17 Abril 2019 Prémio Vasco Vilalva

Prémio Vilalva vai para Coimbra

Na 11ª edição do prémio, foram ainda atribuídas duas menções honrosas: uma ao Projeto Letreiro Galeria e outra à reabilitação e conservação da Livraria Lello

Casa Mufla depois intervenção© Inês d'Orey

O júri do Prémio Maria Tereza e Vasco Vilalva deliberou, por unanimidade, atribuir o prémio à Reabilitação do edifício da Cerâmica Antiga de Coimbra, um projeto de coautoria da arquiteta Luisa Bebiano e do Atelier do Corvo (Carlos Antunes e Desirée Pedro). Nesta 11ª edição, foi decidido atribuir ainda uma menção honrosa ao Projeto Letreiro Galeria e outra à reabilitação e conservação da Livraria Lello.

O vencedor do Prémio candidatou-se com um plano de intervenção que “pretende mostrar uma das seculares artes de Coimbra, inserida num espaço recuperado com as melhores técnicas de restauro, mantendo-se um diálogo em aberto nos processos de projeto e fabrico artesanal com uma linguagem contemporânea de intervenção”. Foi ainda tida em consideração a dinâmica cultural do projeto.

Sala de Pintura, antes da intervenção © Arquivo Cerâmica Antiga de Coimbra
Sala de Pintura, antes da intervenção Sala de Pintura, antes da intervenção © Arquivo Cerâmica Antiga de Coimbra
Sala de Pintura, depois da intervenção © Do Mal o Menos (Eduardo Nascimento)
Sala de Pintura, depois da intervenção Sala de Pintura, depois da intervenção © Do Mal o Menos (Eduardo Nascimento)
  • Sala de Pintura, antes da intervenção © Arquivo Cerâmica Antiga de Coimbra
  • Sala de Pintura, depois da intervenção © Do Mal o Menos (Eduardo Nascimento)

A escolha do júri foi feita com base nos seguintes fundamentos:

  • A pertinência de uma intervenção no Terreiro da Erva, uma zona da cidade de Coimbra com sinais de degradação evidente e marcada por uma certa marginalidade;
  • O caráter personalizado e familiar do projeto, que merece ser destacado quando inserido numa sociedade marcada pela lógica das grandes corporações;
  • A relevância cultural da fábrica, com uma prática continuada de recuperação de saberes que não está, nem pode estar, desligada da sustentabilidade económica do projeto;
  • O mérito da recuperação de um edifício que esteve prestes a ser demolido;
  • O facto de se tratar de um work in progress, em constante melhoria e projetado para o futuro.
Fornos de Lenha, antes da intervenção © Arquivo Cerâmica Antiga de Coimbra
Fornos de Lenha, antes da intervenção Fornos de Lenha, antes da intervenção © Arquivo Cerâmica Antiga de Coimbra
Fornos de Lenha, depois da intervenção © Inês d'Orey
Fornos de Lenha, depois da intervenção Fornos de Lenha, depois da intervenção © Inês d'Orey
  • Fornos de Lenha, antes da intervenção © Arquivo Cerâmica Antiga de Coimbra
  • Fornos de Lenha, depois da intervenção © Inês d'Orey

Em suma, o júri quis dar destaque à excecionalidade – de localização, de programa, de forma de concretizar – do projeto de reabilitação do edifício da Cerâmica Antiga de Coimbra e à sua escala humana, esperando que este possa servir de exemplo a outras localidades.

A Cerâmica Antiga de Coimbra tem um espaço de restauração aberto desde março de 2018 e a olaria em plena laboração desde setembro de 2018.

O júri, constituído por António Lamas, Raquel Henriques da Silva, Gonçalo Byrne, Santiago Macias, Luís Paulo Ribeiro e Rui Vieira Nery, deliberou atribuir ainda as seguintes menções honrosas:

O Projeto Letreiro Galeria, que se tem afirmado na recolha, conservação e estudo dos letreiros impressos e luminosos, tabuletas, guarda-ventos com letterings e outros grafismos comerciais, fundamentais para a preservação da memória do espaço urbano lisboeta, a sua evolução ao longo dos tempos e para o conhecimento da história das artes gráficas, do design e das indústrias criativas em Portugal. Este projeto tem planeada a instalação de um “armazém expositivo”, que deverá contribuir para uma maior consciência coletiva da riqueza e necessidade de preservação deste património.

A reabilitação e conservação da Livraria Lello, estabelecida em 1906, que associa a requalificação do espaço arquitetónico com a revitalização e expansão da sua função como espaço de Cultura. A intervenção obedeceu a padrões exemplares de respeito pela conceção, técnicas e materiais originais, assegurando quer a reposição de elementos da traça inicial entretanto alterados, quer a documentação detalhada e a reversibilidade da presente intervenção. À recuperação do espaço foi associada uma estratégia de reforço da sua vertente cultural, com vista à promoção do Livro e da Leitura, dos autores portugueses, da tradução de qualidade de e para o português e da ligação entre a Literatura e as Artes.

 

Prémio Maria Tereza e Vasco Vilalva

O Prémio Vilalva foi instituído em 2007, por ocasião da aquisição do remanescente do Parque de Santa Gertrudes a Maria Tereza Belo Eugénio de Almeida, viúva de Vasco Eugénio de Almeida, Conde de Vilalva. Criado em homenagem a Vasco Vilalva, o Prémio tem tido por objetivo distinguir os melhores projetos de recuperação de património cultural em posse de entidades privadas e em território nacional. No valor de 50.000 euros, trata-se do mais relevante galardão português neste domínio.