Mil e Uma Noites
Mulheres que se levantaram às cinco da manhã para ir vender peixe, descalças, levando as suas crianças a pé por aí fora. Mulheres que salvaram os seus homens do lodo, uma, duas, três vezes. Mulheres que foram para a guerra e trouxeram de lá poemas que ardem nos olhos. Mulheres que aprenderam a ler, fazendo teatro. Mulheres que calaram amores porque sabiam não ser o tempo de amar livremente. Mulheres que, com as suas vidas, mudaram o tempo. Mulheres solteiras, mulheres casadas, mulheres divorciadas, mulheres viúvas, mulheres com filhos, mulheres com filhas, mulheres com netos, mulheres com netas, mulheres felizes. Mulheres felizes. Felizes talvez por reconhecerem na sua vida a liberdade a amanhecer. É sempre pouco o tempo e o espaço para amar alguém. Durante estes 15 dias fomos quem nos propusemos ser: um grupo de gente que olha para dentro de si através das outras cuja pele também habitamos. As outras que éramos nós.
Interrompemos as nossas vidas, que se separam umas das outras novamente em menos de dias, para um pedaço de recordação comum. Celebremos, por agora, o encontro. Logo colhemos os escombros entre diferentes medidas de saudade e aprendizagens. Talvez seja o gerúndio – esse tempo que trouxemos do Alentejo – que nos permita mudar, mudando, o mundo mundano.
Projeto desenvolvido no âmbito do ATOS, uma iniciativa do Teatro Nacional D. Maria II e da Fundação Calouste Gulbenkian.
- Entidade Promotora
- Teatro Nacional D. Maria II e Fundação Calouste Gulbenkian
- Programas
- ATOS
- Questões Sociais
- Falta de acesso à prática e expressão cultural, Isolamento geográfico e/ou social
- Área Artística
- Teatro
- Beneficiários
- Adultos, Crianças, Idosos, Jovens+65 anos, 0–6 anos, 16–25 anos, 26–64 anos, 7–15 anos
- Data
- 2023 – 2023
- Estado
- Realizado
- Territórios de Atuação
-
Região de Coimbra
Figueira da Foz