O Gosto pela Arte Islâmica

1869 — 1939

No ano em que se comemoram 150 anos do nascimento de Calouste Gulbenkian, esta exposição tenta compreender o crescente fascínio do colecionador e dos seus contemporâneos pelo orientalismo a partir de obras-primas do núcleo de arte islâmica da Coleção do Fundador e de outras importantes coleções internacionais.

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Oriundo de uma família arménia, Calouste Sarkis Gulbenkian (1869-1955) nasceu no Império Otomano e foi educado na Europa. Ao longo da sua vida adulta, Gulbenkian conviveu com diferentes culturas, do Oriente e do Ocidente, tanto no papel que desempenhou na indústria petrolífera, como na sua ação filantrópica ou na construção da sua coleção.

O Médio Oriente ocupou um lugar central no percurso profissional de Gulbenkian. Esta exposição analisa o núcleo da sua coleção proveniente desta região, não só através da sua história de vida, mas também à luz da situação geopolítica em mudança: o declínio do Império Otomano, o colonialismo e as duas Guerras Mundiais.

O conceito de «Arte Islâmica» ganhou forma nesta época, estimulando a criação de novos estilos artísticos e de novas formas de arte na Europa. O interesse de Gulbenkian por arte persa, síria e turca reflete a paixão – e rivalidade – de outros colecionadores, como Jean Paul Getty and John D. Rockefeller, que também faziam a sua fortuna na extração petrolífera.

A partir das coleções de arte, dos livros e dos arquivos de Calouste Gulbenkian, bem como de alguns empréstimos-chave de coleções internacionais como o Musée du Louvre, o Metropolitan Museum of Art e o Victoria & Albert Museum, esta exposição pretende aprofundar a nossa compreensão acerca das relações entre o colecionismo e a Realpolitik, identificando as notáveis sinergias entre as atividades colecionistas de Gulbenkian entre 1900 e 1930 e os desenvolvimentos paralelos no campo da «Arte Islâmica».

Curadoria: Jessica Hallett


Finissage das exposições de verão

No dia 4 de outubro o Museu realiza uma finissage das exposições de verão, O Gosto Pela Arte Islâmica e Sarah Affonso e a Arte Popular do Minho, com um programa que inclui leituras encenadas, música, mesas-redondas, visitas-expresso com os curadores e designers de exposição, conversas com convidados especiais.

Neste dia, as exposições têm entrada gratuita a partir das 17:00 e até às 24:00.

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NA IMPRENSA


Núcleos

Lâmpada de mesquita. Egito, Cairo, período mameluco, 1354-1361. Museu Calouste Gulbenkian Lâmpada de mesquita. Egito, Cairo, período mameluco, 1354-1361. Museu Calouste Gulbenkian
Prato fundo. Síria, Raca (?), períodos zengida e aiúbida, final do século XII ou início do século XIII. Museu Calouste Gulbenkian Prato fundo. Síria, Raca (?), períodos zengida e aiúbida, final do século XII ou início do século XIII. Museu Calouste Gulbenkian
Bandeja de Badr al-Din Lu’Lu’. Iraque, Mossul, período zângida, c. 1233-1259 © Victoria and Albert Museum, London
1-arte-islamica-30 Bandeja de Badr al-Din Lu’Lu’. Iraque, Mossul, período zângida, c. 1233-1259 © Victoria and Albert Museum, London

Calouste Gulbenkian considerava-se «oriental», aplicando o mesmo adjetivo às obras que adquiria. Contudo, na Europa de 1880, este termo foi substituído por designações étnicas, como «sarraceno», «árabe», «persa» ou «turco», em certos casos com conotações racistas.

No início do século XX, os académicos testaram designações coletivas semelhantes à da arte cristã, como «arte muçulmana» e «arte maometana», que se revelaram redutoras, porque nem todos os objetos tinham funções religiosas. Consequentemente, adotou-se o adjetivo «islâmico», que englobava obras produzidas de Espanha à Índia e dos tempos do Profeta Maomé ao século XVIII.

Atualmente, o termo «islâmico» tem sido debatido: alguns académicos continuam a considerá-lo adequado, embora outros argumentem que reflete uma noção eurocêntrica do «Outro».

Félix Ziem, «Ciprestes em Scutari». França, 1860-1870. Museu Calouste Gulbenkian Félix Ziem, «Ciprestes em Scutari». França, 1860-1870. Museu Calouste Gulbenkian
Panejamento inteiro para um mahmal de Damasco. Turquia, Istambul, período otomano, 1656-1657. Hajj and the Arts of Pilgrimage. Khalili Collection. Copyright The Khalili Family Trust Panejamento inteiro para um mahmal de Damasco. Turquia, Istambul, período otomano, 1656-1657. Hajj and the Arts of Pilgrimage. Khalili Collection. Copyright The Khalili Family Trust
Jarro. Turquia, Istambul, período otomano, século XIX © Benaki Museum, Athens Jarro. Turquia, Istambul, período otomano, século XIX © Benaki Museum, Athens
Cruz. Turquia, Kütahya, período otomano, século XIX © Benaki Museum, Athens Cruz. Turquia, Kütahya, período otomano, século XIX © Benaki Museum, Athens

Calouste Sarkis Gulbenkian nasceu em 1869 em Üsküdar (Scutari), na Turquia, durante o sultanado de Abdulaziz (r. 1861-1876).

No ano do seu nascimento, a política oficial do Império Otomano promoveu a unidade dos seus territórios através da atribuição da cidadania otomana a todos os súbditos, independentemente da etnia ou religião.

Esta medida, adotada em resposta às ameaças imperialistas da Europa, foi acompanhada por um processo de modernização inspirado no Ocidente, assistindo-se a um crescente entusiasmo pela arte europeia, sobretudo pela pintura, pela fotografia, pela cerâmica e pelo vidro.

Philippe-Joseph Brocard, Taça com pé. Paris, 1870. Museu Calouste Gulbenkian Philippe-Joseph Brocard, Taça com pé. Paris, 1870. Museu Calouste Gulbenkian
Henri Vever. Lanterna, França, 1884. Paris, Musée des Arts Décoratifs © Paris, Les Arts Décoratifs / Jean Tholence Henri Vever. Lanterna, França, 1884. Paris, Musée des Arts Décoratifs © Paris, Les Arts Décoratifs / Jean Tholence
Émile Gallé, Miniatura de lâmpada de mesquita. Nancy, 1884. Museu Calouste Gulbenkian Émile Gallé, Miniatura de lâmpada de mesquita. Nancy, 1884. Museu Calouste Gulbenkian
Copa de aparato. Paris, 1890-1900. Museu Calouste Gulbenkian Copa de aparato. Paris, 1890-1900. Museu Calouste Gulbenkian

Em meados do século XIX, artefactos orientais começaram a chegar à Europa e a integrar espólios de colecionadores abastados. Em 1898, já instalado em Londres, Calouste fez as primeiras compras de que há registo ao orientalista francês Charles Schefer. O interesse por estes objetos suscitou um fenómeno de «islamofilia».

A arte persa era mais valorizada do que a árabe e a turca, embora se tenha demonstrado mais tarde que algumas das obras mais apreciadas, como a cerâmica Iznik, vinham da Turquia otomana e não da Pérsia.

A coleção de Gulbenkian reflete a evolução destes objetos, que passaram de mercadorias exóticas a obras-primas, expostas em grandes exposições. Foi neste período que a categoria de «arte islâmica» começou a ser debatida.

 

Panejamento de seda. Turquia, Brussa ou Istambul, período otomano, 2.ª metade do século XVI. Museu Calouste Gulbenkian Panejamento de seda. Turquia, Brussa ou Istambul, período otomano, 2.ª metade do século XVI. Museu Calouste Gulbenkian
Prato fundo. Pérsia, Caxã (?), período ilkhânida, século XIV. Museu Calouste Gulbenkian Prato fundo. Pérsia, Caxã (?), período ilkhânida, século XIV. Museu Calouste Gulbenkian
Taça. Pérsia, Caxã (?), final do século XII ou início do século XIII. Museu Calouste Gulbenkian Taça. Pérsia, Caxã (?), final do século XII ou início do século XIII. Museu Calouste Gulbenkian
Prato com tulipas ao vento. Turquia, Iznik, período otomano, c. 1575. Museu Calouste Gulbenkian Prato com tulipas ao vento. Turquia, Iznik, período otomano, c. 1575. Museu Calouste Gulbenkian

 

Entre 1906 e 1907 foram encontradas grandes vasilhas com cerâmicas intactas em Raca, na Síria. As peças deste «Grande Achado» foram introduzidas no mercado da arte internacional por negociantes arménios e Calouste Gulbenkian foi um dos primeiros colecionadores a adquirir alguns desses objetos.

Mais de um quarto da coleção de Gulbenkian foi adquirido a negociantes arménios, que eram também seus intermediários em leilões. Estes mercadores operavam em redes comerciais que se estendiam por todo o Médio Oriente, tornando-se importantes mediadores e difusores da cultura oriental na Europa e na América.

Canudo de farmácia (albarelo). Síria, Raca (?), períodos zengida e aiúbida, final do século XII ou início do século XIII. Museu Calouste Gulbenkian Canudo de farmácia (albarelo). Síria, Raca (?), períodos zengida e aiúbida, final do século XII ou início do século XIII. Museu Calouste Gulbenkian
Estojo para Alcorão. Egito, século XIX © Benaki Museum, Athens Estojo para Alcorão. Egito, século XIX © Benaki Museum, Athens
Émile Isambert, Mapa de Beirute in «Itinéraire descriptif, historique et archéologique de l’Orient». Volume III: «Syrie, Palestine». Paris: Hachette, 1882. Biblioteca de Arte Émile Isambert, Mapa de Beirute in «Itinéraire descriptif, historique et archéologique de l’Orient». Volume III: «Syrie, Palestine». Paris: Hachette, 1882. Biblioteca de Arte
Bolsa. Pérsia, período safávida, séculos XVII-XVIII. Museu Calouste Gulbenkian Bolsa. Pérsia, período safávida, séculos XVII-XVIII. Museu Calouste Gulbenkian

Entre 1912 e 1914, Calouste Gulbenkian participou numa série de acordos com a Turkish Petroleum Company para a exploração de jazidas petrolíferas no Iraque, o que mais tarde lhe concedeu uma quota de 5%. A Primeira Guerra Mundial, cuja devastação transformou o mapa político do Médio Oriente, pôs fim ao entusiasmo pela «arte islâmica».

Em 1923, a Turquia moderna e a Grécia acordaram deslocar 1,4 milhões de pessoas numa troca de populações cristãs e muçulmanas. Gulbenkian contribuiu para este complexo mapa com a negociação do «Acordo da Linha Vermelha», que estabeleceu um poderoso cartel petrolífero à escala do antigo Império Otomano.

Retrato de Bahadur Shah. Índia mogol, início do século XVIII. Museu Calouste Gulbenkian Retrato de Bahadur Shah. Índia mogol, início do século XVIII. Museu Calouste Gulbenkian
Bahram Gur a assassinar a sua concubina favorite Azada. Índia, período Decão, séculos XVII e XVIII. Museu Calouste Gulbenkian Bahram Gur a assassinar a sua concubina favorite Azada. Índia, período Decão, séculos XVII e XVIII. Museu Calouste Gulbenkian
Tapete do tipo «polaco». Pérsia, Isfahan, período safávida, início do século XVII. Museu Calouste Gulbenkian Tapete do tipo «polaco». Pérsia, Isfahan, período safávida, início do século XVII. Museu Calouste Gulbenkian
Jarro de jade branco. Uzbequistão, Samarcanda, período timúrida, c. 1417-1449. Museu Calouste Gulbenkian Jarro de jade branco. Uzbequistão, Samarcanda, período timúrida, c. 1417-1449. Museu Calouste Gulbenkian

No fim da Primeira Guerra Mundial, a dependência ocidental em relação ao petróleo levou a que o seu preço triplicasse. Foi nesta época que Calouste Gulbenkian começou a adquirir obras islâmicas em grande número e a preços elevados. Ao interesse pela cerâmica seguiu-se uma preferência por livros, que acompanhou os principais museus internacionais.

Com o enfraquecimento da economia europeia na década de 1920, os grandes rivais de Gulbenkian passaram a ser americanos, muitos dos quais magnatas do petróleo, como John D. Rockefeller Jr. e J. Paul Getty. Estes colecionadores disputavam sobretudo tapetes persas, objetos de prestígio que refletiam as suas ligações ao Médio Oriente.

Vaso com pássaros a voar. Egito ou Síria, período mameluco, finais do século XIII ou inícios do século XIV. Museu Calouste Gulbenkian Vaso com pássaros a voar. Egito ou Síria, período mameluco, finais do século XIII ou inícios do século XIV. Museu Calouste Gulbenkian

Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, Calouste Gulbenkian deixou Paris para se estabelecer em Lisboa, realizando as últimas aquisições para a sua coleção de «arte islâmica» em 1949. Entre as últimas compras, encontra-se um vaso de vidro, que tem sido interpretado como uma representação do poema sufi A Conferência das Aves

A guerra alterou a organização social e política do mundo, provocando uma redistribuição do poder. Os Estados Unidos começaram a ganhar influência no Ocidente e a União Soviética passou a dominar a Europa de leste. No Médio Oriente e no Norte de África, surgiram movimentos independentistas, que causaram agitação social. Todos estes desenvolvimentos tiveram repercussões profundas que se continuam a sentir hoje.


Programa

À conversa com a curadora Jessica Hallett
Sexta, 12 julho, 15:00
Sábado, 20 julho, 16:00
Sábado, 5 outubro, 16:00
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À conversa com a curadora (em inglês e sem tradução)
Quinta, 25 julho, 22 agosto e 19 setembro, 15:00
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À conversa com a curadora e a convidada Inês Brandão
Sexta, 20 setembro, 17:00
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Visitas orientadas
Sábados, 13 julho; 31 agosto; 7, 14, 21 setembro, 15:00
Sábado, 27 julho, 16:00
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Visitas para escolas e grupos organizados

Mediante marcação prévia
217 823 800 (dias úteis das 10:00 às 13:00)
[email protected]

Mais informações
[email protected]

Mesa-redonda
Arte Islâmica: Passado, Presente e Futuro
Sexta, 4 de outubro, 18:00
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