Introdução Fórum Futuro

Mensagem da Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian e do Presidente da Comissão Científica do Fórum Futuro.

Isabel Mota

Presidente do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian

A criação do Fórum Futuro em 2019 constituiu para mim um passo importante para dotar a Fundação Calouste Gulbenkian com uma nova plataforma de reflexão e debate sobre o nosso futuro comum. Sempre tive a convicção que a capacidade de prospetiva e de antecipação dos problemas é fundamental para sustentar políticas e decisões.

Com uma Comissão Científica de indiscutível qualidade, presidida pelo professor Miguel Poiares Maduro, a quem uma vez mais muito agradeço, este Fórum pretende identificar, estudar e transmitir conhecimento sobre os grandes temas do futuro, reconhecendo os seus desafios e promovendo a massa crítica necessária para colocá-los na agenda pública.

O Fórum dará, assim, particular atenção às questões disruptivas do nosso futuro – em especial os desafios demográficos, económicos, sociais e ambientais; e ainda a tecnologia, a democracia e o futuro do projeto Europeu –, identificando-as e estudando, em colaboração com outras fundações, universidades e think tanks europeus, a melhor forma de as acolher e enfrentar.

O Fórum Futuro pretende afirmar a Fundação Calouste Gulbenkian como uma instituição que promove pensamento de excelência sobre as questões mais importantes que hoje se colocam à humanidade, agregando conhecimento de pensadores e investigadores de reconhecido mérito e de instituições de prestígio, com o objetivo de descobrir e mostrar caminhos com que se abre o nosso futuro.

Na agenda do Fórum estão neste momento contemplados temas como: o Foresight Portugal 2030; as relações intergeracionais; a participação política dos jovens e o salário médio em Portugal. Em paralelo, e atendendo à realidade presente, o Fórum também delineou uma conferência online sobre as respostas à pandemia da Covid 19 (saúde, economia e políticas) e irá lançar uma Série Especial das Gulbenkian Ideas «Covid-19: e depois?», que reunirá as opiniões de pensadores nacionais e estrangeiros e de um grupo de jovens.

 

Miguel Poiares Maduro

Presidente da Comissão Científica Forúm Futuro

O Fórum Futuro pretende produzir, transmitir e disseminar conhecimento sobre o futuro e sobre aquilo que temos de fazer no presente para nos prepararmos para ele. Há três objetivos fundamentais que nos guiam: primeiro, identificar e antecipar os temas e desafios fundamentais do futuro; segundo, promover a criação de massa crítica relativamente a esses temas; terceiro, desenvolver mecanismos de transmissão do conhecimento produzido nesses temas para o espaço público e as políticas públicas.

O foco do Fórum não está nos temas do quotidiano, mas sim nos temas estruturais e de longo prazo. As grandes tendências e transformações demográficas, ambientais, sociais, tecnológicas, económicas e políticas. A atualidade pode ser objeto de tratamento pelo Fórum, mas só na medida em que se trate de um tema susceptível de ter um impacto sistémico e duradouro na nossa sociedade. E, sempre que possível, mais do que explicar transformações, queremos antecipá-las e discutir como nos devemos preparar para as mesmas. Parte dessa preparação do futuro exige a promoção de massa crítica sobre certos temas, quer na ciência quer no espaço público e na definição das políticas públicas, e a sua valorização num contexto muitas vezes excessivamente centrado no imediato.

Para conseguir atingir esses diferentes objetivos o Fórum promove e organiza diferentes tipos de iniciativas. Organizamos, naturalmente, conferências e eventos de grande visibilidade pública. Mas entendemos que é fundamental atuar também a montante e a jusante dessas conferências: encomendando projetos e estudos de temas e políticas públicas; organizando seminários e formações dedicados aqueles que trabalham nessas políticas públicas; e promovendo diferentes formas de comunicação, no papel e digital, dos resultados das atividades promovidas ou apoiadas pelo Fórum. É essencial apoiar a investigação que forneça os dados e ideias necessários para pensar e conhecer o futuro. Mas é, igualmente, fundamental apoiar a transferência desse conhecimento para o espaço público e os diferentes decisores e atores sociais. Para tal, são necessárias formas inovadoras de promover essa transferência e sedimentar esse conhecimento no espaço público.

As primeiras iniciativas do Fórum refletem estas preocupações. Desde as Conversas sobre o Futuro (em que alguns dos maiores especialistas mundiais antecipam novos desafios e como os devemos enfrentar) aos estudos que já encomendámos (um abordando uma das transformações da participação política em curso e o outro um desafio estrutural da nossa economia), passando pelas diferentes publicações, eventos e projetos estruturais (como o projeto da justiça intergeracional ou o Foresight Portugal 2030), a preocupação do Fórum é aquela de promover o debate público sobre temas estruturais e fazê-lo convidando os melhores especialistas sobre esses temas e introduzindo o seu conhecimento no espaço público. Para o conseguir procuramos inovar nas formas e não apenas nos conteúdos. Isso será visível, igualmente, em dois grandes eventos que temos em preparação para o futuro. Ambos têm como objetivo antecipar uma vivência do futuro, se possível mesmo de formas sensoriais.

Temos esta ambição conscientes de que o futuro irá sempre surpreender-nos. Só que, só pensando nele estaremos mais preparados para as suas surpresas.