Um habitante inesperado no Jardim Gulbenkian

Quem circular este mês junto ao Anfiteatro ao Ar Livre, no Jardim Gulbenkian, vai deparar-se com um cenário bem diferente do habitual. No centro do palco encontrará uma casa provisória, concebida pelo artista Ricardo Jacinto, com um habitante inesperado, que aí vai estabelecer residência entre os dias 9 e 29 de abril. Trata-se do maestro, pianista e performer italiano Marino Formenti que durante 20 dias consecutivos, 24h por dia, viverá nessa casa temporária onde se senta ao piano, toca, come, dorme, alternando música e silêncio, num espaço simultaneamente público e privado. Entre as 10:00 e as 20:00 (sábados 15, 22 e 29 até às 23:00) o público é convidado a entrar e sair livremente da casa para ouvir música ao vivo numa dimensão diferente, podendo seguir o artista via streaming.

Intitulada Nowhere, esta performance realiza-se no âmbito de uma colaboração e co-produção entre a Fundação Calouste Gulbenkian e a bienal de artes contemporâneas BoCA, um novo projeto com direção artística do ator e encenador John Romão que promove sinergias entre instituições artísticas nacionais e internacionais, encorajando os artistas a apresentar criações fora das suas linguagens habituais e em espaços diferentes. Esta instalação no Jardim da Fundação Gulbenkian remete para um não-lugar na cidade, onde a vida e a música se tornam uma só. Apagada a divisão entre palco e vida, entre dia e noite, anulam-se as convenções de tempo, espaço e programa. Com repertório de John Cage, Morton Feldman, Erik Satie, Brian Eno, Jean-Henri d’Anglebert, Gaspard le Roux ou Björk, entre o barroco e o contemporâneo, Formenti vai testar os seus limites neste seu singular projeto.

A Bienal BoCA teve início a 17 de março e decorre até 30 de abril.

 

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