5.ª impressão

Arte poética

Horácio

Edição digital

Acesso aberto

«Vemos que o poeta incita os Romanos, seus compatriotas, a esquecerem o mundo dos negócios e de actividades mais rústicas, para se embrenharem no mundo da criação poética e literária inspirando-se nos bons textos literários gregos, num esforço mimético, e para expulsarem, contudo, qualquer imitação servil. Na verdade, tudo o que provém das nossas memórias e imaginação é constituído por fragmentos do que lemos e fixámos e é por isso que J. L. Borges chamou a esse processo reescrita, sem sermos por isso obrigados a recorrer aos arquétipos que Platão descreve na República, ao conceber uma realidade dupla, a encontrada cá na terra, e a pura, a inicial, pairando nas alturas divinas do Universo.

É interessante verificar sem dificuldade a influência da Poética horaciana pelos séculos fora e basta apontarmos o inultrapassável e mordaz satírico Boileau, contemporâneo de Luís xiv, e autor de L’Art Poétique (1674), ou o pouco conhecido, entre nós, Geoffroi de Vinsauf, no século xiii, pois é contemporâneo de Chaucer, e o qual para distinguir a sua Arte Poética da obra de Horácio cuidadosamente a intitula de Poetria Nova […] sem deixarmos de lado o teórico da composição literária […] o célebre Bispo de Cremona, Marco Girolamo Vida, do agitado século xvi, contemporâneo de Carlos v, autor do De Arte Poetica, publicada em 1527.  

Horácio insiste num princípio, logo no início da Arte Poética, ao qual a realidade imagística do território romano impõe certas reservas. Diz ele «Vt pictura poesis»: e com este princípio solenemente enunciado, quer convencer-nos de que em poesia, tal como na pintura, não se podem misturar partes de animais, ou seja de imagens e estilos literários de toda a espécie. Ou seja, e não sei se ele o cumpre inalteradamente em toda a sua obra poética, pois até disso duvido, deve obedecer-se ao princípio do decorum (beleza) e da concinidade, em latim concinnitas, a qual podemos traduzir por harmonia, em que elementos díspares não devem ser juntos, numa combinação surrealista.»

Do Prefácio de Raul Miguel Rosado Fernandes


Ficha técnica

Outras Responsabilidades:

Introdução, tradução e comentário de Raul Miguel Rosado Fernandes

Idioma:
Português
Coordenação editorial:
Fundação Calouste Gulbenkian
Editado:
Lisboa, 2026
Dimensões:
220 x 138 mm
Páginas:
175 p.
ISBN:
978-972-31-1444-7
Atualização em 21 abril 2026

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