Gulbenkian Carbono Azul

Projeto que pretende mapear e caracterizar os ecossistemas de carbono azul existentes em Portugal continental e promover o investimento na sua conservação e restauro.

Promotor: Fundação Calouste Gulbenkian
Âmbito territorial: Nacional
Duração: 2022-2023
ODS:  13. Ação Climática; 14. Proteger a vida marinha

Carbono azul é o termo utilizado para designar o carbono capturado e armazenado pelos ecossistemas marinhos e costeiros – ecossistemas de carbono azul.

Gulbenkian Carbono Azul é um projeto que vem estrear o investimento nos ecossistemas de carbono azul em Portugal, vitais à proteção da biodiversidade e ao combate às alterações climáticas. Através deste projeto, a Fundação Calouste Gulbenkian vai mapear e caracterizar os ecossistemas de carbono azul que, de norte a sul do país, têm potencial para fazer sequestro de dióxido de carbono. A recolha desta informação vai permitir criar uma carteira de intervenções de conservação e restauro que será depois disponibilizada a empresas e outros agentes interessados em investir em carbono azul, em Portugal.

O projeto tem as seguintes prioridades:

  1. Identificação, mapeamento e caracterização (dimensão, condição em que se encontra, taxa anual de sequestro de carbono, entre outras características) dos ecossistemas marinhos e costeiros ricos em carbono azul, em Portugal continental;
  2. Definição, com base no mapeamento, das medidas de conservação ou restauro mais adequadas, sua valoração e criação de uma carteira nacional de intervenções nos ecossistemas de carbono azul. Esta informação será disponibilizada às entidades que pretendam investir nesta áres ou compensar a sua pegada carbónica, em alternativa à compensação feita, por exemplo, através de projetos de reflorestação;
  3. Desenvolvimento de um policy brief sobre o potencial de carbono azul em Portugal, com vista a criar um mercado voluntário de carbono azul no nosso país.

 

Projeto pioneiro em Portugal

Este é um projeto pioneiro em Portugal – é a primeira vez que os ecossistemas de carbono azul serão mapeados e caracterizados, com vista a facilitar o investimento futuro nesta área. Para demonstrar o potencial do projeto e atrair outros investidores, a Fundação Gulbenkian fará o primeiro investimento num projeto-piloto de conservação ou restauro numa das áreas que venham a ser identificadas. Através deste financiamento, a Fundação vai compensar a sua pegada carbónica não mitigável do ano 2021.

O Gulbenkian Carbono Azul atuará, por isso, como impulsionador do mercado de carbono azul em Portugal, estando prevista a construção de uma rede de potenciais financiadores interessados em apoiar estes projetos.

Este é um projeto promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian, desenvolvido em parceria com o CCMAR – Universidade do Algarve e a ANP | WWF – Associação Natureza Portugal, em associação com a WWF.

Carbono azul é o termo utilizado para designar o carbono capturado e armazenado pelos ecossistemas marinhos e costeiros, i.e., refere-se à quantidade de dióxido de carbono removido da atmosfera por estes ecossistemas e promove a redução do impacto dos gases de efeito de estufa (GEE) na atmosfera.

Em Portugal, os ecossistemas de carbono azul incluem os sapais, pradarias de ervas marinhas e florestas de algas (não existem mangais em Portugal pois são ecossistemas típicos de climas tropicais).

As taxas de captação de carbono pelos ecossistemas marinhos são muito mais elevadas do que o captado pelos ecossistemas terrestres. Trata-se, por isso, de uma solução de base natural para as alterações climáticas.

A capacidade de capturar e armazenar grandes quantidades de carbono por parte dos ecossistemas marinhos deve-se às suas taxas elevadas de fotossíntese (que absorve CO2 produzindo matéria orgânica) e à capacidade dos seus sedimentos de fazerem uma decomposição da matéria orgânica muito lenta e limitarem a produção e emissão de CO2 de volta para a atmosfera.

Apesar de ocuparem áreas muito menores do que as ocupadas pelas florestas terrestres do planeta, sequestram carbono a uma taxa muito mais rápida (pelo menos oito vezes mais) que fica retido nos sedimentos por centenas (ou mesmo milhares) de anos, o que lhes confere um enorme potencial para mitigar as alterações climáticas.

Estes ecossistemas servem ainda de zona-tampão para os impactos das tempestades costeiras – diminuem o risco de inundações, contribuem para a qualidade da água e servem de suporte de biodiversidade, por exemplo – atuando assim como uma solução de elevado impacto para a adaptação das alterações climáticas.

Porém, as próprias alterações climáticas estão a afetar estes ecossistemas. Eventos climáticos extremos, a subida do nível do mar ou o aumento da temperatura podem danificar os sistemas, levando a que uma enorme quantidade de carbono retido seja emitida de volta à atmosfera, pelo que o restauro destes ecossistemas é urgente e imprescindível.

 

Embaixador do projeto 

Carlos Duarte é Investigador e Diretor Executivo da Global Coral Reef R&D Platform e Professor da King Abdullah University of Science and Technology. Na sequência do seu trabalho de investigação, que revela a importância global que mangais, pradarias de ervas marinhas e sapais têm enquanto sumidouros de carbono, Carlos Duarte e a sua equipa desenvolveram o conceito de “carbono azul” como solução baseada na natureza para as alterações climáticas. Considerado, por isso, como o “pai” do conceito de “carbono azul”, Carlos Duarte realizou ainda investigação em todos os continentes e oceanos, do interior à costa e ao mar profundo, desde micróbios a baleias.


Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

 

Este projeto contribui para as seguintes metas

 

Meta 13.1

Reforçar a resiliência e a capacidade de adaptação a riscos relacionados com o clima e as catástrofes naturais em todos os países.

Meta 13.3

Melhorar a educação, aumentar a consciencialização e a capacidade humana e institucional sobre medidas de mitigação, adaptação, redução de impacto e alerta precoce no que respeita às alterações climáticas.

Meta 14.2

Até 2020, gerir de forma sustentável e proteger os ecossistemas marinhos e costeiros para evitar impactos adversos significativos, inclusive através do reforço da sua capacidade de resiliência, e tomar medidas para a sua restauração, a fim de assegurar oceanos saudáveis e produtivos.

Meta 14.5

Até 2020, conservar pelo menos 10% das zonas costeiras e marinhas, de acordo com a legislação nacional e internacional, e com base na melhor informação científica disponível.

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