Ato de arrebanhar e outras transumâncias
Este texto é cerzido por entre citações, de quem nos ensinou sobre este lugar, e pela nossa reflexão que construía todo um argumento.
Na cova enterra-se a lã para que não apodreça (“Já vale pouco hoje-em-dia, fica pr’aqui à espera que o vento a leve de volta à serra”). No covil escondem-se os segredos (“guardo na marmita o restinho de pastel de molho, do campo ainda vou ganhar umas horas à fábrica”).
Partindo de uma geografia por descobrir, queremos arrebanhar rochedos (“estas são as aborregadas, ficaram assim pelo peso do gelo glaciar”), ou pedras redondas (“os gogos, retirados da ribeira da Caia, para serem parede das casas do Paul”).
Queremos arrebanhar bichos (“está a parir um borrego, podemos assistir?… olha ali uma raposa a correr!”), e ervas (“trago aqui a raiz rastejante da cervum”) e pessoas. Mas também assentos (“bancos usados no tear, quando cresce a tecedeira, junta-se mais uma rodela de cortiça para não doer as pernas”), histórias e passados para uma assembleia onde todos são voz e ouvido (“desde que estou neste projeto, vi e encontrei gente que não sabia existir”).
De lugar em lugar, de casa em casa, da serra para a cidade (“da faculdade para o quarto, encontrei aqui o meu refúgio”) acompanhados pela erudição ou rodeados por pessoas, seres e objetos mágicos.
Projeto desenvolvido no âmbito do ATOS, uma iniciativa do Teatro Nacional D. Maria II e da Fundação Calouste Gulbenkian.
- Entidade Promotora
- Talkie Walkie com Manuel Tur
- Programas
- ATOS
- Questões Sociais
- Falta de acesso à prática e expressão cultural, Isolamento geográfico e/ou social
- Área Artística
- Multidisciplinar
- Beneficiários
- Adultos, Crianças, Idosos, Jovens+65 anos, 0–6 anos, 16–25 anos, 26–64 anos, 7–15 anos
- Data
- 2023 – 2023
- Estado
- Realizado
- Territórios de Atuação
-
Beiras e Serra da Estrela
Covilhã