificidade do ser humano. Não era fácil dar continuidade ao legado de uma obra prima, mas Blade Runner 2049 foi capaz de o fazer com distinção.
 

20:00 – 21:30   O Fascínio das Histórias  Estreia do documentário de Nuno Artur Silva, realizado por António Botelho (2019), 1h15

Estreia do documentário de Nuno Artur Silva, realizado por António Botelho. Uma coprodução da RTP e Fundação Calouste Gulbenkian. Apresentação por Nuno Artur Silva e António Botelho. Uma indagação digressiva, por entre conversas com diversas personalidades, sobre a necessidade que a humanidade sempre teve de contar histórias a si própria, sobre o poder e o encantamento das ficções. O documentário será posteriormente exibido na RTP2.  

21:45 – 23:00   Years and Years, 1º episódio  Série de televisão, realizada por Simon Cellan Jones e Lisa Mulcahy (2019), 1h, M/15

Uma coprodução BBC e HBO, disponível em HBO Portugal. Comentado por Susana Romana e Francisco Mendes da Silva, com moderação de Nuno Artur Silva Years and Years é uma distopia passada num futuro mais do que próximo, imediato, sobre o que pode acontecer à Inglaterra e à Europa. Não parte, como é comum nas histórias de antecipação, de qualquer grande acontecimento que mudará as nossas vidas de um dia para o outro. Mostra antes como uma sucessão de incidentes improváveis vai pouco a pouco transformando a vida de uma vulgar família inglesa, instalando uma nova normalidade, tornando quotidiano o que era abominável, banalizando o mal. O que torna esta série particularmente inquietante é percebermos que o que ela antecipa de forma ficcional está, com outras variáveis, a acontecer na realidade. Desta série de seis episódios escolhemos apresentar o primeiro.
 

23:15 – 00:30   A Guerra dos Tronos, último episódio Série de televisão, escrita e realizada por David Benioff e D.B. Weiss (2019), 1h20, M/18 

Série de televisão escrita e realizada por David Benioff e D.B. Weiss. Uma produção da HBO, disponível em HBO Portugal. Comentado por Nuno Galopim e Rogério Ribeiro, com moderação de Nuno Artur Silva A adaptação da série de livros A Song of Ice and Fire, de George R. R. Martin, terminou recentemente, depois de oito temporadas amplamente distinguidas com inúmeros prémios da indústria audiovisual e impacto público mundial que a consagraram como a mais premiada e uma das mais importantes séries de todos os tempos. A ação situa-se num mundo fictício de imaginário vagamente medieval e guerreiro, com um enredo de conflitos e alianças entre famílias nobres dinásticas que lutam pelo Trono de Ferro e pelo poder sobre os Sete Reinos. A série, que teve oito temporadas e um total de setenta e três episódios, foi exibida em todo o mundo entre 2011 e 2019. Será apresentado o último episódio da última temporada, com o qual se encerra a saga.
 

Sala das Ideias

Onde se falará da origem das histórias, de como as começamos a ouvir contar na infância e de como a humanidade começou a contar histórias a si própria. De como determinam o que somos e definem a identidade das nossas sociedades. Onde se falará, ainda, dos livros e das bibliotecas e da sua precária transcendência.

Transmissão em direto

 

Moderação de Teresa Nicolau

14:30 – 16:00   As histórias e a construção da personalidade Por Mário Cordeiro

É na infância que começa o fascínio pelas histórias. As histórias que nos contam em crianças para adormecermos são, ao mesmo tempo, as que nos acordam para o mundo. As histórias que, entre o “Era uma vez” e o “viveram felizes para sempre”, nos explicam o Bem e o Mal. As que convocam e espantam os nossos medos, que nos fazem imaginar que podemos ser tudo. Como é que as histórias constroem a nossa personalidade?  

16:30 – 18:00   As mitologias fundadoras Por José Pedro Serra

As sociedades organizam-se à volta das histórias, das ficções – dos mitos. Quais as histórias fundadoras da nossa civilização? Como surgiram e como se estabeleceram os mitos que originaram a nossa forma de ver o mundo?  

18:30 – 20:00   Once upon a place Por Alberto Manguel

Na multiplicação de meios e formas de contar histórias, qual é o lugar da biblioteca contemporânea? A cultura da palavra, a literatura, sobreviverá a um mundo de incessantes imagens e permanentes estímulos sensoriais? E os livros sobreviverão num mundo hipertecnológico dominado pelos algoritmos da inteligência artificial? As bibliotecas acabarão por ser, elas próprias, lugares imaginários?  

Sala dos Filmes

Onde se falará das histórias no cinema – da sucessão de imagens descontínuas que dão a ilusão de fluir como um rio, das danças dramáticas das personagens, do encantamento hipnótico que nos leva a acreditar que naqueles jogos de luz e sombra está cifrado o sentido das nossas vidas.  

Moderação de Inês Meneses

14:30 – 16:00   Matrizes narrativas do cinema Com João Lopes e Joaquim Sapinho

Como têm mudado os modos de organização narrativa no cinema? Quais as matrizes mais significativas dessa organização? De que maneira têm vindo a mudar com o desenvolvimento tecnológico e com a mudança das formas de produzir e de ver cinema? Uma conversa com imagens.  

16:30 – 18:00   O tempo no cinema Por Pedro Mexia

O cinema a contar o Tempo. O cinema a enganar o Tempo.  

18:30 – 20:00   Histórias que os filmes não confirmam nem desmentem, antes pelo contrário Por Manuel S. Fonseca

As histórias no cinema. Argumentos a que não faltam argumentos, para não falar de argumentos que não estão a ver bem o filme.

Sala dos Lugares Imaginários e das Viagens no Tempo

Onde se falará dos lugares e das épocas imaginados pelos narradores de todos os tempos e paragens, de como fizeram desdobrar os nossos mapas-mundo em novas cartografias, que percorremos sabendo que do seu encantamento é sempre tarde demais para regressar. Onde se falará do Tempo, a substância de que porventura somos feitos.  

Moderação de José Mário Silva

14:30 – 16:00   Lugares imaginários Com António Jorge Gonçalves, Cláudia Clemente e Filipe Melo

Contributos para uma edição revista e aumentada do Dicionário dos Lugares Imaginários. Os universos de ficção mais extraordinários, fascinantes e inspiradores da literatura, do cinema, das séries, da animação e de outras formas universais de efabulação.  

16:30 – 18:00   O Tempo na Física e na Filosofia Com António Castro Caeiro e João Magueijo

O que é o Tempo? É a matéria de que somos feitos? Ou é o sonho dessa matéria? As histórias são a nossa forma de perceber o Tempo ou de o iludir? Uma proposta de diálogo entre a Física e a Filosofia para melhor percebermos o Tempo e as suas histórias.  

18:30 – 20:00   Utopias e Distopias Com Edgar Pêra, Filipe Homem Fonseca e José Vegar

Vivemos num tempo em que, cada vez mais, as fantasias sobre o futuro são abalroadas por desvairadas realidades contemporâneas. Nunca se produziram tantas ficções distópicas e nunca, como agora, elas são confrontadas com acontecimentos que as confirmam, desmentem ou ultrapassam de uma forma e a uma velocidade a que nenhum dos autores dessas visões tinha sonhado. Quais são as utopias e as distopias mais reveladoras deste nosso tão alucinado presente?

Sala da Literatura

Onde se falará do poder encantatório das palavras e da sua capacidade de contar histórias; Onde se perguntará se há uma tradição literária portuguesa de contar ou se os portugueses serão mais dados aos lirismos e às perplexidades da linguagem; Onde ainda se lerá o início das melhores narrativas literárias de sempre.  

Moderação de Isabel Lucas

14:30 – 16:00   O caso português: Uma cultura não narrativa? Com Hélia Correia, Mário de Carvalho e Rui Zink

A literatura portuguesa não se tem caracterizado tanto pela predominância de textos narrativos ou mesmo dramáticos, mas muito mais pela qualidade dos seus momentos poéticos. Com exceções, é certo, tem sido esta a matriz dominante (aliás não só na literatura, mas também no cinema). Porquê? Como se explica esta característica e que relação pode haver com a História do país? Os escritores portugueses não contam histórias porque não as querem contar ou contam-nas, mas simplesmente estão a contá-las doutras maneiras?  

16:30 – 18:00   Os melhores inícios de romances Leituras de Isabel Abreu e João Reis

Uma leitura do início de romances marcantes da literatura universal, cruzada com uma dissertação sobre o porquê de escolher estes quando se poderia perfeitamente ter escolhido outros.  

18:30 – 20:00   A situação contemporânea do romance Com Afonso Cruz, Dulce Maria Cardoso e Rui Cardoso Martins

Os modos contemporâneos dos romances contarem histórias. O que mudou (se mudou) ou está a mudar (se está a mudar) na forma da literatura contar histórias depois da proliferação de histórias por toda a parte – no cinema, na televisão, nos media, nas redes sociais? Que histórias restam para os escritores contemporâneos contarem? E de que maneira as podem (ainda? sempre?) contar?

Sala das Biografias, do Jornalismo e da História

Onde se falará das formas de narração do acontecido: das vidas que aconteceram e dos acontecimentos que tiveram lugar; Onde se falará de jornalismo, “primeiro esboço da História”, narrativa testemunhal e cúmplice do acontecimento; do historiador, que vê de longe os padrões do passado; Onde se falará da vida de cada um como de uma história pessoal e sempre intransmissível que, todavia, se pode contar; E se perguntará se não serão, jornalismo e História, variações ficcionais da literatura.  

Moderação de Miguel Ribeiro

14:30 – 16:00   Biografias: entre a História e o romance Com Filipa Martins, Joaquim Vieira e Paulo Miranda

As biografias são obras de ficção cuja semelhança com a vida dos biografados não é pura coincidência, mas impura indagação?  

16:30 – 18:00   O sentido da vida é uma história? Com Miguel Gonçalves Mendes, Patrícia Reis e Rui Rocha Martins

O memorialismo é uma forma de dar sentido à nossa vida? Os diários – e as formas diarísticas contemporâneas que são as histórias no Instagram ou as publicações no Facebook – são sinais de vida, inscrições do eu na superfície eletrónica do mundo contemporâneo ou apenas narcisismo fátuo, oca tagarelice, ruído? Da sépia das fotos dos nossos antepassados às selfies contemporâneas, que mundo estamos a deixar documentado?  

18:30 – 20:00   A verdade e a mentira no jornalismo e na História Com Cândida Pinto, José Neves e Paulo Pena

Como é que o jornalismo está a lidar com a desinformação generalizada que se instalou no espaço público, transformando a interpretação da realidade num campo de minas prestes a deflagrar mentiras sobre a verdade dos factos? Escrever a História dos acontecimentos é mediar a profusão de histórias à distância, em profundidade, com uma perspetiva?

Sala das Séries, dos Novos Media e das Narrativas Futuras

Onde se falará do culto global das séries televisivas e de como elas unem cidadãos de diferentes partes do mundo, curiosos pelo desenrolar de enredos, suspensos na descrença mas crentes nessas formas profanas de religião que quem sabe nos salvam. Onde se falará das formas de cantar histórias que a cultura pop popularizou, sintetizou e celebrou na forma de canção, dos videoclips que as vieram grafitar em paisagens eletrónicas e ainda das histórias interativas e imersivas dos videojogos.  

Moderação de Inês Lopes Gonçalves

14:30 – 16:00   Os argumentos nas séries de televisão Com Patrícia Muller, Pedro Boucherie Mendes e Susana Romana

Que histórias estão a ser contadas nas séries mais marcantes do panorama audiovisual mundial? De que maneira estão a ser produzidas? Como têm mudado os temas e as formas das séries de televisão nas últimas décadas? Que tendências podemos adivinhar para o futuro próximo, que histórias estão a caminho de serem contadas?  

16:30 – 18:00   Criação e design de histórias nos videojogos Com Filipe Duarte Pina, Ivan Barroso e Pedro Moura

Como se cria e se faz o design de uma história para um videojogo? De que maneira o futuro das histórias vai passar pelos jogos interativos, pela realidade virtual ou imersiva? Vamos ter algoritmos para as histórias, os algoritmos da ficção?  

18:30 – 20:00   As histórias dos videoclips Com João Lopes e Nuno Galopim

Primeiro, a cultura pop fez da canção o seu templo efémero, celebrado em rituais dançáveis. Depois, os videoclips vieram expandir o universo narrativo das canções em delírios visuais sincréticos. Que histórias vieram contar os videoclips? Como influenciaram as formas contemporâneas de narrativa? Desde que o vídeo matou a estrela de rádio, já podemos voltar à cena do crime, recolher as pistas e fazer uma reconstituição das histórias dos videoclips e da forma como eles têm sempre escapado impunes depois do crime cometido?
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