Penélope
Começámos a ler Penélope como uma personagem coletiva, referente a um conjunto de mulheres que, dia após dia, se encarregou de cuidar da esperança (no regresso dos seus homens: filhos, maridos, pais, irmãos) e, simultaneamente, de garantir que a casa e a terra não morriam. Estas duas dimensões do cuidado comungam na imagem da flor. A mulher portuguesa, ao longo do século XX, foi família de plantas e crianças.
Os frutos da beleza e da ternura foram os que colhemos aqui, em Portalegre. A fase da plantação e da flor foi acarinhada pela CERCI Portalegre, morada da nossa Penélope ainda hoje. Foi também com os utentes da CERCI, hoje nossos amigos e cúmplices, que tomamos muitas das decisões relativas ao espetáculo. As flores floresceram e eles floresceram e nós também. Afinal de contas, somos todos feitos da matéria dos sonhos – porque é da matéria sensível que o projeto tem tratado, de nos reconectarmos com a água, com a terra, com as plantas. Este processo aconteceu-nos à flor da pele, para além dos conceitos botânicos e agrícolas sobre os quais tínhamos pensado.
Projeto desenvolvido no âmbito do ATOS, uma iniciativa do Teatro Nacional D. Maria II e da Fundação Calouste Gulbenkian.
- Entidade Promotora
- Teatro Nacional D. Maria II e Fundação Calouste Gulbenkian
- Programas
- ATOS
- Questões Sociais
- Falta de acesso à prática e expressão cultural, Isolamento geográfico e/ou social
- Área Artística
- Teatro
- Beneficiários
- Adultos, Crianças, Idosos, Jovens+65 anos, 0–6 anos, 16–25 anos, 26–64 anos, 7–15 anos
- Data
- 2023 – 2023
- Estado
- Realizado
- Territórios de Atuação
-
Alentejo Central, Alentejo Litoral, Alto Alentejo, Baixo Alentejo
Grândola, Mértola, Montemor-o-Novo, Portalegre