3 Julho 2019 Museu Calouste Gulbenkian

Novas exposições do Museu Gulbenkian

A partir de 12 de julho, o Museu Gulbenkian apresenta O Gosto pela Arte Islâmica e Sarah Affonso e a Arte Popular do Minho

Friso de azulejos com arabescos
Friso de azulejos com arabescosSíria, Damasco, período otomano, final do século XVI ou início do século XVII. Coleção do Fundador

A partir de 12 de julho, o Museu Calouste Gulbenkian apresenta duas novas exposições. Centrada no fascínio de Calouste Gulbenkian e dos colecionadores seus contemporâneos pelo orientalismo, O Gosto pela Arte Islâmica vai mostrar diferentes perspetivas sobre a arte do fim do Império Otomano até à época que ficou conhecida como a Era do Petróleo. Sarah Affonso e a Arte Popular do Minho mostra pintura, desenho, bordado, cerâmica, inspirados na iconografia popular do Minho, região que marcou fortemente Sarah Affonso durante a sua infância e adolescência em Viana do Castelo.

 

O Gosto pela Arte Islâmica
Curadoria: Jessica Hallett
12 jul – 07 out

Esta exposição celebra os 150 anos do nascimento de Calouste Gulbenkian, reunindo um conjunto de obras-primas do núcleo de arte islâmica do Museu Gulbenkian e de outras importantes coleções internacionais, como a do Museu do Louvre, do Metropolitan Museum of Art e do Victoria & Albert Museum.

Nascido no Império Otomano, Calouste Sarkis Gulbenkian foi educado na Europa e ao longo da sua vida conviveu com diferentes culturas, do Oriente e do Ocidente, quer no âmbito da sua atividade no campo da indústria petrolífera, quer na construção da sua coleção. A região do Médio Oriente ocupou um lugar central no seu percurso profissional e esta exposição lança um novo olhar sobre a sua coleção à luz da situação geopolítica em que as obras foram adquiridas: o declínio do Império Otomano, o colonialismo e as duas Guerras Mundiais.

A partir da coleção, dos livros e dos arquivos de Calouste Gulbenkian, bem como de alguns empréstimos-chave internacionais, esta exposição aprofunda as relações entre o colecionismo e a Realpolitik, identificando as notáveis sinergias entre as atividades colecionistas de Gulbenkian entre 1900 e 1930 e o conceito de ‘Arte Islâmica’, que ganhou forma nesta época, estimulando a criação de novos estilos artísticos e de novas formas de arte na Europa.

O fascínio de Gulbenkian pela arte persa, síria e turca é partilhado por outros colecionadores, como Jean Paul Getty e John D. Rockefeller Jr., que também faziam a sua fortuna na extração petrolífera e que rivalizaram entre si na procura de peças.

Um século e meio após o nascimento de Calouste Gulbenkian, esta exposição, com curadoria de Jessica Hallett, uma das responsáveis pelo núcleo islâmico do Museu Gulbenkian, vai permitir uma nova compreensão do inestimável património oriental que reuniu ao longo da sua vida.

 

Sarah Affonso e a Arte Popular do Minho
Curadora: Ana Vasconcelos
12 julho – o7 outubro

No 120.º aniversário do nascimento de Sarah Affonso (1899-1983), o Museu Calouste Gulbenkian apresenta uma exposição dedicada a esta pintora modernista de assinalável qualidade, recordada sobretudo como a mulher de Almada Negreiros, com uma obra pouco conhecida e raramente exposta.

Esta exposição reúne obras de pintura, desenho, bordado e cerâmica, inspiradas na iconografia popular do Minho, região que marcou fortemente a artista desde a infância e adolescência em Viana do Castelo, entre 1904 e 1915.

Apesar de o retrato ter sido muito importante no início da carreira de Sarah Affonso, são as suas composições inspiradas na iconografia do Minho, no artesanato, mas também nas procissões, feiras e romarias, que constituem o conjunto de pinturas mais conhecido da sua obra, realizado a partir de 1936 e exposto com muito sucesso em 1939. Diversos aspetos do vernáculo minhoto incorporam os seus trabalhos, embora filtrados por um olhar urbano e por uma extensa aprendizagem artística. Sarah Affonso decide interromper a sua carreira como pintora a partir destes anos, mantendo atividade artística noutros suportes.

Nesta exposição, as obras de Sarah Affonso serão mostradas ao lado de objetos de cerâmica, têxteis ou ourivesaria, que formam parte do léxico visual que a inspirou e onde se incluem empréstimos de diversos museus e colecionadores portugueses.

O Museu Calouste Gulbenkian associa-se ao Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, que também assinala este aniversário com uma exposição sobre a artista, a inaugurar em setembro deste ano.

Atualização em 04 Julho 2019