Iniciativa Gulbenkian Integração
Promover a integração de imigrantes, mobilizando a sociedade de acolhimento
A Iniciativa Gulbenkian Integração (2026-2027) tem como objetivo apoiar projetos da sociedade civil que promovam a integração de imigrantes, assegurando o acesso a serviços, oportunidades e participação cívica, com o envolvimento ativo das comunidades de acolhimento em Portugal.
Serão apoiadas iniciativas que promovam a aprendizagem da língua portuguesa, o apoio à inserção laboral e habitacional, acesso a cuidados de saúde, educação e desenvolvimento de competências, envolvendo, sempre que pertinente, portugueses em situação equivalente de vulnerabilidade.
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O número de cidadãos estrangeiros residentes em Portugal mais do que duplicou desde 2021, representando cerca de 14,5% da população residente (INE, 2025).
Os contributos da imigração para a economia e para a resposta a desafios demográficos têm sido muito positivos. Contudo, registam-se dificuldades no processo de integração e as perceções públicas são ambivalentes quando se refere esta nova realidade.
Um estudo do Lisbon Public Law Research Centre (2023) reflete-o de forma clara: para mais de metade dos portugueses (55,2%) a imigração encontra-se numa situação descontrolada, enquanto uma larga maioria (80,7%) apoia a regularização de imigrantes que trabalhem e contribuam para a Segurança Social.
Considerada uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento económico, social e demográfico do país, investir na integração é investir no desenvolvimento e na coesão social do país, é evitar custos sociais, económicos e institucionais significativos.
No contexto europeu, a integração exige compromisso tanto das pessoas migrantes quanto da sociedade de acolhimento. Aprender a língua, participar ativamente e garantir o acesso a direitos e deveres são responsabilidades partilhadas.
O que apoiamos
Atividades como serviços de orientação e informação de proximidade – apoio jurídico e equipas itinerantes, soluções inovadoras nas áreas do emprego ou da habitação, programas de mentoria ou reconhecimento de competências;
Ações complementares de aprendizagem não formal da língua portuguesa, apoio escolar, psicossocial ou comunitário, e desenvolvimento de materiais e ferramentas digitais e multilíngues que reforcem a integração e o acesso à informação em diferentes áreas;
Intervenções, fundamentadas em diagnósticos de necessidades robustos, que sejam complementares às respostas públicas em diferentes âmbitos (local, regional, nacional) e que mobilizem, sempre que adequado, parcerias entre a sociedade civil e entidades públicas e/ou privadas.
Serão valorizadas intervenções que privilegiem a cocriação e o envolvimento direto das comunidades imigrantes e autóctones no desenvolvimento das respostas, reforçando o diálogo, a confiança mútua e a coesão social.
Princípios orientadores
Participação democrática
Os projetos devem envolver os beneficiários últimos nas etapas do desenho, implementação e avaliação dos projetos, mobilizando, entre outras, um conjunto de metodologias testadas que asseguram a sua efetiva participação.
Abordagem integrada e articulada
Os projetos devem decorrer de um diagnóstico claro, local, regional ou nacional, garantindo que todas as atividades sejam inscritas numa estratégia de articulação de recursos, parcerias e visões estratégicas.
Sustentabilidade das dinâmicas de ação
Os projetos devem demonstrar potencial de replicabilidade, escalabilidade e continuidade, ampliando o impacto positivo no médio e longo prazo.
Inovação Social
Os projetos devem incorporar uma dimensão de inovação social, que poderá manifestar-se na forma como se mobilizam recursos, se criam parcerias intersectoriais, se testam metodologias inéditas, por exemplo, recorrendo à tecnologia, ou se adaptam práticas existentes a novos contextos.
Evidência e impacto
Os projetos devem assentar em diagnósticos fundamentados e recorrer, sempre que possível, a evidência existente sobre os desafios e necessidades das comunidades imigrantes e de acolhimento. Os projetos devem definir objetivos claros e indicadores que permitam monitorizar e avaliar os resultados alcançados.
Complementaridade
Os projetos não se substituirão ao papel do Estado nas políticas de integração, mas atuarão de forma complementar, apoiando soluções inovadoras que reforcem e adaptem as respostas existentes, mobilizando a sociedade civil, os municípios, as empresas e a academia.
Dignidade Humana
Todos os projetos devem fundamentar-se na promoção plena e efetiva dos Direitos Fundamentais consagrados nos instrumentos jurídicos nacionais e europeus, nomeadamente dos Direitos Humanos, assegurando a proteção e valorização da dignidade das pessoas imigrantes.
O compromisso da Fundação Gulbenkian
A ligação da Fundação Calouste Gulbenkian ao tema das migrações tem raízes profundas. Durante a Segunda Guerra Mundial, Calouste Sarkis Gulbenkian, empreendedor de origem arménia, estabeleceu-se em Portugal, onde viveu até à sua morte.
Esta experiência marcou a missão da Fundação com o seu nome e traduziu-se, desde cedo, em iniciativas de apoio a refugiados e pessoas deslocadas. Contam-se, entre as várias iniciativas, o apoio a refugiados arménios em Alepo, a colaboração com a Cruz Vermelha Portuguesa após a descolonização ou o financiamento de habitação para retornados em várias regiões do país.
Mais tarde, entre 2003 e 2022, perante a evolução dos fluxos migratórios, a Fundação investiu quase 9,5 milhões de euros em projetos de integração de imigrantes – desde o apoio à diáspora portuguesa, a respostas à crise dos refugiados, passando pela promoção da diversidade e do diálogo intercultural, pela integração profissional de médicos imigrantes, parcerias internacionais e o apoio à Orquestra Geração.
Pela sua história e experiência, mas também pela sua independência, capacidade de inovação e articulação com a sociedade civil, a Fundação Gulbenkian lançou a Iniciativa Gulbenkian Integração, através da qual vai apoiar o desenvolvimento de soluções pioneiras, mobilizar conhecimento e fomentar boas práticas.
Com esta ação concreta de filantropia transformadora, que coloca as pessoas no centro das políticas, a Fundação pretende contribuir para que Portugal se reforce como país inclusivo e acolhedor, transformando a diversidade numa vantagem coletiva.