Espólio documental de David de Almeida doado à Biblioteca de Arte

Manuscritos, fotografias, maquetas, diários com desenhos e colagens do artista, são alguns dos documentos que fazem agora parte do acervo da Biblioteca da Fundação Gulbenkian
David de Almeida © Fundação Calouste Gulbenkian
David de Almeida © Fundação Calouste Gulbenkian

Na sequência da doação de peças de arte para o acervo da Coleção Moderna do Museu Calouste Gulbenkian, as filhas de David de Almeida (1945-2014) doaram à Fundação Calouste Gulbenkian o espólio documental do artista. Trata-se de um conjunto de documentação que inclui material impresso, manuscritos – cadernos/diários com anotações, desenhos e colagens – correspondência, recortes de imprensa, fotografias e negativos de obras e maquetas de trabalhos de arte pública.

Considerado um dos mais relevantes gravadores contemporâneos portugueses, David de Almeida experimentou igualmente, ao longo da sua atividade artística, a pintura e a escultura. Começando pelos processos tradicionais da gravura, o artista criou, na década de 1980, o seu próprio método de gravar, utilizando a pasta de pedra e a argila expandida. Das suas experimentações e do aproveitamento plástico dos materiais que misturava e incorporava, explorando as suas capacidades tácteis e sensoriais, resultaram obras que, frequentemente, evocam formas ancestrais, Numa outra escala, nas suas intervenções em espaços públicos em Portugal, no Brasil (São Paulo), Macau, Espanha e em Cabo Verde, David de Almeida utilizou como material base a pedra, que gravou, potenciando a sua materialidade plástica.

David de Almeida foi um dos muitos artistas portugueses a quem a Fundação Calouste Gulbenkian permitiu consolidar a formação artística no estrangeiro. Enquanto bolseiro do Serviço de Belas Artes da Fundação fez um estágio nos Moinhos do Vale do Lagat (França), onde se especializou na produção manual de papel, estudou holografia no Goldsmith College (London University) e estagiou com o pintor e gravador inglês Stanley Hayter no Atelier 17 (Paris). Entre os vários prémios que David de Almeida recebeu, contam-se a Medalha de Ouro da Associação de Gravadores Espanhóis (Madrid, 1977), o Prémio Nacional de Gravura 1980 (Portugal), bem como o Prémio Nacional de Gravura – Museu de Gravura Espanhola Contemporânea – Espanha (1999) e uma Menção Honrosa – Prémio Nacional de Grabado – Calcografia Nacional/Phillip Morris (Madrid,2000).

Este espólio permite não só uma melhor compreensão da prática artística de David de Almeida, contextualizando-a, como também a investigação de aspetos da arte moderna e contemporânea em Portugal. A documentação será disponibilizada para consulta à medida que for sendo tratada e integrada no catálogo da Biblioteca de Arte.