Parque Gonçalo Ribeiro Telles já abriu

Ocupa mais de seis hectares e liga a Fundação Calouste Gulbenkian, a sul, ao corredor verde de Monsanto, e conta com uma obra de Cristina Iglesias, oferecida pela Fundação.
© Luís Filipe Catarino/CML
Parque Ribeiro Telles © Luís Filipe Catarino/CML

Inserido no projeto de requalificação da Praça de Espanha, o Parque Gonçalo Ribeiro Telles vai poder contar com quase 800 árvores de 25 espécies diferentes, mais de 50 mil espécies de arbustos, herbáceas e bolbos de 60 espécies diferentes (mais de 90% autóctones e potenciais da região de Lisboa, tal como defendia Gonçalo Ribeiro Telles), mas também zonas de estadia e lazer, caminhos pedonais, parques infantis, uma ciclovia, estações de bike sharing, uma nova entrada do metro e toda uma nova envolvente rodoviária e imobiliária.

No Parque Gonçalo Ribeiro Telles, referiu o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, durante a cerimónia de inauguração, a 13 de junho, “aplicámos muito” do pensamento de Gonçalo Ribeiro Telles, “transformando zonas que eram impermeáveis, em zonas permeáveis, aproveitando bacias naturais de água, para ela poder circular e aparecer de novo.” A equipa de paisagistas do ateliê NPK, vencedor do concurso internacional para a requalificação da praça, teve ainda a preocupação de, em nome da “continuidade”, “aplicar” ainda algumas das plantas que, na década 60, Ribeiro Telles, com Vianna Barreto, o autor do projeto do Jardim Gulbenkian, escolheu para espaço que se encontra a sul do novo parque.

 

Por uma feliz coincidência, pela mesma altura que se deu início à requalificação da Praça de Espanha, também a Fundação “deu início à expansão a Sul do Jardim Gulbenkian e à renovação do Centro de Arte Moderna, um projeto conjunto do arquiteto paisagista Vladimir Djurovic e do arquiteto Kengo Kuma”, salientou a presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, durante a cerimónia. “Vladimir Djurovic inspira-se em Ribeiro Teles, na sua combinação de paisagens e no movimento das estações do ano”, garantiu Isabel Mota, recordando o paisagista para quem “toda a procura de um jardim é a procura do movimento. Se não se altera, se não se tirar partido das diferenças, não é jardim. A criação destas dinâmicas não é para amadores.”

“A requalificação da Praça de Espanha e a renovação futura do Largo de São Sebastião da Pedreira, juntamente com um jardim Gulbenkian ampliado, formarão um amplo conjunto urbanístico requalificado para oferecer à cidade, que aumentará a ‘mancha verde’ de Lisboa, como seria do agrado, estou certa, do Gonçalo Ribeiro Telles e como será sem dúvida de todos os lisboetas”, referiu ainda Isabel Mota.

© Luís Filipe Catarino/CML
"Quatro Poços de Água no Parque, 2021", a peça de Cristina Iglesias oferecida pela Fundação © Luís Filipe Catarino/CML
Com o novo jardim Gulbenkian, cria-se uma nova mancha verde na cidade, referiu Isabel Mota © Luís Filipe Catarino/CML

Entre os demais equipamentos, o novo Parque contará com uma obra da autoria da artista espanhola Cristina Iglesias, Prémio Nacional de Artes Plásticas de Espanha e Prémio de Arquitectura 2020, outorgado pela Royal Academy of Arts de Londres, uma oferta da Fundação Calouste Gulbenkian “em nome do enriquecimento cultural da cidade, numa perspetiva de cultura de paz, em que a tradição e a modernidade, a natureza e a paisagem se associam com um espírito universalista, que também invoca a memória do lugar”, referiu por fim a presidente da Fundação.